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sexta-feira, 18 de maio de 2018

ROTAS COMERCIAIS AFRICANAS: IMPÉRIO SONGAI


Os songais iniciaram seu desenvolvimento independente após o século XIII, quando se libertaram do império do Mali. Já no século XIV assumiram o controle das cidades de Gao, cidade que se tornaria a capital do futuro império.

Sua construção se assentou na Curva do Níger, utilizavam esse rio como via de transporte em direção ao interior e suas incursões visavam unicamente à pilhagem. No século XV, os songais entraram em conflito contra o Mali, contra os tuaregs e muitos outros.

A expansão militar songai se deu durante o reinado de Sonni Ali, de 1464 a 1493. Abandonaram-se as táticas de pilhagem e adotaram a conquista territorial. Conforme dominava novos centros comerciais importantes, enquanto sua estrutura política se centralizava baseada em princípios islâmicos e consuetudinários. Comissários reais eram enviados periodicamente às províncias para realizarem o recolhimento de impostos.

Quatro grandes cidades comerciais se destacaram com o tempo: Tombuctu, Walata, Djenne e Gao. Estas mantinham laços comerciais estreitos com mercados do Saara e com a Europa mediterrânea. OS comerciantes se estabeleciam ao longo das rotas comerciais, mantendo sucursais em aldeias, mantinham frotas comerciais no rio Níger, possuíam camelos, bois e jumentos para o transporte de mercadorias e mantinham referências de valor, que serviam como moedas – as ais comuns eram baseadas no ouro, no sal e no cobre.

Mais bem organizado e coeso, o império Songai se tornou tão extenso que englobava o litoral atlântico, o sul do Saara, o Sahel, as savanas e se desdobrava em direção ao leste. Suas rotas comerciais alcançavam territórios fora do continente africano.

Foi então que o poderio songai, em franco progresso, entrou em conflito com o Marrocos, outro poder regional e que pretendia controlar as fontes de sal do Saara central, que os songais controlavam.

No século XVI, o reino do Marrocos conquistou o controle das fontes de ouro. Foi quando reivindicaram ter o direito sobre as fontes de sal. Na guerra que se seguiu, apenas os marroquinos tiveram acesso às armas de fogo.

O Estado Songai foi destruído em 1591.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “Desvendando a história da África”

ROTAS DE COMÉRCIO: MALI CINTILANTE


O Império do Mali teve sua ascensão no século XIII. Invasões provenientes do norte do continente africano deslocaram o eixo do comércio transaariano para o sul. As fontes de ouro também se deslocaram para o sul, em função da perda de controle das fontes mais antigas, conquistadas por outros povos.

Os governantes do Mali eram originalmente caçadores. Passaram a controlar as minas de Buré e impor tributos sobre os que desejavam explorá-las. Foi o exercício desse controle que deu origem às diferentes formas políticas de grupos existentes nas savanas.

O Império do Mali se conformou a partir de associações cuja extensão atingia fontes de ouro, portos caravaneiros e as rotas que os uniam. Estavam aí incluídas as cidades de Gao, Walata, Tombuctu e Djenne, as jazidas de sal de Tagaza, as minas de cobre de Tadmekka. A riqueza circulava principalmente ao longo do rio Níger. Relatos de diversos viajantes davam conta da segurança e da existência de infraestrutura elogiável ao longo das rotas do Mali.

A cidade de Djenne era produtor agropecuário importante, ligando a região de savana com a floresta, de onde se extraía a valiosíssima noz-de-cola. Também foi nessa floresta que os primeiros comerciantes passaram a trocar sal por ouro. Isso expandiu o império para o sul e ajudou a interiorizar ainda mais a influência islâmica.

Na verdade, a influência islâmica na região data do século XI. Comerciantes muçulmanos eram presença constante na corte do imperador Sundjata Keita. Num império extremamente heterogêneo, o islã foi a amálgama que uniu a todos e propiciou o surgimento de uma atividade comercial intensa. No seu momento máximo, a rede comercial atingia o litoral, a floresta, e existiam diversas companhias comerciais que contavam com escolta e serviço de correio próprios.

