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quinta-feira, 8 de março de 2018

FILMES COLORIDOS QUESTIONAVAM PRECONCEITOS RACIAIS


Embora já se fizessem filmes parcialmente coloridos desde meados dos anos 1920, foi somente na década de 1930 que o uso da inovadora tecnologia do Technicolor se tornou a regra na produção de filmes.
Os dois primeiros filmes desse tipo a aportarem na Alemanha foram “Ramona” e “Wings of the Morning” (Idílio Cigano). E imediatamente despertaram críticas pela forma como se trabalhavam as questões raciais, segundo a ideologia nazista, em seus enredos. Como escreveu o crítico nazista Wilhem Frels: “Filmes coloridos adoram usar pessoas de cor, por seu tom de pele mais eficaz”.

“Wings of the Morning” foi encarado mesmo como uma provocação, especialmente por sua cena de abertura: Um chefe indígena chamado Alessandro encontra uma mulher branca, presa em cima de uma árvore. A mulher se chama Ramona e está sendo procurada por dezenas de homens. Passam então várias dias juntos até que a cena mais chocante da história é descortinada: uma mulher branca deitada nos braços de um índio.

Esse tipo de enredo era de tal forma vedado que a história teve de contar com algum subterfúgio que a tornasse minimamente aceitável. Para tanto, em dado momento, a madrasta de Ramona faz uma revelação, quando toma conhecimento do relacionamento proibido que a filha vinha cultivando: “Você foi criada na minha casa, como minha própria filha. O tempo todo eu vivi com medo de que cedo ou tarde o sangue da sua mãe viesse à tona.” A filha então retruca: “Como você pode falar desse modo da minha mãe? Afinal, ela era sua irmã.”

A madrasta então revela a trama oculta: “Não era, não! Ela era mulher de um índio.”

Pronto, o filme agora não aborda exatamente o relacionamento entre uma branca e um índio, mas entre uma mestiça e um índio. Ramona agora poderia correr para os braços de seu amante ameríndio.

Mas, na Alemanha nazista, mesmo esse tipo de “truque” era inaceitável: eles haviam gastado muito tempo e esforço para exterminar qualquer veleidade de casamento entre pessoas de “raças” diferentes do país. Por isso o filme não foi muito bem recebido por críticos de ideologia nazista. Mas o filme seguinte causaria ainda mais mal-estar nessas pessoas: se Ramona abordava a problemática indígena, Wings of the Morning tratava de um grupo abertamente perseguido pelo partido no poder na Alemanha, os ciganos.

Tendo recebido o nome de “A Princesa Cigana” na Alemanha, Wings of the Mornin conta história de um homem branco que se apaixona por uma mulher cigana. Como se não fosse o bastante, o tal homem pede desculpas à garota cigana pelo preconceito manifestado pelos seus amigos: “Essas pessoas, elas não têm imaginação, não entendem nada.” E sem truques: o homem não se revela um cigano em momento algum.
Para críticos nazistas, exibir os dois primeiros filmes coloridos em solo alemão, cujos enredos praticamente exaltavam o casamento inter-racial, no momento em que o cerco nazista se fortalecia na Europa contra grupos “raciais” discriminados, era quase uma ofensa aberta pelos norte-americanos. Essa exaltação de “pessoas de cor” deveria ser barrada, e não queria discutir muito sobre os reais motivos subjacentes.
O primeiro problema com filmes que retratavam ciganos se deu alguns meses antes, numa produção de O Gordo e O Magro: The Bohemian Girl (A Garota Cigana). O motivo da censura foi explicitado assim: “Esse filme essencialmente dá uma falsa imagem da censurável vida dos ciganos e de uma forma kitsch e não tem lugar na nossa nação.”

Mais uma polêmica ressurgiu em 1938, com a produção “Sanghai”, da Paramount. O filme tratava de um homem de negócios bem-sucedido, cujo pai era branco e a mãe era uma princesa da Manchúria. O filme Ra um primor de tolerância e terminava com o seguinte magnífico epílogo à Martin Luther King: “Algum dia, o preconceito irá desaparecer, a convenção irá caducar. Os homens serão julgados não por seu credo ou cor, mas por seus méritos. Talvez não vivamos para ver esse dia – rezo a Deus que possamos.”
Esse filme estreou na Alemanha em 1938 e foi surpreendentemente elogiado pela imprensa alemã. Aliás, os três filmes citados foram exibidos na Alemanha, pouquíssimos críticos, como Wilhem Frels, conseguiram captar o fato de que seus enredos iam de encontro à ideologia nazista.

Pois bem, em 1940 é exibida outra obra polêmica – na Alemanha: Susannah os the Mounties (Suzana). Nesse filem, Shirley Temple, uma das atrizes mais populares na Alemanha, encena mais um relacionamento entre brancos e índios no Velho Oeste.

Mas um grupo criaria um escarcéu tremendo devido à liberação dessas quatro obras no mercado alemão, especialmente essa última: a SS, a milícia do partido nazista.

O filme Susannah of the Mounties recebeu orientação do partido nazista para que fosse tratado como um entretenimento inofensivo pela imprensa, mas a cena final, em que Shirley espeta o dedo e mistura seu sangue com o de um garoto índio, despertou ódio na organização preferida do Fuhrer: “Estamos apresentando queixas específicas contra artigos da imprensa que mostram Susannah of the Mounties num viés positivo.”

Logo após, a mesma SS apresentou suas queixas contra Ramona, que ainda estava em exibição. Apesar desses protestos, os filmes não foram censurados e, em fevereiro de 1940, mais um capítulo dessa novela seria encenado com a produção “Let Freedom Ring” (O Trovador da Liberdade), um musical de Ben Hecht.

Uma breve sinopse: Jim Knox, proprietário de uma ferrovia, vinha usando um meio abusivo para expulsar os moradores de um pequeno vilarejo. Oferecia um valor baixo pelas terras pretendidas; quando o proprietário se recusava, mandava seus capangas queimarem suas casas. No entanto, ao tratar com Thomas Logan, passou a ter problemas com seu filho, Steve, um advogado formado em Harvard. De volta à casa do pai, Steve mente, tentando fazer parecer que apoiava a oferta de Jim Knox, mas queria apenas mais tempo para achar uma maneira de barrar os planos do maquiavélico empresário.

Steve então apela para a liberdade de imprensa, direito constitucional inalienável. Imprime diversos panfletos contra os planos de Knox e os distribui a seus empregados. Nos panfletos, Knox pediu que se levantassem contra o empregador. Diante da resistência dos trabalhadores, Steve entoa um cântico que lhes lembrava de que, na condição de norte-americanos, haviam todos nascido livres.

