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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

COMO OS ÁRABES CIVILIZARAM OS PORTUGUESES – O MUNDO GIRA, GIRA, GIRA...


Após a incontida invasão árabe ao território da velha Lusitânia, o califa Muça ibn Nusayr se deslocou do norte da África até a Ibéria, no rastro de seus soldados. Ao constatar que a linha do seu exército se encontrava mais de 200 quilômetros da costa adentro, o califa ficou furioso. Quando seu general Tarik se aproximou do califa para cumprimentá-lo, este o chicoteou e o questionou sobre os motivos de ter avançado tanto, sem autorização do califa.

No entanto Muça logo observou que aquelas terras eram mais aprazíveis e atraentes do que ele supunha: eram férteis, chovia bastante, o clima era ameno. O Atlântico que o banhava era conhecido pelos árabes como “Mar Tenebroso”. Pedras preciosas e minérios lá abundavam.

Após as primeiras derrotas cristãs, bispos, padres e monges fugiram, deixando o poder local vago. Os judeus se viram com uma ótima vantagem: eram os mais instruídos após a fuga das elites locais governantes. Logo se dedicaram ao comércio. De fato, eram gratos aos árabes que os livraram do anti-semitismo cristão de outrora.

Fato semelhante ocorreu com diversos cristãos que se julgavam explorados pela Igreja.
Muça desembarcou ao lado de 18 mil cavaleiros árabes em 712. Os judeus de Sevilha abriram um dos portões da cidade para os homens do califa. A única localidade a demonstrar alguma resistência foi Mérida, capital lusitana, liderada pelo bispo local. Mas caíram após quase um ano. Ademais, não houve derramamento de sangue.

A marcha árabe atravessou os Pirinéus e chegou a Tours, apenas 200 km de Paris. Mas não puderam avançar mais e se retiraram.

Aos aliados que facilitaram sobremaneira a invasão árabe, Muça concedeu terras e altos cargos na administração pública. Quem não resistiu pode usufruir de conveniências até então inimagináveis.

Não o era para aqueles que pretendiam reafirmar sua fé diante dos novos governantes: a pena era a morte.
Os árabes permaneceram em Portugal pelos 400 anos seguintes. Na Espanha, foram 650 anos de domínio ininterrupto. Os progressos árabes na região superaram os feitos no Oriente Médio. O auge daquela civilização ocorreu por volta do século X. Os governantes eram membros da família Abd AL-Rahman, da Síria.

Foram eles que transferiram a capital dos seus domínios para Cádis. Denominaram a sua nação de Al-Andaluz – Andaluzia significa “terra dos vândalos”. A região do atual Portugal era então composta por três emirados: Al-Qunu, atual Algarve; Al-Qasr, atual Alentejo; e Al-Balata, atuais Lisboa, Sintra e Santarém.
Para os escravos, propriedade de lavradores e comerciantes cristãos, o islã parecia especialmente sedutor. Segundo o Alcorão, quem liberta um escravo agrada a Deus. Se um escravo escapasse de uma comunidade cristã e alcançasse uma comunidade muçulmana, bastava declarar sua fé em Maomé diante de pelo menos duas testemunhas para que obtivesse abrigo e proteção. Passavam a ter imediatamente direito ao casamento e a possuir bens.

Embora fosem constantes as incursões noturnas de cristãos a territórios inimigos com o fito de recuperar seus escravos, a estes os muçulmanos ofereciam terras cultiváveis. Tais terras haviam sido confiscadas de bispos que fugiram quando das invasões.

Um progresso técnico trazido pelos árabes foram as irrigações. Importadas de Alexandria, as terras portuguesas foram as primeiras na Europa a conhecerem essa técnica. Dois agrônomos, Ibn AL-Basaal e Ibn AL-Awaam, escreveram manuais que ensinavam a concepção, construção e funcionamento de rodas, bombas hidráulicas e condutos de água. Ensinavam também diversas técnicas de plantio e colheita de culturas diversas.

As técnicas de irrigação permitiram importar também plantas do Oriente Médio: bananeira, coqueiro, cana-de-açúcar, palmeira, milho, arroz. Diversos alimentos receberam incentivo à sua produção: alfaces, cebolas, cenouras, pepinos, maças, peras, uvas e figos.

O sistema agrícola árabe se caracterizava por ocorrer em regime familiar e pelo cultivo intensivo. Vinhas eram plantadas debaixo de laranjeiras e limoeiros, flores e hortaliças entre plantas.

O sistema de governo também passou por mudanças bruscas. O sistema cristão era dominado pela Igreja, que por sua vez era dominada pelos poderosos locais. OS padres acumulavam funções de juízes, governantes, administradores de terras etc.

Os sistema árabe era uma aula de liberalismo. Os impostos caíram sobremaneira, muçulmanos e convertidos eram isentos de diversas taxas. O espaço administrativo deixado pelos cristãos não foi preenchido pelos novos senhores. Por isso homens-bons (comerciantes e produtores locais) que se organizavam em praças públicas e ali tomavam decisões importantes referentes ao poder local. Também administravam os serviços sociais que protegiam viúvas e órfãos.  

Esses homens-bons se organizavam também em cooperativas de produção de azeite e vinho. Os jovens em geral serviam em corporações de bombeiros. Ainda hoje os bombeiros voluntários são importantíssimos num país que sofre com incêndios florestais freqüentes.

Os escravos libertos precisavam ser repostos pelos árabes, que os adquiriam de mercadores norte-europeus e de piratas locais, que praticavam seqüestros em alto-mar. Os primeiros escravos assim adquiridos eram eslavos, capturados por germanos no leste da Europa. As eslavas eram mais caras e iam direto para os haréns. Eram tão numerosas que o termo “eslavo” passou a designar todos os estrangeiros europeus em dado momento. A discriminação contra tais europeus era tamanha que um rei árabe pintou seu cabelo loiro de preto para se diferenciar dos “eslavos”.