A expansão islâmica em Mali tomou impulso após a viagem do Mansa Mussa a Meca, em 1325. A quantidade de ouro transportada por sua comitiva era de tal monta que desvalorizou o preço local do ouro quando chegou ao Egito.

Quando de seu retorno, levou consigo credores, artistas, que deram origem à elite letrada do império. Em seu auge, o império do Mali atraiu olhares ambiciosos de nações européias. Algum tempo depois, o eixo comercial deixou o deserto e passou a ocupar a costa atlântica africana, já no século XV.

A derrocada do império se deveu a diversos fatores: disputas internas pelo controle da política local, novos inimigos em ascensão, especialmente na região do Sudão, e o não menos importante descolamento do eixo das redes comerciais em direção ao litoral atlântico.

Esse descolamento abriu caminho para outra nação africana em ascensão: o Gâmbia. Devido ao aumento dos riscos da rotas que cortavam o Mali, houve o deslocamento das mesmas em direção ao Gâmbia. Esta região era, de fato, parte do império do Mali, então sem a menor importância. Contudo passaram a comerciar com os portugueses, ainda na segunda metade do século XV. O Gâmbia tornava-se assim um grande centro de trocas, suplantando a região de comércio com os muçulmanos.

Os portugueses se esmeraram em conquistar a confiança dos chefes locais, enviando diversas missões diplomáticas com o fim de estabelecer laços comerciais. Já no século XVI o declínio do poder local era indisfarçável e diversos povos foram obrigados, mais uma vez, a se deslocarem para o sul.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “Desvendando a história da África”

COMÉRCIO INTERAFRICANO: A SUPERFEIRA DO SAHEL E O OURO DE GANA


O local onde se desenvolveram as principais civilizações africanas atende pelo nome de Sahel: é onde se encontram o deserto do Saara e as savanas africanas, isto é, local de encontro dos pastores nômades do deserto com os agricultores sedentários. Inevitável que ali surgisse uma relação de troca comercial complementar.

Pelo Sahel passavam as principais rotas comerciais do deserto, com suas caravanas e cidades intermediárias, que conformavam uma rede comercial imensa. Essa imensa atividade econômica desenvolveu toda uma gama de serviços correlatos: tributos de passagem, hospedagem, serviços de guias, serviços de guarda e proteção etc.

Por exemplo, iam para o Sudão africano o sal, o cobre, artefatos em vidro, pedras raras, perfumes, panos de algodão, tâmaras e espadas. Na direção contrária iam goma, âmbar, pimenta malagueta, marfim, peles e homens escravizados.

O deslocamento se dava por camelo ou no lombo de jumentos. As mercadorias mais valorizadas eram sal, ouro e escravos.

O alicerce sobre o qual se ergueram as grandes civilizações locais foi a tomada de controle sobre as regiões produtoras dessas riquezas. O acesso às salinas, às minas de ouro, o controle sobre cruzamentos de vias comerciais relevantes, verteram para si montantes de recursos que financiaram a criação de centros de poder e formas de Estados.

Exemplo mais dramático era o tráfico de cativos na região subsaariana. Aristocracias guerreiras dominavam e escravizavam outros grupos, que eram posteriormente trocados por mercadorias, em geral ligadas à guerra, como cavalos.

Provavelmente a história do reino de Gana, cujo início teria se dado no século VIII, deu-se nesses termos. Localizado entre o Saara e as cabeceiras dos rios Níger e Senegal, era estratégico para a dominação das rotas de comércio entre o deserto e a savana.

Logo conhecida como “terra do ouro”, controlava o fluxo de ouro que provinha do sul, por um lado, e o fluxo de sal, em sentido inverso. A riqueza que se acumulava necessitava de proteção, o que foi alcançado com a emergência de um poderio militar, além da coordenação administrativa necessária para governar tal território, a cada dia mais complexo.