No momento “allegro” da obra Steve e Knox tratavam uma discussão calorosa, diante dos trabalhadores: Steve: “Vocês querem me ouvir mais uma vez? Vocês foram trazidos para cá em barcos de gado, mas eu digo que vocês são homens.” Knox intervém: “Voltem para suas cabanas, todos vocês!”; Steve: “Vocês dizem que vieram para cá atrás de... liberdade e autonomia, então não vão deitar na lama aos pés de Jim Knox.” Knox: “Não liguem para o que ele diz. Eu sou o chefe aqui.”; Steve: “O seu chefe chama vocês de refugo e gentalha. Eu chamo vocês de outra coisa. Chamo de americanos.” Knox: “Vamos lá, vamos lá, estou mandando.”; Steve: “Não há tiranos dando ordens nesse país! Não há nenhum homem que seja maior ou mais forte do que vocês se souberem erguer a cabeça.”; Knox: “Vamos, xerife, tire esse homem daqui.”
E então vem a frase mais antinazista do filme, pronunciada por Steve: “Vocês, alemães, italianos; vocês, judeus, russos e irlandeses; todos vocês que são oprimidos”; então hesita, mas sua namorada, Maggie, começa a cantar Let Freedom Ring, os trabalhadores entendem o recado e derrubam seu chefe tirânico.
Incrivelmente esse trecho inteiro foi mantido na versão para ser exibida na Alemanha, o filme fez tremendo sucesso, recebeu resenhas elogiosas nos jornais e... Ninguém percebeu seu caráter antinazista. Aliás, alguns críticos chegaram ao absurdo de associarem Jim Knox aos judeus, quando o discurso em favor dos judeus foi feito justamente para derrubá-lo!

Esse fato expôs que era absolutamente ineficaz fazer filmes antinazistas para as plateias alemãs: eles eram capazes de adorar a obra, porém fazendo uma interpretação completamente casuística do enredo.   

Mas os embates entre Hollywood e o Reich estavam chegando a um ponto insustentável, eram dezenas os filmes censurados na Alemanha. Como os próprios nazistas sabiam, caso houvesse uma cisão com Hollywood, os bandidos prediletos dos diretores seriam basicamente os nazistas (afinal, eles sempre precisaram de um inimigo para fazer o contraponto ao herói em seus filmes), e ficaria difícil de se fazer uma interpretação casuística de uma obra que colocasse os nazistas no claro papel de vilões.

E esse período parecia iminente.


Rubem L. de F. Auto


Fonte: livro “A Colaboração: o Pacto entre Hollywood e o nazismo”


quarta-feira, 7 de março de 2018

CARTA ABERTA A UM ESPECULADOR DE IMÓVEIS


OPEN LETTER TO A LANDLORD – LIVING COLOUR

[Chorus]
Now you can tear a building down
But you can't erase a memory
These houses may look all run down
But they have a value you can't see

Hoje, você pode derrubar um prédio
Mas não pode apagar uma memória
Essas casas todas podem parecer que estão desabando
Mas têm um valor que você não pode ver

[Verse 1]
This is my neighborhood
This is where I come from
I call this place my home
You call this place a slum
You wanna run the people out
This is what you're all about
Treat poor people just like trash
Turn around and make big cash

Esta é minha vizinhança
Foi daqui que vim
Chamo esse lugar de lar
Você chama de favela
Você que expulsar as pessoas
Isso diz muito sobre você
Trata os pobres como lixo
Vira as costas e faz um montão de dinheiro

[Chorus]
Now you can tear a building down
But you can't erase a memory
These houses may look all run down
But they have a value you can't see

[Verse 2]
Last month there was a fire
I saw seven children die
You sent flowers to their families
But your sympathy's a lie
'Cause every building that you burn
Is more blood money that you earn
We are forced to relocate
From the pain that you create

Mês passado havia um incêndio
Vi sete crianças morrerem
Você enviou flores às famílias delas
Mas a sua simpatia é uma mentira
Porque cada prédio que você queima
É mais dinheiro ensangüentado no seu bolso
Somos forçados a nos recuperarmos
Da dor que você causa

[Chorus]
Now you can tear a building down
But you can't erase a memory
These houses may look all run down
But they have a value you can't see
Now you can tear a building down
But you can't erase a memory
These houses may look all run down
But they have a value you can't see

[Verse 3]
We lived here for so many years
Now this house is full of fear
For a profit you will take control
Where will all the older people go?
(Go, go, go, go)
There used to be when kids could play
Without the scourge of drug's decay
Now our kids are living dead
They crack and blow their lives away

Vivemos aqui há tantos anos
Agora, essa casa está cheia de medo
Por lucro, você toma o controle
Para onde irão os mais velhos?
(vão, vão, vão)
Costumava ser bom quando as crianças podiam brincar
Sem a escória a decadência das drogas
Agora, nossas crianças são mortos-vivos
Fumam crack e expelem suas vida

[Chorus]
Now you can tear a building down
But you can't erase a memory
These houses may look all run down
But they have a value you can't see
Now you can tear a building down
But you can't erase a memory
These houses may look all run down
But they have a value you can't see

[Outro]
You've got to fight
You've got to fight
You've got to fight
For your neighborhood
You
You've got to fight
For your neighborhood
You've got to
You've got the right
You've got to fight
For your neighborhood
You've got to fight
You've got to fight
For your neighbor

Você tem que lutar
Por seu bairro
Você
Você tem que lutar
Por seu bairro
Você tem que lutar
Você tem o direito
Você tem que lutar
(...)


Rubem L. de F. Auto


terça-feira, 6 de março de 2018

O GOLPE: COMO HITLER SE TORNOU DITADOR ... E HOLLYWOOD GOSTOU!


Em 23 de março de 1933 ocorreu uma das sessões mais importantes da história do Reichstag, o Parlamento alemão. Reunidos na Ópera Kroll devido ao incêndio do Parlamento, deputados nazistas, nacionalistas e social-democratas, além dos deputados do Partido do Centro, deliberaram sobre a proposta de lei trazida pelos nazistas, liderados por Hitler, já empossado no cargo de Chanceler.

A paisagem política daqueles dias era a pior possível. Após o incêndio do Parlamento, as investigações manipuladas que se seguiram apontaram a culpa para os comunistas, grupo político localizado no espectro oposto dos nazistas no poder. Seguiu-se então uma perseguição política que praticamente exterminou os comunistas do ambiente político alemão. Restavam apenas os social-democratas na oposição aos nazistas. Pela situação, nazistas e seus aliados nacionalistas, formavam uma coalizão muito forte, mas não era suficiente para aprovar qualquer coisa. Esse cenário mudou quando conseguiram elaborar o plano que levou ao extermínio do Partido Comunista, e quando atraíram o apoio do Partido do Centro, ao cooptarem seu líder, Pralat Ludwig Kaas, que passou de uma hora para outra a repetir que a Alemanha corria o risco de uma guerra civil iminente.

Essa sessão de março de 1933 foi particularmente tensa. Unidades das SS guardavam a parte exterior do prédio; dentro, longas fileiras de homens vestindo a camisa marrom da SA ladeavam a bandeira com a suástica, impondo pressão sobre os parlamentares críticos aos movimentos políticos dos nazistas.

O presidente do Parlamento era Hermann Goring, quem abriu a sessão e logo passou a palavra a seu mentor e chanceler, Adolf Hitler. Este iniciou seu discurso seguindo a estratégia que lhe era comum, falando da miséria que se abateu sobre os pobres alemães. Depois passou a descrever como suas medidas ajudariam a renovar profundamente a moral nacional. Por meio da educação, dos meios de comunicação e das artes a nação sairia do caos em que se encontrava. Hitler prometeu combater o desemprego por meio de políticas públicas de criação de postos de trabalho, além da promessa usual de que o porte do exército alemão ficaria inalterado, a menos que todos os países do mundo firmassem um acordo de desarmamento radical.

Para pôr todos os seus planos em execução, Hitler propôs que o Reichstag promulgasse uma Lei Habilitante, transformando-o num ditador de fato, reunindo em suas mãos plenos poderes políticos, eliminando na prática o próprio Parlamento da vida política alemã. Hitler prometia que se tratava de uma medida temporária e que o Parlamento retornaria em breve ao seu funcionamento normal. Dizia que de maneira alguma sua existência estava sob ameaça.