Foram os árabes também que introduziram escolas, a grande maioria gratuita, e universidades, as primeiras da Europa. A partir de então as habilidades de escrita e leitura passaram a se disseminar nas sociedades européias.

Na verdade, surgiu um conflito nesse processo. A língua usada na matemática, na geografia, na história era o árabe. Mas os letrados de então falavam latim. O processo de alfabetização em massa fazendo uso do árabe revoltou a geração anterior. O documento intitulado Indiculus Luminus, de 854, lia: “Os nossos jovens cristãos, com os seus ares elegantes e discurso fluente, estão inebriados com a cultura árabe. Devoram e discutem avidamente os livros maometanos, elogiando frequentemente a sua retórica, ao mesmo tempo que desconhecem por completo a beleza da literatura da Igreja. Os cristãos ignoram de tal modo as suas próprias leis, que dificilmente encontramos um homem entre 100 que seja capaz de escrever uma mera carta de forma inteligível, e até para perguntar pela saúde de um amigo tem de o fazer em árabe.”

Daí surgiram os moçárabes. Quanto aos judeus, eram respeitados pelos árabes como o “povo do livro” – o tal livro é a Bíblia. Muitos alcançaram posição de destaque.

Muitos dos conhecimentos anteriores foram trazidos por Al-Idrisi, celebra geógrafo árabe do século XII. Foi ele quem redescobriu minas fundadas pelos romanos e abandonadas na era visigoda. Contando com a força de milhares de homens, tais minas foram alargadas e passaram a fazer uso de mercúrio. A produção de trigo superou a do Oriente Médio e pomares de figo se multiplicavam no sul da Península.

A arquitetura árabe da Península, altamente matematizada naquela era, desenvolveu-se de maneira distinta. Trabalhos em azulejo, cerâmica, vidro e metal estavam bem adiantados. Lisboa contava com redes de água, banhos públicos e esgotos, além de diversos fortes.

Em Córdova, pela primeira vez se acordou a existência do número zero. Esse foi praticamente o nascimento da matemática como a conhecemos.

Setúbal, ao sul do estuário do Tejo, contava com plantações de pinhais que abasteciam a crescente indústria naval. Os famosos e belíssimos jardins de Mondego foram descritos por Al-Idrisi.

A medicina evoluiu muito. Arib Bin Said escreveu um tratado sobre ginecologia, embriologia e pediatria. Foi um grande avança em relação à medicina grega. Uma tradução para o latim de texto médico árabe recebeu o título de Thesaurus Pauperum (O Tesouro dos Pobres).

Em outra passagem, o mesmo escritor dá testemunho de tribos de cavaleiros salteadores ao norte de Portugal. Foram eles, em conluio com França e Inglaterra que invadiram o país e tentaram exterminar quatro séculos de contribuições árabes. Obviamente não foram tão bem sucedidos nesse intento quanto planejavam.

O sucesso de Portugal como nação teve um marco em 1276, quando Pedro se tornou o primeiro e único papa português sob a denominação de João XXI. Morreu esmagado, meses depois, quando o teto da biblioteca que encomendara, para seu palácio em Roma, caiu sobre si. O detalhe interessante foi que a tragédia foi precedida por uma intensa discussão entre o Papa e o Rei de Portugal acerca da subordinação da Igreja ao Estado. Muitos suspeitaram de assassinato.

Foram muitas as contribuições árabes, por exemplo, na poesia. Escreveu o poeta arábico Ibn AL-Labban:

“Somos peças de xadrez nas mãos da fortuna
E o rei poderá cair às mãos de um humilde peão.
Não te preocupes com este mundo
Nem com as pessoas que nele vivem.
Pois agora este mundo está perdido,
Desprovido de homens dignos desse nome.”


Rubem L. de F. Auto


Fonte: livro “A primeira aldeia global”

terça-feira, 15 de agosto de 2017

CRISTANDADE EM PORTUGAL, A RELIGIÃO DOS REVOLTOSOS


Arqueólogos descobriram em grandes partes de Portugal objetos abandonados, num episódio que lembrava uma grande onda de destruição por volta de 250 d.C. Não se tratava de uma horda de vândalos invasores, mas esta onda ocorreu muito antes da chegada dos alemães (povos germanos).

Os alvos das destruições e saques eram italianos ricos, detentores de grande parte dos bens e controlavam os centros de decisão da economia local. Eram reconhecidos pela dureza com que tratavam os escravos e trabalhadores assalariados. Destruíram-se suas fábricas e seus ricos casarões. Na região da Conímbriga, cidade termal onde vivam pessoas das altas classes, construiu-se um enorme muro de proteção. Mesmo assim a população o derrubou pouco tempo depois.

Chamou atenção o fato de que grande parte dos objetos destruídos eram objetos de culto pré-cristão; isto é, a causa das revoltas também envolvia cismas religiosos. O cenário das revoltas tinha de um lado pessoas convertidas à Igreja primitiva; de outro, a detestável ordem romana que representava as injustiças econômicas e sociais.

A resposta do Império veio a cargo do imperador Domiciano. Ele ordenou por édito que o culto aos deuses romanos e o pagamento dos respectivos tributos ocorressem em templos oficiais. Certificados expedidos na ocasião atestariam o cumprimento da determinação.

Segundo o historiador romano Quintiliano, o cristianismo era, àquela ocasião, apenas o mais recente dos diversos cultos vindos do extremo oposto do decadente Império: o Mediterrâneo oriental. Conceitos atualmente tão caros ao cristianismo eram largamente praticados pelos lusitanos pré-cristãos. A teologia da morte-ressurreição era conhecida dos cultos à deusa Isis. A deusa persa Mitras era objeto de sacramentos, como o batismo e a refeição sagrada (eucaristia). Os primeiros padres celebravam cultos em templos mitraístas e cristãos. O culto a Mitras sobreviveu na Lusitânia por dois séculos após a chegada do cristianismo.