Crê-se que a primeira dinastia governante do Gana tenha sido de cameleiros do deserto, que se instalaram nos portos do Sahel com vistas ao comércio do ouro. Essa também foi a porta de entrada no Islã na região, como se lê nos textos de viajantes árabes da época.

Interessante notar que o controle administrativo recaía muito mais sobre as pessoas do que sobre o território, isto é, a influência do governante era exercida sobre diversos grupos de súditos, não importando tanto o território que ocupavam. Assim é que cidades distantes, porém importantes centros de comércio, contavam com certa autonomia, mas eram suseranas; por outro lado, a capital Kumbi Saleh era dividida em duas, uma cidade era o centro administrativo do reino de Gana, enquanto a outra metade era um centro de reunião de comerciantes muçulmanos, portanto quase soberana em seus desígnios.

O comércio foi fulcral tanto para o nascimento quanto para a derrocada do reino de Gana. A perda do controle sobre as rotas comerciais cujo monopólio do ouro e da cunhagem de moeda caía agora em mãos de povos islamizados. Já no século XII o resultados desse enfraquecimento era bastante aparente.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “Desvendando a história da África”

quinta-feira, 17 de maio de 2018

CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: MALI, REINO DO SABER E DA CULTURA


O grande reino africano a suceder em relevância o reino de Gana foi o Mali, que o superou em magnificência e esplendor.

O fundador do Mali foi Sundjata Keita, que viveu de 1230 a 1255. Após uma série de vitórias de tirar o fôlego, dividiu seu império em províncias, entregou o poder local a governantes de sua confiança e reduziu os povos derrotados à servidão. Nascia aí o Império do Mali. Sundjata foi de tal forma marcante que ainda hoje é lembrado em oferendas.

O sucessor no trono foi Mansa Uli, filho de Sundjata. Desde então o nome Mansa passou a designar o título do governante maior.

Como muitos governantes o fizeram, Mansa se converteu ao islamismo, certamente por motivações comerciais. Como ocorria comumente também, a populações em geral continuava a praticar suas crenças animistas normalmente.

Mansa Uli, convertido, lançou-se à sua viagem a Meca, tanto por motivos religiosos quanto por interesses comerciais, ao firmar uma rede de relacionamentos relevante, tanto dentro quanto fora do Mali.

De fato, deu resultado:  após a viagem, Djenne e Tombuctu emergiram como duas das cidades comerciais muito importantes. Tombuctu, em fins do século XVI, possuía cerca de 25 mil habitantes, 26 alfaiatarias, que contavam com mais de 200 aprendizes, 150 escolas alcoranistas. Além disso, a cidade contava com muitos juízes, médicos, estudiosos, todos pagos diretamente pelo rei. Em Tombuctu, um dos bens mais concorridos eram o livros manuscritos, muitos deles importados da Barbaria. O comércio mais lucrativo era o de livros.

Tombuctu virou centro do comércio internacional de sal, escravos, marfim etc. Além desses, comercializavam-se livros de História, Medicina, Astronomia e Matemática. O número de estudantes ali residentes tornavam-nos uma classe relevante.

Por tudo isso, era comum o brocardo: “O sal vem do norte, o ouro vem do sul, mas as palavras de Deus e os tesouros da sabedoria vêm de Tombuctu.”

Mansa Kanku Mussa, quem viveu de 1307 a 1332, deu prosseguimento à pujança dourada do Mali. Quando de sua peregrinação a Meca, Mussa levou consigo cerca de 8 mil cortesãos, guerreiros, servos e algo entre 10 e 12 toneladas de ouro.

Em Meca, adquiriu casas e terrenos, distribuiu esmolas e presentes. Quando de seu retorno, levou consigo letrados, comerciantes e religiosos. Mussa era fluente em árabe.

Se, por um lado, a jornada esplendorosa de Mussa ficou marcada na memória coletiva, sendo festejada em versos e prosas pelas décadas que se seguiram, por outro trouxe um mal agouro: aquela demonstração de riqueza atraiu a cobiça de povos europeus.