Sua descida do púlpito foi acompanhada pelo coro da maioria dos deputados, cantando Deutschland uber Alles (Alemanha acima de todos) a plenos pulmões. Após, foi dado um intervalo de 3 horas de descanso. A pressão pela aprovação da Lei Habilitante também contou com os gritos efusivos dos guardas da SS, do lado de fora, bradando: “Queremos a Lei Habilitante – se não o castigo será o inferno.”

Mas o caminho da aprovação da proposta de lei contaria com um obstáculo: Otto Wels, presidente do Partido Social-Democrata. Ao tomar a palavra, fez-se silêncio. Wels trazia em seu bolso uma cápsula e cianureto, veneno que tomaria caso fosse preso.

Iniciou seu discurso já antecipando que seu partido não votaria a favor da Lei Habilitante. Disse que os nazistas e seus aliados haviam vencido as eleições de 5 de março e que deveriam, portanto, governar o país constitucionalmente – aliás, Wels falou que eles tinham a obrigação de fazê-lo. Passou então a argüir que o Reich deveria permitir que as mais amplas críticas fossem feitas ao governo, sem perseguição de quem quer que fosse, pois era isso que o mantinha saudável.

Wels terminou então sua intervenção falando às gerações futuras: “Nesse momento histórico, nós, social-democratas alemães, professamos solenemente nossa adesão aos princípios básicos da humanidade e justiça, liberdade e socialismo. Nenhuma Lei Habilitante pode dar o direito de aniquilar idéias que são eternas e indestrutíveis... Saudamos os perseguidos e os intimidados. A sua firmeza e lealdade são admiráveis. A coragem de suas convicções, sua confiança inabalável, asseguram um grande futuro.”

Hitler não poderia deixar um discurso desses sem resposta. Correu então ao púlpito e bradou contra Wels: “O senhor demorou para vir, mas acabou chegando! As belas teorias que acaba de proclamar aqui, senhor deputado, estão sendo comunicadas à história mundial um pouco tarde demais.”

Depois, passou a se pôr no lugar de vítima, tática que usava com freqüência e com bons resultados: “O senhor fala em perseguições. Acho que poucos de nós aqui não sofreram perseguições provenientes do seu lado e foram parar na prisão... O senhor parece ter esquecido completamente que durante anos nossas camisas nos foram arrancadas porque o senhor não gostava da cor... Nós sobrevivemos às suas perseguições! O senhor diz também que as críticas são salutares. Com certeza, aqueles que amam a Alemanha podem nos criticar; mas aqueles que adoram uma Internacional não podem nos criticar. Aqui, também, a clareza lhe chega com um pouco de atraso, senhor deputado. O senhor deveria ter reconhecido a natureza salutar da crítica durante o tempo em que éramos oposição... Naquela época nosso jornal foi proibido, e proibido, e proibido de novo, nossas reuniões foram proibidas, e nós fomos proibidos de falar e eu fui proibido de falar, por anos a fio. E agora o senhor diz: a crítica é salutar!”

Após umabreve interrupção de deputados social-democratas revoltados com o que ouviam, Hitler retomou de onde havia parado: “O senhor diz: “Agora eles querem pôr o Reichstag de lado a fim de continuar a revolução.” Senhores, se fosse essa a nossa intenção, não teríamos nos dado ao trabalho de... de apresentar essa lei. Por Deus, teríamos tido a coragem de lidar com vocês de um jeito diferente! Vocês também dizem que sequer poderíamos abolir a social-democracia porque ela foi a primeira a abrir estes assentos aqui ao homem comum, ao trabalhador e à mulher, e não apenas aos barões e condes. Em tudo isso, senhor deputado, o senhor chegou tarde demais... A partir de agora, nós, nacional-socialistas, iremos tornar possível ao trabalhador alemão alcançar o que ele é capaz de pedir e insiste em pedir. Nós, nacional- socialistas, seremos seus intercessores. Os senhores, cavalheiros, não são mais necessários!”

Hitler expôs então o que estava realmente subjacente àquele circo: “Apelamos nesse momento ao Reichstag alemão para que nos dê aquilo que poderíamos de qualquer modo ter tomado.” E, voltando-se para os social-democratas, disse, com desdém: “A Alemanha deve ser livre, mas não através de vocês!”
O resultado da votação apontou uma vitória acachapante dos nazistas: 441 a 94. O nome da lei aprovada foi: Lei para a Remoção da Aflição do Povo e do Reich. Sua aprovação representava o fim formal do Parlamento alemão.

O dia seguinte foi marcado pelas manchetes espantadas nos jornais, como no NY Times: “O gabinete de Hitler assume o poder para governar como ditadura; o Reichstag renuncia sine die. Nunca houve uma exaltação tão brutal de mera força... Na própria proclamação desta Alemanha implacável e absolutamente independente que irá se formar... o novo governo alemão vê-se confrontado com a condenação moral de quase todo o resto do mundo.”

Pelas palavras do jornal norte-americano, poderia-se supor que um evento tão brutalmente antidemocrático como este ocorrido na Alemanha nunca se repetiria nos EUA. No entanto, uma obra cinematográfica mostraria que essa tese não era inteiramente verdadeira.: Gabriel over the White House (O Despertar de uma Nação).

A história sintetizada é mais ou menos essa: “um senador chamado senhor Langham, pede o impeachment do recém-eleito presidente dos EUA que, segundo o senador, vinha agindo de maneira imprópria e a sala irrompe numa mistura de protestos e aplausos. Então o presidente entra pela porta e a sala fica em silêncio. Ele se posta diante de uma gigantesca bandeira americana e todos aguardam sua fala. Como Hitler, ele começa em tom abatido. Diz que se torna representante do povo americano na sua hora de mais sombrio desespero. Durante anos, o Congresso andou desperdiçando dinheiro em negociatas que não beneficiaram o cidadão americano comum. Incontáveis horas foram perdidas em discussões fúteis. Agora era hora de agir. O presidente pede aos deputados e senadores que votem um estado de emergência no país, pondo o Congresso entre em recesso, temporariamente, claro, somente até que as coisas voltem ao eixo. Durante esse período, o próprio Presidente assumiria total responsabilidade por tudo o que ocorresse.
Pronunciadas essas palavras insólitas, o mesmo senador Langham não se contém: “Senhor presidente, isso é ditatorial! Os EUA são uma democracia! Não estamos prontos para abrir mão do governo de nossos pais!”
O presidente então vocifera de volta: “Vocês já abriram mão. Vocês viraram as costas. Taparam seus ouvidos aos apelos do povo. Vocês têm sido traidores dos conceitos de democracia sobre os quais esse governo foi fundado.”

O presidente então continua, em tom mais brando: “Eu acredito em democracia, assim como Washington, Jefferson e Lincoln acreditaram na democracia. E se o que eu planejo fazer em nome do povo me torna um ditador, então é uma ditadura baseada na definição de Jefferson da democracia: um governo para o bem maior do maior número possível de pessoas!”