Pois bem: qual foi o fator que desequilibrou a balança tão decisivamente para o lado do cristianismo na região da Lusitânia e além? Pesou bastante o fato de que Cristo era uma divindade relativamente recente, fora assassinado pela detestável classe dominante romana, igualmente opressora dos lusitanos, e ressuscitara triunfalmente ao final de sua penitência.

Outro fator decisivo em prol do cristianismo atendia pelo nome de Santiago, discípulo a que Jesus chamou “Filho do Trovão”. Segundo a lenda que envolve o seu nome, Santiago foi o primeiro a pregar em terras lusas, entre o ano da crucificação, 32 d.C., e o ao de sua decapitação, dez anos depois, na Judéia.

Ainda segundo a lenda, seu corpo se encontra sepultado de baixo da Catedral de Santiago de Compostela (palavra que significa Campo das Estrelas), na Galiza, a norte de Portugal. No entanto, sua cabeça teria sido mantida em ótimo estado de conservação em Braga, primeira cidade portuguesa, numa catedral construída com esse propósito. Essa lenda ainda atrai milhares de turistas e peregrinos anualmente.

Mas a verdade é que é muito improvável que alguma vez Santiago tenha estado na Ibéria. A fábula somente se manteria se seu corpo tivesse voado da Judéia à Ibéria sem a cabeça, envolto em vestes pontificais e rodeado de estrelas, após sua execução. Sua cabeça somente teria sido encontrada pelo bispo de Braga no século XII, em Jerusalém, no âmbito de uma peregrinação.

Alguns estudiosos do assunto dizem que o corpo sepultado em Compostela era um missionário alemão executado após perseguições empreendidas pelo imperador Máximo, no século IV. Seus restos mortais foram trazidos por seus seguidores, que fugiram das perseguições no norte da Europa.

Os textos de Santiago, codificados nas Cartas Católicas, ou Universais, forma os primeiros textos cristãos a aportarem na Ibéria atlântica. São anteriores mesmo aos textos de São Marcos. Crê-se terem sido trazidos por mercenários lusitanos integrados à Sétima Legião Romana, estacionada no norte da África, tendo sido lá mesmo convertidos à nova fé.

A comparação entre as Cartas Universais e as Cartas de São Paulo revela o motivo de assim terem sido denominadas pela Igreja primitiva:  as cartas de Santiago eram endereçadas difusamente, enquanto as de São Paulo eram direcionadas a pessoas e comunidades específicas.

Santiago costumava dizer que seus textos revelavam a “perfeita lei da liberdade”, que ele via se materializarem na revolta santa contra os ricos. Mas Santiago não odiava os ricos pelo simples fato de terem acumulado muitos bens, mas por se terem entregado aos luxos e prazeres, ignorando os próximos. Ainda sobrevivem sete versões manuscritas das tais cartas.

Herodes Agripa II condenou e mandou executar Santiago, em 42 d.C., na Judéia. A 4 mil km dali, na Ibéria, foi invocado como se fosse um santo local.

Nos estertores do Império, a produção agrícola e mineral local despencou, os escravos não eram mais instados tão facilmente a laborarem as lavouras, o poder local de esvaiu e o resultado foram as revoltas e destruições citadas no início do texto.

Das autoridades, ocupantes dos cargos mais elevados no modelo de administração pública constituída pelos romanos, somente restara com alguma relevância os bispos cristãos. Também eram eles os únicos que poderiam pleitear em Roma o reconhecimento da região, após sua pacificação. Desde o século III, a Igreja era a administradora de fato e o poder judiciário na Lusitânia.

O bispo de Mérida, notório corrupto, também passou à história como fundador do primeiro hospital da cidade, totalmente gratuito, e da primeira hospedaria destinada a visitantes, igualmente gratuita. Também fundou um banco que trabalhava com juros subsidiados, voltado à fomentação dos negócios.

Em 710, o rei visigodo, povo bárbaro oriundo da Alemanha e a essa altura detentores do poder na Lusitânia, Vitiza fora assassinado pelo fato da nobreza de então não aceitar que seu filho Agila ocupasse o trono. Queriam o outro filho, Rodrigo.

Agila pediu auxílio ao califa que dominava o Norte da África. O califa enviou então seu general Tarik (em homenagem a quem se denominou a região de Gibraltar (Jabal Tarik), acompanhado de 7 mil homens.
Apesar de contar com um exército muito mais numeroso, Rodrigo não dispunha do comprometimento de seus homens à causa: mantê-lo no Poder. Tarik foi derrubando as forças inimigas uma a uma, geralmente sendo muito bem recebido pela população local por onde passava. Bispos, nobres visigodos e família real fugiram para o norte, a Galiza. O chefe da Igreja na Ibéria escapou para Roma.

E assim o pequeno e indomável país ia tomando forma...


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “A primeira aldeia global”


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

THE BEATLES, REVOLUÇÃO, CONSTITUIÇÃO... MAS SEM MAO!