Já por volta do século XV, a decadência do Mali era visível. Após seguidos ataques de tuaregs, povos nômades do deserto do Saara, o Mali foi dividido e reinos minúsculos, dando adeus a seus anos gloriosos.      

Rubem L. de F. Auto


Fonte: livro “Desvendando a história da África” 

CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: GANA, O IMPÉRIO DO OURO


Gana foi o primeiro grande Estado africano surgido ao norte do Equador; localizava-se no Sudão Ocidental, entre os estados do Mali e da Mauritânia atuais. O ouro era sua principal fonte de riqueza.

O comércio em torno do ouro envolvia especialmente os árabes, que o trocavam por tecidos, sal, cobre, dentre outros bens.

Com a expansão do islamismo, as classes dirigentes adotaram massivamente a nova religião, conversão esta motivada principalmente por interesses comerciais.

Com o tempo, qualquer nação expansionista localizada na região do Mediterrâneo tinha Gana como seu fornecedor de ouro, tornando estratégicas suas parcerias. Gana tinha diversos reinos sob seu domínio, figurando-se assim como Estado tributário, isto é, que cobrava tributos sobre a passagem de mercadorias por seu território; além das atividades relacionadas à extração do ouro.

Gana é uma palavra local que significa “senhor da guerra”, é em sua origem portanto um título concedido ao chefe do reino.

A capital do reino se chamava Kumbi Saleh, protegida por um grande exército, que se encarregava também de proteger as rotas comerciais, cujo controle vertia vultosas somas aos cofres do reino.

A posse da terra era coletiva, o que permitia seu uso individual ou coletivo. Praticavam a caça, a pesca e a coleta de frutos. Entre as atividades profissionais mais comuns estavam as de ferreiro, pastor, mercador e outras funções semi-especializadas.

Havia uma relevante desigualdade social entre os habitantes das cidades e os do campo. A influência islâmica foi perceptível nas cidades, com suas casas de pedras, cercada por muralhas; ao contrário da zona rural, cujas casas feitas de barro.

Os comerciantes árabes e arabizados, endinheirados, vivam numa cidade próxima, onde contavam com bazares, plantações irrigadas e dezenas de mesquitas.

O primeiro reino do Gana sucumbiu após a ascensão do reino de Mali. No auge, contava com mais de 1 milhão de habitantes.

Sua capital foi tomada em 1076. Dez anos depois retomou sua independência, mas sem a pujança de outrora, muito em razão de nãos mais conseguir controlar as minas de ouro.


Rubem L. de F. Auto


Fonte: livro “Desvendando a história da África” 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

COM QUANTOS AFRODESCENDENTES SE FAZ UM PAÍS? VISCONDE DE INHOMIRIM


Um ilustre brasileiro afrodescendente ocupou o cargo de Ministro da Fazenda, não apenas uma, mas duas vezes: no ano de 1858 e entre 1870 e 1871. Chamava-se Francisco Salles Torres Homem.

Foi filho de um padre com uma mulher negra alforriada chamada Maria Patrícia, nasceu no Rio de Janeiro em 29 de janeiro de 1812. Sua mãe também atendia pelo apelido de “Você me Mata” e trabalhava como quitandeira no bairro do Rosário.

Francisco foi condecorado com o título de Visconde de Inhomirim em 1871, no auge das lutas abolicionistas, quando exercia grande influência nas discussões. Formou-se em medicina, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e também estudou direito em Paris. Foi deputado, senador e Conselheiro de Estado.     

Francisco também foi presidente do Banco do Brasil.

Sua defesa intransigente da abolição da escravidão tinha como argumento basilar o fato de aquela instituição ser desumana, não jurídica e anticristã. Defendeu a Lei do Ventre Livre argumentando que ver seres humanos como propriedade é algo que vai contra as leis da razão.  

Faleceu em Paris, em 3 de junho de 1876.   