Embora os demais tenham aplaudido vibrantemente o discurso do presidente, o bravo senador Langham não desistiu, embora já mostrasse algum desânimo: “Esse Congresso se recusa a entrar em recesso.”
Mas o presidente não se intimidou e mostrou suas armas: “Acho, senhores, que estão esquecendo que ainda sou o presidente dos EUA. E como Comandante em Chefe do Exército e da Marinha, é dentro dos meus direitos como presidente que declaro o país sob Lei Marcial!”  

Resultado da votação: 390 votos a favor, 16 contra. A Lei de Emergência foi aprovada e a manchete do Washington Herald não deixava dúvida sobre o ocorrido: “O Congresso atende ao pedido do presidente, entra em recesso por votação esmagadora.”

Assim como Hitler, que usava os judeus como inimigos a serem perseguidos, o presidente fictício usava os gangsteres como inimigos a serem perseguidos.

Assim como Hitler, um presidente norte-americano havia obtido poderes ditatoriais absolutos, apelando para o medo e prometendo resolver os problemas da nação de uma maneira que seria impossível sob um governo democrático.

Incrivelmente, o filme estreou apenas 2 meses após o evento na Ópera Kroll. Ou seja, a história estava pronta antes que o evento alemão quase análogo ocorresse. Sem dúvidas, esse fato denotava que a semente do nazismo estava presente em diversos países quando eclodiu na Alemanha.

Felizmente a história não deixou que mentiras sedutoras como essa se espalhassem demais... ao menos naquele tempo.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: “A colaboração: o pacto entre Hollywood e o nazismo”


segunda-feira, 5 de março de 2018

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: UMA MUDANÇA TÃO DRÁSTICA QUANTO O SURGIMENTO DOS HUMANOS


Imagine que você entre numa máquina do tempo e retorne até o ano de 1750. Imagine agora que você capture um ser humano daquela época, o enfie em sua máquina do tempo e avancem até o ano atual. Imagine-se apresentando o mundo em que vivemos a esse cidadão de 1750. É provável que ao reparar nos meio de transporte, nas máquinas, nos meio de comunicação, nas formas de entretenimento, essa pessoa tenha uma sensação tão forte de surpresa que poderia ser levada à beira da morte.

Certamente seria uma tarefa quase impossível a esse cidadão do passado entender conceitos como dirigir um automóvel por uma autoestrada, conversar com alguém que estava ontem mesmo do outro lado do Atlântico, assitir a uma partida esportiva que está ocorrendo nesse momento no Japão, assistir a um show de música que aconteceu em Woodstock, há 50 anos, gravar um momento numa câmera de vídeo, ver sua própria localização no planeta Terra apenas olhando para uma tela, nas suas mãos, conversar com alguém a milhares de quilômetros de você etc.  

Pois bem, agora imagine que aquele cidadão de 1750 tenha agora sua própria máquina do tempo e, desejando se vingar pelo que fizeram com ele, retorne o mesmo intervalo de tempo do experimento anterior, para 1500, capture um cidadão daquela época e avance com ele até 1750. Ao apresentar o mundo 250 anos depois, certamente a pessoa de 1500 sentisse uma grande sensação de espanto, teria de entender muitos progressos, muitas coisas lhe soariam quase ininteligíveis, mas não seria uma sensação de quase morrer de surpresa.

O cidadão de 1500 teria de aprender algumas conquistas intelectuais no campo da astronomia e da física, ouviria sobre a moda política da época, o imperialismo, teria de aprender alguns avanços em cartografia... e nada muito além disso.

Pois bem, essa aceleração continua do progresso humano, que aponta para pontos de inflexão que demarcam invenções disruptivas em intervalos cada vez mais curtos foi batizada pelo futurista Ray Kurzweill de Lei dos Retornos Acelerados: sociedades mais avançadas têm a habilidade de progredir a uma taxa mais acelerada do que sociedades menos avançadas. Daí a sociedade do século XVIII ter evoluídos mais rapidamente do que a sociedade do século XV; o mesmo raciocínio vale para a sociedade atual em relação àquela de 250 anos atrás.

O mesmo paralelo poderia ser aplicado para o filme De Volta para o Futuro. A obra é de 1985, e o passado explorado no filme ocorreu em 1955. Foi marcante a surpresa do personagem de Michael J. Fox ao ouvir as notícias da “atualidade” da época, ao ver os preços dos bens, a falta de interesse no som de uma guitarra distorcida, o desconhecimento das gírias...

Sem sombra de dúvidas, a surpresa do personagem foi arrebatadora. Mas, imagine que o filme fosse refilmado hoje! Em relação a 1985, os 30 anos seguintes veriam inovações como: PCs, internet, telefones celulares... Enfim, talvez Marty McFly se sentisse mais perdido hoje do que em 1955.

E tudo isso vale para o futuro, claro. Segundo Kurzweill, o progresso no século XXI será 5 vezes mais rápido do que no século XX: ou seja, todo o progresso do século XX ocorreiria em apenas 20 anos do século XXI.. E se acelerando. Entre 2000 e 2014, o famoso futurólogo teria observado um progresso semelhante ao ocorrido em todo o século XX; e um outro período de salto tecnológico ocorrerá até 2021 – ou seja, o intervalo de 14 anos foi reduzido para 7 anos, apenas, seguindo uma curva exponencial.

Isso tudo aponta para um futuro em que saltos tecnológicos como o ocorrido ao longo de todo o século XX ocorrerão dentro do mesmo ano, em intervalos de poucos meses.

Ou seja, o mundo de 2050, por exemplo, poderá ser inteiramente diferente do nosso mundo atual, talvez até irreconhecível para uma pessoa de hoje em dia. Ouvir hoje que alguém está fazendo uma terapia para se tornar imortal pode parecer uma insanidade absurda. Mas imagine o que uma pessoa de 1750 pensaria de alguém que lhe dissesse que comprou um tíquete para voar de avião de NY a Londres em algumas poucas horas...

Pois bem. O conceito de inteligência artificial é um desses casos, que se apropriam aos poucos de nossas mentes, desde a suposição de que se trata de um mero delírio até a normalidade com que se lida com tais avanços no cotidiano. Certamente muitos pensaram tratar-se de uma abstração presente nos filmes de ficção científica; contudo, muitos também ouviram esse conceito ser entoado por um cientista respeitado e brilhante, ainda que você não tenha entendido patavinas do que ele falou.

O passo-a-passo que você seguiu, trilhando os rumos da inteligência artificial, quase seguramente foram esse:
1-      Coisa de filme “de Hollywood”: Star Wars; O Exterminador do Futuro; 2001: uma Odisséia no Espaço; Jetson etc. Todos abordaram inteligência artificial em seus roteiros, de uma forma ou de outra.
2-      Aos poucos, a tecnologia invade seu dia-a-dia: desde uma função esperta adicionada à calculadora do seu telefone até um carro que se dirige sozinho, aos poucos aquela “coisa de Hollywood” vai tomando parte em sua rotina.
3-      Por fim, a inteligência artificial passa a usada nas mais diversas aplicações sem que tomemos conhecimento disso. A expressão “inteligência artificial” foi criada por John McCarthy em 1956. Ele mesmo já havia reclamado do fato de que quando a IA se torna uma aplicação, as pessoas imediatamente paravam de chamá-la por esse nome. Por esse motivo, segundo McCarthy, a expressão IA sempre parecia algo futurista, com um quê de cultura pop, denotando algo que nunca chega.