Revolution
The Beatles
 
You say you want a revolution
Well, you know
We all want to change the world
You tell me that it's evolution
Well, you know
We all want to change the world

Você diz que deseja uma revolução
Bem, você sabe
Todos nós queremos mudar o mundo
Você me diz que é uma revolução
Bem, você sabe
Todos nós queremos mudar o mundo

But when you talk about destruction
Don't you know you can count me out
Don't you know it's gonna be

Mas quando você fala sobre destruição
Você sabe que não pode contar comigo
Você não sabe que tudo ficará

All right
All right
All right

Melhor

You say you got a real solution
Well, you know
We'd all love to see the plan
You ask me for a contribution
Well you know
We're all doing what we can

Você diz que tem uma solução real
Bem, você sabe
Adoraríamos ver esse plano
Você me pede uma contribuição
Bem, você sabe
Todos nós estamos fazendo o que podemos

But if you want money for people with minds that hate
All I can tell you is brother you have to wait
Don't you know it's gonna be

Mas se você quiser dinheiro para pessoas que trazem o ódio em suas cabeças
Tudo o que posso te dizer é, irmão, você terá que esperar
Você não sabe que tudo ficará

All right
All right
All right

Bem

You say you'll change the constitution
Well, you know
We'd all love to change your head
You tell me it's the institution
Well, you know
You'd better free your mind instead

Você diz que mudará a constituição
Bem, você sabe
Todos nós adoraríamos mudar suas idéias
Você me diz que é a instituição
Bem, você sabe
Seria melhor você soltar sua imaginação, em vez

But if you go carrying pictures of Chairman Mao
You ain't going to make it with anyone anyhow
Don't you know it's gonna be

Mas se você segue carregando imagens do presidente Mao
Você não fará isso com ninguém, de modo algum
Você não sabe que tudo ficará

All right
All right
All right
All right

Melhor


RUBEM L. DE F. AUTO


SEX PISTOL E SEU AMOR À RAINHA – GOD SAVE THE QUEEN


God Save The Queen - SEX PISTOLS

God save the queen
Her fascist regime
It made you a moron
A potential H bomb

Deus salve a rainha
Seu regime fascista
Te tornou um imbecil
Um bomba de hidrogênio em potencial

God save the queen
She ain't no human being
There is no future
In England's dreaming

Deus salve a rainha
Ela não é um ser humano
Não há futuro
No sonho da Inglaterra

Don't be told what you want
Don't be told what you need
There's no future
No future no future for you

Não deixe que lhe digam o que fazer
Não deixe que digam do que você precisa
Não há futuro
Não há futuro para você

God save the queen
We mean it man
We love our queen
God saves

Deus salve a rainha
É o que queremos dizer, cara
Amamos nossa rainha
Deus, salve

God save the queen
'cos tourists are money
And our figurehead
Is not what she seems
Oh God save history
God save your mad parade
Oh lord God have mercy
All crimes are paid

Porque turistas são dinheiro
E nossa atração maior
Não é parecida com ela
Oh, Deus, salve a história
Deus, salve seu louco desfile
Oh, Deus, tenha piedade
Todos os crimes estão pagos

When there's no future
How can there be sin
We're the flowers
In the dustbin
We're the poison
In your human machine
We're the future
Your future

Quando não há futuro
Como pode haver pecado
Somos as flores
Da lata de lixo
Somos o veneno
Na sua máquina humana
Somos o futuro
Seu futuro

God save the queen
We mean it man
There is no future
In England's dreaming

Deus salve a rainha
É o que queremos dizer, cara
Não há futuro
No sonho da Inglaterra

No future for you
No future for me
No future no future for you

Não há futuro
Para mim

Nem para você


RUBEM L. DE F. AUTO

terça-feira, 8 de agosto de 2017

PORTUGAL – A ROMA DO ATLÂNTICO – PARTE 2


Inicialmente, o que atriu os romanos à região da Lusitânia foi o ouro. Um dos governadores da Província foi Plínio, o Velho, de 70 a 75 d.C. Ele dizia que o gigantesco veio de ouro que se estendia pela Lusitânia, Galiza, até as Astúrias era o maior do mundo (mundo conhecido dos romanos era equivalente a duas Europas, mais ou menos).

A regulação que Roma estabeleceu sobre a exploração do ouro limitava as empresas a esta atividade dedicadas a 5.000 empregados por veio, em toda a Ibéria. Após a revogação desse Decreto, Plínio calculou em 320 mil onças a produção anual de ouro da Ibéria Ocidental. Diga-se: as reservas de ouro em Portugal eram de tal monta imensas que apenas em 1992 uma mina próxima a Jales, Vila Real, teve suas atividades encerradas, tendo sido inaugurada ainda pelos romanos. Sua produção incluía também prata, em montante duas vezes superior ao do ouro. Geólogos calcularam em mais de U$ 1 bilhão de dólares a quantidade de ouro ainda remanescente, esperando técnicas mais eficientes de exploração para que seja retirado.

No entanto, as técnicas de exploração do ouro aos tempos dos romanos impressionavam pela crueldade com os mineiros. Plínio testemunhou: “À luz de lanternas, longos túneis foram rasgados nas vertentes das montanhas. Os homens trabalhavam em longos turnos, podendo, durante meses a fio, não ter acesso à luz do dia. Os tetos estavam sujeitos a ruir e a esmagar os mineiros no seu interior. Apanhar ´[erolas ou pescar peixe roço nas profundezas do oceano parecia, comparativamente, bastante mais seguro. Como fomos capazes de tornar a terra perigosa!”

No norte de Portugal, a técnica de exploração de ouro era a céu aberto. Por 200 anos a área foi laborada, tendo empregado mais de 2 mil pessoas ao mesmo tempo.

Plínio mais uma vez se mostrou chocado com a louca ganância que o metal despertava: “O método utilizado consistia em amassar a terra com cunhas e britadeiras de ferro. A mistura de argila e cascalho era considerada como a mais resistente e duradoura de todas – exceto a ganância pelo ouro, que consegue ser ainda mais forte.”

Continuava o Velho, descrevendo as ações após a terra abrir uma fissura, causada pelos golpes das ferramentas: “Com um grito ou um aceno, o vigia dá ordem para os mineiros pararem, descendo rapidamente do seu posto. A montanha rasgada desintegra-se com um estrondo inimaginável, que é acompanhado por uma descolação de ar igualmente incrível. Quais heróis conquistadores, os mineiros contemplam o seu trinfo sobre a natureza.”

A seguir, abriam-se as comportas dos reservatórios, previamente construídos na montanha, e a água precipitava-se através de íngremes condutos – estes caminhos da água eram feitos por homens pendurados em cordas nas encostas das falésias.       

As torrentes arrastavam pepitas de até 3 mil onças. Estas ficavam presas nos degraus talhados nas rochas. O tojo de cascalho contendo os fragmentos de ouro eram secados, queimados e o ouro recuperado das cinzas.

As técnicas romanas eram de tal forma avançadas, que foram abanonadas após Portugal sofrer invasões seguidas de diversos povos, que eram incapazes de entender como a água era bombeada, de modo a manter as minas secas. Apenas no século XIX pode-se conceber um método compatível.

Na região do Alentejo, os romanos se apropriaram das minas de cobre, prata, estanho, zinco e ferro dos cartagineses. Expandiram bastante a produção desses locais. Outro metal valorizado era o chumbo branco, que adicionado ao ferro, protegia-o de ferrugem.

Outros campos incluíam o de São Domingos, explorado por uma empresa britânica até a década de 1960; e Aljustrel, cuja exploração mineral permanece até hoje.

As minas do norte eram todas estatais. No Alentejo, as concessões eram vendidas a empresários individuais ou grupos de mineiros. Após a aquisição, os concessionários deveriam iniciar atividades em até 25 dias – caso contrário, caducava e revertia ao Estado.

Antes da comercialização, fazia-se necessário pagar altos impostos. As estradas locais eram patrulhadas para impedir evasão. A pena a quem desobedecesse a lei eram longos anos de trabalho forçado.

A atividade mineira era a mais lucrativa, mas não a única. As técnicas romanas de agricultura também mudaram o modo de vida da região. O azeite, o vinho e os cereais já eram cultivados, porém em escala reduzida se comparada com os anos posteriores. Imigrantes italianos trouxeram plantas e compraram terras, que iam juntando com outras até atingirem extensões imensas, da ordem de 2 mil hectares.

O trigo e vários frutos (secos ou conservados em mel) e o esparto – utilizado no fabrico de cordas e velas -, eram exportados para a Bélgica, Holanda e Inglaterra. Um tipo de azeite lusitano era considerado pelos romanos o melhor do mundo, atingindo preços estratosféricos.

Quanto ao vinho, na década de 80 d.C., o Império viu-se diante de uma enorme quantidade de vinho que não se conseguia vender. O imperador Domiciano mandou arrancar todas as videiras de áreas que pudessem produzir outra coisa. Reduzida a produção pela metade, percebeu-se que as adegas passaram a produzir menos quantidade de um produto com melhor qualidade. Consequentemente, as exportações explodiram. Atualmente, quase 2 mil anos depois, os vinhedos ao sul do Tejo, plantados pelos romanos, continuam a produzir vinhos de qualidade, comercializado na Itália e além.

Até por volta de 212 d.C., a população da região se caracterizava pela homogeneidade, devido especialmente aos casamentos inter-raciais. O imperador Caracala decidiu conceder cidadania romana a todos os não-escravos residentes naquela região.

As mineradoras romanas dominavam este setor na Lusitânia. As altas classes italianas possuíam também as grandes fazendas e fábricas. Em geral, os proprietários também residiam em Roma. Portanto os lucros também eram todos enviados à insaciável Roma.

Durante a longa era da Pax Romanii na Lusitânia os municípios foram evoluindo para comunidades democráticas, muitos deles com autonomia administrativa. Cidadãos elegiam magistrados, que administravam tais municípios. Cobravam impostos, que pagavam colossais obras públicas: estradas, pontes, aquedutos, templos, banhos públicos e teatros.

A degringolada do Império se deu ao mesmo tempo que cobrava impostos crescentes e investia um obras e serviços públicos cada vez menos. Desanimados, muitos abandonavam os municípios com o fim único de não pagar impostos. Decreto imperial classificou como vedadas tais mudanças. Sem recursos, muitos cidadãos passaram a se vender como escravos ( a alternativa era a prisão por dividas).

Em dado momentos, foram suspensas as eleições para o cargo de magistrado, passando a ser hereditários ( o filho do cobrador de impostos era o próximo cobrador de impostos, compulsoriamente, sob pena de morte).

Outra forma de se proteger das garras fiados do Império era servir a ele. Muitos lusitanos se alistavam nas legiões romanas, servindo em Províncias no norte da África, Gália, Grã Bretanha... Alguns foram soldados de Constantino, quando marchou para libertar uma Roma sitiada pelos Godos.

Na Lusitânia, os ricos italianos, organizados em uma casta única e superior, viam seus bons dias esvaindo-se com o poder do Império. Não integrados com os locais, viram duas das três legiões lá estacionadas para os defender sendo extintas por falta de verbas. Além disso, Roma se esvaía.

A cada dia, os bárbaros do norte da Europa se aproximavam mais do coração do império...


Rubem L. de F. Auto

Fonte: Livro “A Primeira Aldeia Global”


PORTUGAL – A ROMA DO ATLÂNTICO – PARTE 1


Na aldeia portuguesa de Almoçageme, a 40 minutos de Lisboa, encontram-se as ruínas de uma casa. Este era o ponto mais ocidental do Império Romano.

Nos primeiros séculos da era de Cristo, um grupo de turistas romanos veio a essa região e relatou ter avistado deusas e ninfas do mar, dançando numa gruta. Essa experiência foi de tal maneira arrebatadora que escreveram uma carta ao imperador Tibério, que se encontra preservada nos arquivos públicos de Edimburgo.

Foram necessários 200 anos de guerras ininterruptas para que os romanos “pacificassem” as terras agora batizadas de Lusitânia, cujas fronteiras não se diferenciavam muito do atual Portugal.