Um melhor entendimento sobre o assunto pode ser alcançado da seguinte forma. Em primeiro lugar, esqueça robôs: estes são objetos que contêm IA, em geral mimetizando seres humanos. Inteligência Artificial equivale ao cérebro; o robô equivale ao corpo humano. Por exemplo: a assistente virtual Siri é uma IA; a voz que ouvimos é apenas uma personificação dessa inteligência. E não há sequer um robô envolvido.

Um outro conceito bem interessante é o de singularidade: o momento no futuro em que a IA atingirá o mesmo patamar da inteligência humana. A partir daí passaremos a viver num mundo completamente diferente do nosso; ali, as leis que regem nossas vidas atuais não mais terão validade.

Bem, até aqui falamos em inteligência artificial genericamente. Existem diferentes tipos ou formas de Inteligência artificial? Sim existem.
1 – Inteligência Artificial Estreita – Artificial Narrow Intelligence: também chamada Weak AI, ou IA Fraca, é uma IA nespecializada em uma área apenas. Por exemplo: jogar xadrez – e nada mais.
2 – Inteligência Artificial Geral – General AI: ou Strong AI, ou Ia de Nível Humano. Ela é capaz de realizar diversas tarefas caracteristicamente humanas, e já está à beira da aplicação real. Conceitualmente, é uma IA capaz de pensar, planejar, resolver problemas, pensar abstratamente, compreender idéias complexas, aprender rapidamente e aprender por meio da experiência.   
3 –Superinteligência Artificial: IA capaz de superar os seres humanos em quaisquer áreas do conhecimento: conhecimento científico, conhecimentos gerais, habilidades sociais. É aqui que a IA começa a causar calafrios nas pessoas, especialmente quando se fala em “imortalidade” das máquinas frente aos seres humanos e em sua capacidade de nos extinguir da face da Terra.             

A travessia da Intelligência Artificial Estreita (ANI) até a Superinteligência  Artificial é uma jornada, e estamos apenas no seu início; afinal, o nosso mundo atual já é governado pela ANI. Senão vejamos:

·         Os nossos carros estão cheios de ANI Systems. Desde o sistema de ABS, passando pela injeção eletrônica de combustível, até os carros autônomos, lotados de ANI, a indústria automobilística tem investido bastante nessas tecnologias.

·         Nossos telefones são pequenas usinas de ANI. Seja navegando pelo seu aplicativo de mapas, ou quando você recebe sugestões de músicas do Spotify, ou quando você lê a previsão do tempo para amanhã, ou quando você interage com sua assistente de navegação, tudo isso é uma forma de interação com sistemas de ANI.

·         Sabe o filtro de Spam do seu e-mail? Pois é, é uma ANI. Ela aprende a identificar o que é Spam de acordo com seus hábitos, a partir da inteligência inserida quando de sua concepção.

·         Sabe aquela coisa que acontece quando você procura por um produto na Amazon e vê o mesmo produto na sessão “Recomendado para você”, em outro site? E quando o Facebook sugere um amigo para seus contatos e, de fato, trata-se de um amigo que você gostaria de adicionar? Então, isso tudo é uma rede de sistemas ANI, trabalhando conjuntamente, de forma a uma comunicar a outra sobre quem você é, do que você gosta e, assim, podem decidir o que é relevante para você. O mesmo vale para aquela sessão da Amazon: Pessoas que compraram isso também compraram aquilo. É um ANI cuja função é reunir o máximo de informações sobre você e sintetizá-las de maneira inteligível , retornando informações que possam levá-lo a comprar mais.

·         Outra aplicação de ANI ocorre no Google Tradutor. Ele conta também reconhecimento de voz e diversas outras aplicações em ANI.

·         Quando um avião pousa, é uma inteligência artificial quem decide qual Portão será usado no Terminal. Aliás, o preço das passagens aéreas também é decidido por IA.

·         Os melhores jogadores virtuais de xadrez, gamão, palavras-cruzadas, damas... Virtuais do mundo são meras aplicações de ANI.

·         Aliás, o buscador Google é um cérebro ANI. O mesmo vale para as Newsfeed do Facebook.
·         Citamos aplicações comerciais largamente conhecidas. Poderíamos descrever os mais diversos usos nos setores militar, industrial, financeiro (mais da metade das ações transacionadas nos EUA ocorrem por meio de algoritmos de alta freqüência), médico (algoritmos que diagnosticam doenças) e no entretenimento (o IBM Watson ganha de qualquer ser humano em jogos de quizz).

Essas aplicações relativamente simples já são capazes de causar alguns transtornos quando algo dá errado: vimos variações assombrosas nos mercados financeiros devido a algoritmos de alta freqüência mal programados; usina nuclear desligada automaticamente sem motivo aparente.
Imagine quando a IA estiver ainda mais presente em nossas vidas. A ver...


Rubem L. de F. Auto


https://waitbutwhy.com/2015/01/artificial-intelligence-revolution-1.html

sexta-feira, 2 de março de 2018

INDÚSTRIA MUSICAL: DO CILÍNDRO À NUVEM


A história da indústria da música pode ser retrocedida ao século XIX, com o início da era Tin Pan Alley: reunião de publishers e compositores de músicas de Nova York, que dominavam o cenário da música popular nos EUA, no final do século XIX. O nome faz referência ao endereço em que se localizava o prédio que reunia tais profissionais, no Flower District de Manhattan. Naquele momento, quando ainda não existiam aparelhos de reprodução musical disponíveis no mercado, a força da associação eram as partituras; a associação procurava fazerem valer seus direitos sobre suas criações musicais.

Contudo, em 1877, Thomas Edison desenvolveu um cilindro de alumínio, rotacionado com as mãos, fazendo nascer assim o primeiro aparelho de reprodução musical na história. Evidentemente sua qualidade não era impressionante: o som era pobre e o cilindro somente permitia uns poucos usos antes de se deteriorar completamente, forçando sua substituição e elevando o custo de se ouvir músicas nesse aparelho às alturas.

Mas era apenas o início de uma corrida tecnológica de final imprevisível. Outros inventores aperfeiçoaram a ideia, pondo uma proteção de cera sobre o cilindro: nascia aí o protótipo da jukebox, cujo processo de se depositar uma moeda e ouvir a música que você deseja se tornou moda da época.

Os maiores produtores dessas máquinas eram: Victor, Columbia e Edison. O processo industrial era de tal forma complexo que o custo de entrada nesse mercado era proibitivo a quem não tivesse muitos recursos.

O próximo salto tecnológico ocorreu no processo de impressão da mídia master. Várias milhares de cópias poderiam ser impressas a partir do master. O custo de produção das cópias caiu sensivelmente, pois os músicos já não precisavam passar muito tempo nos estúdios, portanto passaram a receber menos.

Com a redução dos custos de produção, pulularam o mercado novas firmas voltadas para a gravação de discos e para a produção de aparelhos reprodutores de faixas musicais. Gravadoras menores passaram a investir em mercados específicos, levando algumas a investirem em músicos negros, tendo alguns deles alcançado enorme popularidade.

O nascimento do rádio e dos processos de gravação elétricos na década de 1920 levaram a melhorias futuras na reprodução de músicas. Na verdade, quando o rádio atingiu o status de aparelho de entretenimento das massas, músicos e compositores objetaram imediatamente a idéias de alguém tocar suas músicas no ar. Ao utilizar músicas em mídia, conseguidas quase que gratuitamente, os músicos entenderam que as estações de rádio estavam destruindo seus meios de subsistência. Por seu turno, os donos das estações argumentavam que haviam comprado as gravações reproduzidas nas estações, e esse fim era legítimo, sem que devessem pagar nada mais para os compositores.