Aos soldados romanos que se decidiram por permanecer naquelas terras, somaram-se italianos desejosos de por lá estabelecerem seus lares.

Diversas escavações em sítios romanos têm revelado traços do passado, insculpido por exemplo na ponte situada na estrada que liga Sintra a Mafra, ainda hoje utilizada. A igreja paroquial de Egitânia, atual Idanha-a-Velha, na estrada entre Mérida e Viseu é um templo romano alterado.

Norte americanos investiram mais de 28 anos tentando reconstruir o dia-a-dia numa vila da Roma Lusitânia: um bairro residencial, com casas dos italianos, dos servos e dos escravos lusitanos e a zona industrial, com oficinas e armazéns diversos.

Em São Cucufate, no Baixo Alentejo, existe uma mansão rural que se mantém em excelente estado de conservação após 1500 anos de sua construção.

Em Lisboa, o enorme teatro romano se encontra apenas parcialmente escavado, mas em ótimo estado de conservação. Conímbria, termas romanas ao sul de Coimbra, escavações revelam boa parte da cidade.

Mas a joia da coroa é Mérida. Fundada pelo imperador Augusto, nomeada capital da Lusitânia, é hoje território espanhol, mas pode ser alcançada por meio de uma ponte sobre o rio Guadiana, construída em 25 d.C.

As terras de Lusitânia contavam ainda com um circo de 15 mil lugares, onde se assistiam às lutas entre gladiadores, entre si ou contra animais selvagens. O local foi concebido para que pudesse ser alagado e, ali, fossem encenadas batalhas navais, usando miniaturas de galés romanas.

O teatro de Mérida foi construído há quase 2 mil anos, com capacidade para 6 mil pessoas. Além de estátuas de deuses romanos e templos, conta com passeios que acessam lojas - padaria, ourivesaria – e que ligam a ruínas de mansões. O museu romano de Mérida completa a lista de preciosidades e ajuda a revelar o funcionamento de uma padaria romana.

Apenas a região da Galiza, na Espanha, revela influências tão importantes da cultura romana. E ali a influência dos romanos sobre a ascendência portuguesa se mostrou decisiva. A língua portuguesa, a exemplo do galego, língua da qual o português evoluiu e ainda muito afim, é mais próxima do latim do que das línguas românicas.

A aldeia de Almoçageme segue o modelo romano de urbanização:a um fórum central – local de conversas entre homens e onde as feiras ocorriam normalmente -, uma igreja, uma escola, um café, um ginásio, além do edifício do quartel dos bombeiros voluntários.

O direito português foi erigido sobre o direito romano, diferente dos demais países europeus, mais influenciados pelo Código Napoleônico do início do século XIX.

Tal influência foi decisiva quando os visigodos, originados da Germânia, Atal Alemanha, tentaram impor o sistema jurídico teutônico, usando a conversão ao catolicismo como moeda de troca, mas culminou numa rebelião que abriu as portas da região aos mouros, que terminaram por tomar o poder para si. Após a expulsão dos mouros, os lusitanos retomaram o sistema jurídico romano.

Primeira nação cristã da Europa, ainda hoje Portugal perde apenas para a Irlanda em número de católicos no continente. A maior parte das demais adotou o inflexível protestantismo.

A arquitetura romana se mostrou influente também. Muitas das mais belas igrejas do país foram por ela influenciadas.  

Na cozinha, a influência romana está presente no pato com laranja ou azeitonas, além do cozidos à portuguesa (à base de enchidos e couve, era a alimentação regular dos legionários. Com pequenas alterações, foi o alimento dos escravos africanos traficados para as Américas – deu origem à “soul food”.
Também foram os romanos que introduziram o prato de peixe frito envolvido em ovos e farinha – tempura -, que mais tarde os portugueses levaram para o Japão.

A conservação de peixe à base de sal, salgando-o e secando-o, deu origem ao bacalhau. Embora contassem com enormes quantidades de peixe nas suas costas, os portugueses se deslocaram a águas distantes, na Terra Nova, á procura do peixe que é um símbolo do país.

Revele-se que a entrada da Noruega na União Européia fracassou devido à insistência dos portugueses de terem acesso à sua quota da pesca do bacalhau. São peixes importados da Escandinávia e da Inglaterra.

Interessante notar que o sentido de nacionalidade para os portugueses se diferencia dos demais europeus, em grande medida por influência romana, também. Enquanto os espanhóis demonstram apego à árvore genealógica e ao mapeamento de antepassados até, pelo menos, a terceira geração; e os ingleses se baseiam na etnia “anglo-saxã”, no local do nascimento; os portugueses mantém a cultura romana de se apegar ao estado de espírito, à maneira de ser: o que conta mesmo é a cultura. Foi esse modo de encarar a nacionalidade que permitiu a ascensão de importantes figuras do império sem origem italiana.

A maioria dos portugueses se orgulha de uma pretensa ausência de discriminação racial na sociedade, da permissão de casamentos inter-raciais. E, geralmente, é o cônjuge não português quem se integra à sociedade portuguesas, seja ele indiano, africano, chinês, inglês, alemão...

Ao contrário do separatismo introduzido pelos ingleses, os portugueses cultivaram relacionamentos na Índia. E mais: caso o português se recusasse, o Estado o obrigava a assumir eventuais paternidades e a educação dos filhos concebidos. São eles: sino-europeus em Macau ou Hong Kong, purghers do Sri-Lanka, indianos de Goa ou Bombaim.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: Livro “A Primeira Aldeia Global”

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Apício, o chef de cozinha do Império Romano, e suas receitas excêntricas


O livro “De res coquinaria” não pode ser considerado o livro de receitas mais antigo que se conhece.
Por exemplo, o grego Arquestato, poeta e gastrônomo do século IV a.C. Suas receitas foram registradas por Ateneo de Naucratis.