Esse embate levou ao sistema de pagamento de royalties, quando a ASCAP – American Society os Composers, Authors and Publishers – levou o caso aos Tribunais. Proprietários dos Copyrights receberam então pagamentos a cada vez que suas obras eram executadas.

Ao lado dessa renda que agora surgia, logo músicos e compositores perceberam o impacto que as rádios tinham na divulgação de seus trabalhos.

O período de 1930 a 1945 foi marcado pelo total marasmo no mercado musical. A Grande Depressão e a II Guerra Mundial fizeram diminuir a demanda por discos. Entretanto, no pós-guerra, o desenvolvimento de gravações em fitas e a criação do Long Play (LP) de vinil de 12 polegadas iniciaram uma enorme onda de crescimento da indústria musical.

Agora, por um investimento singelo de uns poucos milhares de dólares poderia-se adquirir um excelente gravador de fitas. Como resultado, entre 1949 e 1954 o número de gravadoras de LP estadunidenses saltou de 11 para quase 200. Agora, gravadoras independentes poderiam competir de igual para igual contra as gigantes RCA, Columbia e Decca. Os independentes agora estavam investindo em jazz tradicional, ritmos do Sul e blues, estilos musicais derivados do gospel e no rock`n roll, trazendo-os para a cena principal.
Mas o crescimento mais espetacular ocorreu na segunda metade da década de 1960, quando a Universal introduziu no mercado as gravações em som estereo hi-fi truer-to-life, ao memso tempo em que os baby boomers do pós-guerra estavam sendo atraídos cada vez mais pelo gênero rock`n roll em franca expansão.

Ao longo dos anos 1970, a taxa de rápido crescimento foi inflada ainda mais pela invenção dos tocadores de fita cassete portáteis (mais conhecidos por Walkman), pouco após padronizados. Inventado pela Sony nos idos dos anos 1970, esse aparelho rendeu à gigante japonesa cerca de 50% do mercado americano destes aparelhos. Ao juntar num só aparelho um reprodutor de fitas e fones de ouvido, o mercado musical foi mais uma vez posto de ponta cabeça, podendo agora as pessoas ouvirem músicas o tempo todo – as 30 mil unidades vendidas no seu lançamento prediziam o sucesso estrondoso de mais de 400 milhões deles postos no mercado nas décadas seguintes.

Ainda assim, os anos de 1980 viram uma estagnação inesperada do mercado musical. Especialistas apontavam tanto o desinteresse pelos lançamentos quanto a qualidade sofrível dos vinis produzidos como razões para o declínio do mercado.

Esta tendência  somente começou a ser revertida em 1983, com a introdução dos compact discs – CDs. Essa inovação trouxe um novo crescimento, que se manteve pelos 20 anos seguintes.

O movimento disruptivo seguinte atendeu pelo nome de Napster. Em maio de 1999, Shawn Fanning fundou seu serviço de distribuição de músicas em meio digital, gratuito e sem qualquer preocupação com leis de direitos autoriais.

Embora a resposta da indústria tenha sido imediata e bastante forte, a inovação prosperou por meio de outros serviços semelhantes. Já em 2001 a venda de CDs declinou pela primeira vez. Também em 2001 foi lançado o IPod e o serviço da loja musical iTunes, da Apple.

O sucesso estrondoso de ambas as iniciativas de Steve Jobs, particularmente bem sucedidas devido ao nascimento dos players de MP3, uma loja virtual associada a ele, sem falar na expansão da internet de alta velocidade e das conexões wi-fi, levaram a mais uma cambalhota do mercado musical. Atualmente a indústria musical em meio digital responde por mais de 50% do mercado.       

E assim, a Tin Pan Alley, nascida na época da comercialização de partituras, hoje tenta sobreviver negociando com Spotify e quetais...


Rubem L. d e F. Auto

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

VILA ISABEL E O APANHADO DE QUATRO SÉCULOS DE MISCIGENAÇÕES


Quatro Séculos de Modas e Costumes – MARTINHO DA VILA


A Vila desce colorida
Para mostrar no carnaval
Quatro séculos de modas e costumes
O moderno e o tradicional
Negros, brancos, índios
Eis a miscigenação
Ditando a moda
Fixando os costumes
Os rituais e a tradição

E surgem tipos brasileiros
Saveiros e batedor
O carioca e o gaúcho
Jangadeiro e cantador

Lá vem o negro
Vejam as mucamas
Também vem com o branco
Elegantes damas

Desfilas modas no Rio
Costumes do norte
E a dança do sul
Capoeira, desafios
Frevos e maracatu

Laiaraiá, ô
Laiaraiá

Festa da menina-moça
Na tribo dos carajás
Candomblés lá da Bahia
Onde baixam os orixás

É a Vila que desce!


RUBEM L. DE F. AUTO


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

NAZISMO, CENSURA E O MEDO DO KING KONG


Estavam os onze homens numa sala de cinema de Berlim, durante o período governado pelos nazista. Alguns eram membros do partido nazista, outros eram profissionais que de uma maneira ou outra auxiliavam o governo com seus conhecimentos.

Ernst Seeger, chefe da censura, liderava as discussões. Perto dele, um produtor, um filósofo, um arquiteto e um pastor, seus assistentes. Completavam o elenco, um representante de uma companhia alemã de distribuição de filmes e duas testemunhas arroladas.

O filme em tela era King Kong, uma produção norte-americana recentemente aportada na Alemanha. Aquela exibição especial se iniciou por um texto lido pelo representante da companhia de distribuição, que pretendia deixar claro aos oficiais nazistas que se tratava de mera ficção, motivada por puro entretenimento. Passaram ao filme em si, durante o qual se ouviam comparações com A Bela e A Fera; ao cabo, iniciaram-se discussões sobre a adequação ou não de se permitir sua exibição na Alemanha.

Seeger passou a palavra ao professor Zeiss, do Ministério da Saúde, com a indagação acerca do seu potencial prejudicial à saúde dos espectadores. Dr. Zeiss iniciou sua resposta indagando sobre a nacionalidade da companhia distribuidora. Ao saber que era uma empresa alemã, berrou a todos os presentes: “Estou espantado e chocado que uma companhia alemã tenha ousado buscar permissão para um filme que só pode ser prejudicial à saúde de seus espectadores. Ele não só é meramente incompreensível como é, na verdade, uma impertinência exibir um filme desses, pois ele não é nada mais do que um ataque aos nervos do povo alemão!”

Após uns instantes de silencia, dr. Zeiss voltou à carga, mas agora focado em sua área de especialização: “É uma provocação aos nossos instintos raciais mostrar uma mulher loira de tipo germânico na mão de um macaco. Isso ofende os sentimentos raciais saudáveis do povo alemão. A tortura a que essa mulher é exposta, seu medo mortal... e as outras coisas horríveis que alguém só poderia imaginar num frenesi alcoólico são prejudiciais à saúde da Alemanha.”

Completou seu discurso apavorado, assim: “Meu julgamento não tem nada a ver com as façanhas técnicas do filme, que eu reconheço que há. Nem me importo com o que outros países pensem que seja bom para seu povo. Para o povo alemão, esse filme é intolerável.”

Por sua vez, dr. Schultz, médico psiquiatra, defendeu argumentos mais comedidos e equilibrados: “Em cada uma das instâncias em que o filme potencialmente parece perigoso, ele é na verdade meramente ridículo. Não devemos esquecer que estamos lidando com um filme americano produzido para espectadores americanos, e que o público alemão é consideravelmente mais crítico. Mesmo que se admita que o seqüestro de uma mulher loira por uma besta lendária é um assunto delicado, isso ainda não vai além dos limites do permissível.”

E assim arrematou sua exposição:”Psicopatas ou mulheres que poderiam ser lançados ao pânico pelo filme, não devem fornecer os critérios para essa decisão.”

Pouco antes dessa discussão acalorada, todas as instituições culturais alemãs foram postas sob o guarda-chuva do Ministério da Propaganda, área de atuação do todo-poderoso Joseph Goebbels. Ninguém sabia muito bem o que poderia ou não ser feito, mas também sabiam que não poderiam cair em desgraça com o Ministro. Seeger, precavido, pediu então que o próprio Ministério se manifestasse sobre o caso. A resposta seria analisada numa próxima reunião, marcada para a semana seguinte.

Apesar da recomendação do Ministério da Saúde pela não exibição do filme, o Ministério da Propaganda não viu qualquer risco à “raça” alemã, que o filme provocar. Depois, então, a reunião foi remarcada.
Inicialmente decidiu-se pôr um título alemão ao filme, de modo a deixar claro para o público que se tratava de uma obra de ficção. Decidiu-se então pelo seguinte título prolífico: A Fábula de King Kong, um Filme Americano de Truque e Sensação.

Seeger então passou a ler um resumo da obra em apreço: “Numa ilha ainda não descoberta nos Mares do Sul, animais de tempos pré-históricos ainda não conseguem existir: um gorila de 15 metros de altura, serpentes do mar, dinossauros de vários tipos, um pássaro gigante e outros. Fora desse império pré-histórico, separados por um muro, vivem negros que oferecem sacrifícios humanos ao gorila, King Kong. Os negros raptam a estrela loira de uma expedição de filmagem na ilha e a dão de presente a King Kong no lugar de uma mulher de sua própria raça. A tripulação do navio invade o império do gorila e trava terríveis batalhas com as bestas pré-históricas, a fim de sobreviver. Eles capturam o gorila depois de deixá-lo inconsciente com uma bomba de gás e o levam para Nova York. O gorila foge durante uma exibição, todos correm em pânico e um trem que passa por um elevado é descarrilado. O gorila então escala um arranha-céu com sua garota-boneca na mão, e alguns aviões conseguem derrubá-lo de lá.”

Lido o minucioso resumo, Seeger informou a todos que o Ministério da Propaganda não vira qualquer empecilho à exibição por motivos relacionados à “raça” alemã. Restava então analisar seu impacto sobre a saúde do povo.

Seeger manteve suas considerações a respeito da pureza racial. Dizia que o próprio excerto do discurso que fizera ainda há pouco, “no lugar de uma mulher da sua própria raça”, remetia ao famoso discurso de Thomas Jefferson, de 150 anos antes, quando este entendia que a preferência dos homens negros por mulheres brancas era tão uniforme “como a preferência do Orangotango pelas mulheres negras em detrimento daquelas de sua própria espécie.”

Interessante notar que esse argumento exposto por oficiais alemães era semelhante à propaganda de americanos e ingleses durante a I Guerra Mundial, quando soldados alemães eram retratados como gorilas selvagens que ameaçavam as puras e inocentes mulheres brancas. O ódio contra propagandas como essa ajudaram a engrossar as fileiras nazistas durante a II Guerra.

Embora o dr. Zeiss continuasse crítico, vendo  eventual insalubridade trazida pelo filme, a comissão rejeitou seus argumentos, por achar que “o efeito geral desse típico filme americano de aventura no espectador alemão é meramente prover entretenimento kitsch, de modo que não se deve esperar nenhum efeito incurável ou persistente na saúde do espectador normal.” O filme foi aprovado, mas com cortes de alguns trechos, como os close-ups do gorila segurando a mocinha aos berros na sua mão – Zeiss via aí eventual efeito danoso à saúde do povo. A cena do trem descarrilando também foi cortada, por “abalar a confiança das pessoas nesse importante meio de transporte público.”

O filme estreou nas salas alemãs em 10 de dezembro de 1933, recebendo imediatas resenhas nos principais jornais. O jornal nazista Volkischer Boebachter criticou o uso da expressão Fábula: “Tudo o que sabemos é que quando nós, alemães, ouvimos a bela palavra “fábula”, imaginamos algo bem diferente desse filme.”

Ao fim, soube-se que o próprio Hitler tinha King Kong como um dos seus filmes preferidos. Talvez fosse a imagem do ser poderoso que tinha sua amada indefesa na palma de suas mãos...   


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “A colaboração: o pacto entre Hollywood e o nazismo”


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

PLANOS DE DEUS PARA QUEM PROCURA CONFUSÃO – DRAKE


GOD`S PLAN

[Intro]
Yeah, they wishin' and wishin' and wishin' and wishin'
They wishin' on me, yuh

[Verse 1]
I been movin' calm, don't start no trouble with me
Tryna keep it peaceful is a struggle for me
Don't pull up at 6 AM to cuddle with me
You know how I like it when you lovin' on me
I don't wanna die for them to miss me
Yes, I see the things that they wishin' on me
Hope I got some brothers that outlive me
They gon' tell the story, shit was different with me

[Chorus 1]
God's plan, God's plan
I hold back, sometimes I won't, yuh
I feel good, sometimes I don't, ayy, don't
I finessed down Weston Road, ayy, 'nessed
Might go down a G.O.D., yeah, wait
I go hard on Southside G, yuh, wait
I make sure that north-side eat

[Post-Chorus]
And still
Bad things
It's a lot of bad things
That they wishin' and wishin' and wishin' and wishin'
They wishin' on me
Bad things
It's a lot of bad things
That they wishin' and wishin' and wishin' and wishin'
They wishin' on me
Yuh, ayy, ayy
[Verse 2]
She said, "Do you love me?" I tell her, "Only partly"
I only love my bed and my momma, I'm sorry
Fifty Dub, I even got it tatted on me
81, they'll bring the crashers to the party
And you know me
Turn the O2 into the O3, dog
Without 40, Oli, there’d be no me
Imagine if I never met the broskies

[Chorus 2]
God's plan, God's plan
I can't do this on my own, ayy, no, ayy
Someone watchin' this shit close, yep, close
I've been me since Scarlett Road, ayy, road, ayy
Might go down as G.O.D., yeah, wait
I go hard on Southside G, ayy, wait
I make sure that north-side eat, yuh

[Post-Chorus]
And still
Bad things
It's a lot of bad things
That they wishin' and wishin' and wishin' and wishin'
They wishin' on me
Yeah, yeah
Bad things
It's a lot of bad things
That they wishin' and wishin' and wishin' and wishin'
They wishin' on me
Yeah

É isso, eles querem e querem e querem me foder

Eu tava tranqüilo, não comece a me perturbar
Tentar manter tudo calmo é um desafio para mim
Não me acorde às 6 da manhã para me afagar
Você sabe como eu gosto disso, quando você me ama
Não quero morrer, para eles depois sentirem minha falta
Sim, eu sei as coisas que eles desejam para mim
Espero ter amigos que continuem vivos após minha morte
Eles contarão a história, a merda que aconteceu comigo foi diferente

Planos de Deus, planos de Deus
Eu resisto, às vezes não
Sinto-me bem, às vezes não
Eu andei por toda a Weston Road, de cabo a cabo
Poderia descer como um Deus, espere
Eu vou fundo em Southside G, espere
Eu me asseguro de que North-side esteja bem

E mais
Coisas ruins
É muita coisa ruim
Que eles desejam e desejam e desejam
Para mim
Coisas ruins
(...)