Mas a obra de Apício é certamente uma das mais importantes.

A obra citada também não pode ser considerada inteiramente fiável. Diversos copistas e tradutores adaptaram alguns pratos e imprimiram mudanças cuja autoria não é verificável. Ao não encontrarem algum dos ingredientes, logo imprimiam alterações nas receitas originais.

De fato, a história registra a existência de três Apícios, todos coincidentemente grandes “gourmets”. O primeiro viveu por volta de 100 a.C. O segundo viveu na sob o império de Trajano e se notabilizou por desenvolver técnicas de conservação de ostras. Marco Gavio Apicio foi o terceiro e mais famoso deles: tanto pelas suas descobertas quanto por sua irrefreável extravagância financeira.

Sua obra “De res coquinaria”, ainda disponível, é um manuscrito do século IX, descoberto por volta de 1517 em um convento na Alemanha. Foi trasladado para Roma e, após, realizaram-se diversas cópias do mesmo. Diversos desses códices estão presentes na biblioteca do Vaticano. Desde meados do século XIX foi traduzida para diversas línguas modernas.

O livro de Apicio é dividido em dez partes:

1    .       Epimeles: regras culinárias, remédios caseiros, temperos.
2    .       Artopus: guisados, picados etc.
3    .       Cepuros: ervas para cozinhar.
4    .       Pandecter: generalidades.
5    .       Osprión: sobre as verduras.
6    .       Tropheter: sobre as aves.
7    .       Polyteles: sobras e petiscos.
8    .       Tetrapus: sobre os quadrúpedes.
9    .       Tralassa: sobre frutos do mar.
0    .   Halieus vel halieuticon: peixes e variedades.

Nascido rico, Apicio dilapidou toda a sua riqueza se dedicando a seus prazeres. Eram freqüentes os bacanais que promovia, quando ostentava sua homossexualidade e escandalizava seus convidados com luxuriosos banquetes. Era uma das pessoas mais conhecidas em Roma, a seu tempo.

Segundo o testemunho de Marcial, “já havia entregado, Apicio, sessenta milhões de sestercios a seu estômago e lhe sobravam tão apenas dez milhões mais. Desesperado pelo medo de não suportar esta ameaça de fome e sede, bebeu como último trago em copo de veneno. Nunca, Apicio, você mostrou tamanha gula.”

Interessante notar que, quando do seu suicídio, a tal “ruína” que trompeteava era o equivalente a 3 milhões de euros atuais...

Sofisticado e excêntrico em seus hábitos alimentares, chegou a alimentar seus cerdos com figos secos e vinho mesclado, para dar melhor sabor a suas carnes, matando-os de surpresa para tirar seu fígado em condições perfeitas.

Despertou tamanha adminiração em alguns que, segundo Sêneca, seitas foram criadas, os Apicianos, que se dedicavam aos prazeres da mesa. Expressões como “vinho de Apicio” e a “arte de Apicio” foram talhadas para denominar as melhores colheitas ou a mais seleta cozinha.

Ainda sobre seu livro, das 480 receitas, apenas sete podem ser atribuídas a Apicio. Mais de vinte levam nomes de outros autores. Outra dezena leva o nome da localidade onde surgiram: Alexandria do Egito, Tarento, Tierra de los Partos, Baia, Ostia e Numidia.

Outro detalhe: o livro faz uso freqüente de dois ingredientes: garum, na forma líquida, planta extinta atualmente; e silphium.

Por fim, uma sugestão de prato com ervilhas, da lavra de Apício:
1    1.       Coza ervilhas, mexa-as e ponha em água fria. Após esfriá-las, mexa-as de novo.
1    2.       Corte a cebola e a clara de ovo cozida em pedacinhos, tempere com sal e azeite. Junte um pouco de vinagre.
3    3.       Pique a gema em pedacinhos e leve a uma travessa. Despeje os demais ingredientes por cima.
4    4.       Buon appetito.


Rubem L. de F. Auto

Receita: http://www.panelasemdepressao.com/2013/01/02/de-re-coquinaria-apicius/


sexta-feira, 28 de julho de 2017

ALEXANDRE, O GRANDE, SEGUNDO IRON MAIDEN


Alexander The Great
Iron Maiden
 
"My son, ask for thyself another kingdom,
For that which I leave is too small for thee."

“Meu filho, peça por um outro reino para você mesmo,
Porque esse em que vivo é muito pequeno para você”

Near to the East, in a part of ancient Greece,
In an ancient land called Macedonia,
Was born a son to Philip of Macedon,
The legend his name was Alexander.

Próximo ao Oriente, em uma parte da Antiga Grécia,
Numa terra ancestral chamada Macedônia,
Nasceu um filho de Filipe da Macedônia,
A lenda dizia que seu nome era Alexandre.

At the age of nineteen, he became the Macedon king,
And he swore to free all of Asia Minor,
By the Aegian Sea in 334 BC,
He utterly beat the armies of Persia.

Aos 19 anos, ele se tornou o rei da Macedônia,
E empunhou sua espada pela liberdade da Ásia Menor,
Próximo ao Mar Egeu em 334 A.C,
Ele finalmente derrotou os exércitos da Pérsia.

Chorus:
Alexander the Great,
His name struck fear into hearts of men,
Alexander the Great,
Became a legend 'mongst mortal men.

Alexandre, o Grande,
Seu nome causava calafrios nos corações dos homens,
Alexandre o Grande,
Tornou-se lenda entre os mortais.

King Darius the third, Defeated fled Persia,
The Scythians fell by the river Jaxartes,
Then Egypt fell to the Macedon king as well,
And he founded the city called Alexandria.

Rei Dario III, Derrotado, deixou a Pérsia,
Os citas foram derrotados perto do rio Jaxartes,
E então o Egito caiu frente ao rei macedônio também,
E ele fundou a cidade chamada de Alexandria.

By the Tigris river, he met King Darius again,
And crushed him again in the battle of Arbela,
Entering Babylon and Susa, treasures he found,
Took Persepolis, the capital of Persia.

Perto do rio Tigres, ele encontrou o Rei Dario de novo,
E os esmagou de novo na batalha de Arbela,
Entrando na Babilônia e em Susa, tesouros encontrou,
Tomou Persepolis, a capital da Pérsia.

Chorus:
Alexander the Great,
His name struck fear into hearts of men,
Alexander the Great,
Became a god amongst mortal men.

A Phrygian King had bound a chariot yoke,
And Alexander cut the "Gordion knot",
And legend said that who untied the knot,
He would become the master of Asia.

O rei da Fígia mostrou uma carruagem de jugo,
E Alexandre cortou o “nó górdio”,
E a lenda dizia que quem desatassem o nó,
Seria o governante da Ásia.

Hellenism he spread far and wide,
The Macedonian learned mind,
Their culture was a western way of life,
He paved the way for Christianity.

O  helenismo, ele levou longe e a muitos,
O Macedônio aprendeu sobre a mente,
Sua cultura foi um modo de vida do ocidente,
Ele pavimentou o cominho para o cristianismo.

Marching on, Marching on.

Marchando em frente, Marchando

The battle weary marching side by side,
Alexander's army line by line,
They wouldn't follow him to India,
Tired of the combat, pain and the glory.

O cansaço da batalha, marchando lado a lado,
O exército de Alexandre, linha a linha,
Eles não o seguiram até a Índia,
Cansados de batalhas, dores e de glórias.

Chorus:
Alexander the Great,
His name struck fear into hearts of men,
Alexander the Great,
He died of fever in Babylon.

Alexandre, o Grande,
Seu nome causava calafrios nos corações dos homens,
Alexandre, o Grande,
Morreu de febre na Babilônia.


Rubem L. de F. Auto


PORCOS DE GUERRA... SEGUNDO BLACK SABBATH


War Pigs
Black Sabbath
 
Generals gathered in their masses
Just like witches at black masses
Evil minds that plot destruction
Sorcerers of death's construction
In the fields the bodies burning
As the war machine keeps turning
Death and hatred to mankind
Poisoning their brainwashed minds
Oh, Lord, yeah!

Generais reunidos com as massas
Como se fossem bruxas fazendo seus feitiços
Mentes doentias que planejam a destruição
Feiticeiros da produção de mortes
Nos campos, corpos queimam
Conforme a máquina de guerra se mantém ligada
Mortes e ódio à humanidade
Envenenando suas mentes manipuladas
Oh, Deus, sim!

Politicians hide themselves away
They only started the war
Why should they go out to fight?
They leave that role to the poor, yeah!

Políticos se escondem
Eles já começaram a guerra
Por que eles deveriam ir à luta?
Eles deixam essas vagas para os pobres, sim!

Time will tell on their power minds
Making war just for fun
Treating people just like pawns in chess
Wait 'till their judgement day comes, yeah!

O tempo dirá às suas mentes poderosas
Fazendo guerra apenas por diversão
Tratando pessoas como se fossem peões
Espere até que o dia de seus julgamentos chegue, sim!

Now in darkness, world stops turning
Ashes where their bodies burning
No more war pigs of the power
Hand of God has stuck the hour
Day of judgement, God is calling
On their knees, the war pigs crawling
Begging mercy for their sins
Satan, laughing, spreads his wings
Oh, Lord, yeah!

Agora na escuridão, a Terra para de girar
Cinzas onde seus corpos queimam
Não mais porcos de guerra no poder
A mão de Deus parou as horas
O dia do julgamento, Deus está chamando
Sobre seus joelhos, os porcos de guerra rastejam
Implorando perdão por seus pecados
Satã, rindo, abre suas asas
Oh, Deus, sim!



Rubem L. de F. Auto

quinta-feira, 27 de julho de 2017

THE CLASH, DE SACO CHEIO DOS EUA


I'm So Bored With The USA
The Clash
 
Yankee soldier
He wanna shoot some skag
He met it in Cambodia
But now he can't afford a bag
Yankee a dollar talk
To the dictators of the world
In fact it's giving orders
An' they can't afford to miss a word

Soldado yankee
Ele quer matar algum maltrapilho
Ele o encontrou no Cambodia
Mas agora ele não pode levar para casa
Yankee, o dólar fala
Para os ditadores do mundo
De fato, dá-lhes ordens
E eles não podem arriscar perder uma palavra

I'm so bored with the U, S, A
I'm so bored with the U, S, A.
But what can I do?

Estou de saco cheio dos EUA
Estou de saco cheio dos EUA
Mas o que posso fazer?

Yankee detectives
Are always on the TV
'Cos killers in America
Work seven days a week
Never mind the stars and stripes
Let's print the Watergate Tapes
I'll salute the new wave
And I hope nobody escapes

Detetives yankees
Estão sempre na TV
Porque os criminosos na América
Trabalham sete dias por semana
Não se preocupe com a bandeira dos EUA
Vamos imprimir as fitas do Watergate
Saudarei a nova onda
E espero que ninguém fuja

I'm so bored with the U, S, A
I'm so bored with the U, S, A
But what can I do?
I'm so bored with the U, S, A
I'm so bored with the U, S, A
But what can I do?
I'm so bored with the U, S, A
I'm so bored with the U, S, A
I'm so bored with the U, S, A
But what can I do?

Move up, Starsky
For the C.I.A.
Suck on, Kojak
For the USA

Levante-se, Starsky
Pela CIA
Foda-se, Kojak
Pelos EUA



Rubem L. de F. Auto