Eles perguntou: “Você me ama?” Eu lhe disse: “Em parte, sim”
Eu só amo minha cama e minha mãe, foi mal
Fifty Dub, eu até o tatuei em mim
81, eles vão trazer o “atirador” para a festa
E você me conhece
Transformei o O2 em O3, parceiro
Sem o “40”, Oli, eu não existiria
Imagine se nunca tivesse encontrado esses caras

Planos de Deus, planos de Deus
Não posso fazer isso sozinho
Alguém assistindo essa merda de perto, de perto
Eu sou eu desde Scarlet Road
Deveria descer como Deus, espere
Vou fundo em Southside G, espee
Procuro saber se northside está bem

E mais
Coisas ruins
É muita coisa ruim
Que desejam para mim
Que desejam para mim
(...)


Rubem L. de F. Auto


GUERRAS DE FRONTEIRAS – MUROS ABAIXO, REFUGIADOS EM ALTA


BORDERS WAR – SEPULTURA

Where am I to go? What do I have to do?
Borders all around me, there's no chance for a choice
Born in this world in a war stricken land
I will do what I have to do and go where I can

Aonde irei? O que tenho que fazer?
Fronteiras ao meu redor, sem chances de escolher
Nascido neste mundo, numa terra tomada pela guerra
Farei o tenho que fazer, irei aonde tenho de ir

The walls that we build we are taking them down
Imaginary lines of corruption and greed
The walls that we build we are taking them down
Overpopulation isn't just an excuse

Os muros que construímos, derrubaremos
Linhas imaginárias de corrupção e ganância
Os muros que construímos, derrubaremos
A superpopulação já não é uma desculpa

Searching for a place where I can have my own rights
Everywhere around me there's death in the air
I wanna find a way to make a change in my life
I will do what I have to do and fight till the end

Procurando um lugar onde posso ter meus próprios direitos
Em todos os lugares há cheiro de morte no ar
Quero encontrar um jeito de mudar minha vida
Farei o que tenho que fazer, e lutar até o fim

The walls that we build we are taking them down
Imaginary lines that won't allow us to live
The walls that we build we are taking them down
Denying all the rules and all their abuse

O muro que construímos, derrubaremos (...)

No, no - it won't be this way
No, no - can't be their way
Pride, pride - they won't blur our pride
I, I - must stay alive

Não, não – não será assim
Não, não – não pode ser do jeito que eles querem
Orgulho, orgulho – não borrarão nossa honra
Eu, eu – tenho que continuar vivo

Looking for the ground to build a home that is safe
They make the planet small and they have no control
Everywhere you go they have an eye on your steps
I will run where I have to run and hide where I can

Procurando um lugar para construir um lar seguro
Fazem o planeta menor, mas não têm o controle
Em todos os lugares, eles estão de olho nos seus passos
 Correrei para onde tenho vontade de ir, e me esconderei onde puder

The walls that we build we are taking them down
Exploring different fields so we grow in our hearts
The walls that we build we are taking them down
Exploiting all the lies to defend our own kind

Os muros que construímos, derrubaremos (...)

No, no - it won't be this way
No, no - can't be their way
Pride, pride - they won't blur our pride
I, I - must stay alive

Border wars

Guerras de fronteiras

One more crime
Crossing lines
Trapped inside
State of mind
Never blind
Fate untied

Mais um crime
Atravessando o limite
Aprisionado lá dentro
Estado de espírito
Nunca cego
Destino sem amarras

No, no - it won't be this way
No, no - can't be their way
Pride, pride - they won't blur our pride
I, I - must stay alive

Border wars

One more crime
Crossing lines
Trapped inside
State of mind
Never blind
Fate untied


Rubem L. de F. Auto


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

PUXEM MINHAS CORDAS, SOU MARIONETE


Pull My Strings – DEAD KENNEDYS

I'm tired of self respect
I can't afford a car
I wanna be a prefab superstar
I wanna be a tool
Don't need no soul
Wanna make big money
Playing rock and roll

Estou cansado de respeito próprio
Não consigo comprar um carro
Quero ser um ídolo pré-fabricado
Quero ser uma ferramenta
Não preciso de alma
Quero fazer muita grana
Tocando rock`n roll

I'll make my music boring
I'll play my music slow
I ain't no artist, I'm a businessman
No ideas of my own
I won't offend
Or rock the boat
Just sex and drugs
And rock and roll

Vou tocar minha música chata
Vou tocá-la lentamente
Não sou artista, sou um homem de negócios
Sem idéias próprias
Não vou ofender
Ou incomodar as pessoas
Apenas sexo e drogas
E rock`n roll

Drool, drool, drool, drool, drool, drool…my payola!
Drool, drool, drool, drool, drool, drool…my payola!

Invejem ... eu paguei o suborno!

You'll pay ten bucks to see me
On a fifteen foot high stage
Fatass bouncers kickin' the shit
Out of kids who try to dance
And if my friends say
I've lost my guts
I'll laugh and say
That's rock and roll

Você vai pagar 5 dólares para me ver
Num palco grande de 15 metros
Seguranças bundões acalmando a confusão
Criada pelos jovens tentando dançar
E se meus amigos dizem
Que perdi meu brio
Vou rir e dizer
Isso é rock`n roll

But there's just one problem

Mas há um problema

Is my cock big enough?
Is my brain small enough?
For you to make me a star?
Give me a toot
And I'll sell you my soul
Pull my strings and I'll go far

Meu pau é grande o suficiente?
Meu cérebro é pequeno o suficiente?
Para que você me transforme num ídolo?
Me dê um pouco de pó (cocaína)
E te vendo minha alma
Puxe minhas cordas e eu vou longe

Give me a toot
And I'll sell you my soul
Pull my strings and I'll go far
And when I'm rich
And meet Bob Hope
We'll shoot some golf
And shoot some dope

Me dê um pouco de pó
E te vendo minha alma
Puxe minhas cordas e eu vou longe
E quando estiver rico
E encontrar-me com Bob Hope
Vamos jogar uma partida de golf
E “fazer a cabeça”

Is my cock big enough?
Is my brain small enough?
For you to make me a star?
Give me a toot
And I'll sell you my soul
Pull my strings and I'll go far

Meu pau ...

(Everybody put the hands together)

Todos, ponham as mãos juntas

Is my cock big enough?
Is my brain small enough?
For you to make me a star?

(Everybody singing one time)

Is my cock big enough?
Is my brain small enough?
For you to make me a star?

(Shut up and dance, everybody!)

Calem-se e dancem, todos!

Is my cock big enough?
Is my brain small enough?
For you to make me a star?
Give me a toot
And I'll sell you my soul
Pull my strings and I'll go far

(One more time!)

De novo!

Give me a toot
And I'll sell you my soul
Pull my strings and I'll go far

And drool, drool, drool, drool, drool, drool…my payola!
Drool, drool, drool, drool, drool, drool…my payola!


Rubem L. de F. Auto