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “Ilustres Afrodescendentes na História do Brasil”

COM QUANTOS AFRODESCENDENTES SE FAZ UM PAÍS? CAETANO LOPES DE MOURA


“Sou pardo como foram meu pai e minha mãe”, assim se descreveu em sua biografia o médico brasileiro a ostentar o cargo de médico de Napoleão Bonaparte.

Caetano Lopes de Moura nasceu em Salvador em 1780. Aos 20 anos, matriculou-se na faculdade de medicina da Universidade de Coimbra.

Trabalhou como cirurgião do Corpo de Saúde do Exército Português. Após, conseguiu realizar seu sonho de clinicar na França. Neste país, além de prestar serviços ao Imperador, tornou-se médico disputado pela alta nobreza e pelos altos escalões militares.

Além de clinicar com sucesso, foi também em Paris que Caetano escreveu importantes obras literárias. Por exemplo, foi o médico brasileiro quem publicou a tradução de O Talismã, famoso romance de Walter Scott.
Aos 75 anos, foi nomeado por D. Pedro II Médico Honorário da Imperial Câmara.

Nas palavras do historiador Sílvio Romero: “Caetano Moura foi um dos mais notáveis homens que o Brasil tem possuído. Não foi orador nem político: foi um estudioso que sabia escrever.”


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “Ilustres Afrodescendentes na História do Brasil”

COM QUANTOS AFRODESCENDENTES SE FAZ UM PAÍS? VISCONDE DE JEQUITINHONHA


Ele foi Ministro da Justiça em 1837 e foi primeiro presidente do Instituto dos Advogados do Brasil, antecessor da OAB.

Nascido Francisco Gomes Brandão, em 23 de março de 1794, em Salvador, filho de um comandante português com uma negra, o advogado e futuro Visconde foi um dos fundadores do IAB, em 1843. Desde suas origens, o IAB previa a criação da Ordem dos Advogados do Brasil, fato que ocorreria em 1930.
Entre as causa que defendeu com mais ardor, estavam a Independência do Brasil e a abolição da escravatura. Francisco defendia o seu país e os símbolos nacionais com tal intensidade que decidiu alterar seu nome após a independência do Brasil. Atenderia agora por Francisco Gê Acayaba de Montezuma, fazendo surgirem em seu nome elementos próprios das línguas indígenas tupi-guarani e não-tupi.

Foi também Ministro plenipotenciário brasileiro na Inglaterra.

Faleceu em 15 de fevereiro de 1870, no Rio de Janeiro.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “Ilustrres Afrodescendentes na História do Brasil”


COM QUANTOS AFRODESCENDENTES SE FAZ UM PAÍS? HERMENEGILDO DE BARROS


Em sua obra “Notas sobre o Supremo Tribunal (Império e República)”, o Ministro do STF Celso de Mello desnuda a carreira de um ilustre Ministro afrodescendente, cuja carreira faz interseção com alguns dos momentos mais importantes do Brasil.

Nascido na cidade mineira de Januária, em 31 de agosto de 1866, Hermenegildo de Barros viveu até 24 de maio de 1955.

Foi eleito duas vezes Vice-Presidente do STF: em abril de 1931 e em abril de 1934. Nesse cargo, por dispositivo legal, coube-lhe a missão de ser o primeiro presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (antecessor do TSE).

Foi como tal que Hermenegildo presidiu os trabalhos preparatórios para instalação da Assembléia Constituinte de 1933/1934, responsável por promulgar a Constituição de 1934.      

Curiosidade: sua dedicação profissional está estampada no fato de que nunca esteve ausente em nenhuma sessão do STF... nem no dia do casamento de sua filha.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “Ilustrres Afrodescendentes na História do Brasil”


COM QUANTOS AFRODESCENDENTES SE FAZ UM PAÍS? PEDRO LESSA


O primeiro Ministro do STF a exibir traços afrodescendentes atendia por Pedro Lessa. Tomou posse em 20 de novembro de 1907. Também foi membro do Instituto e Geográfico Brasileiro e da Academia Brasileira de Letras.

Sua trajetória, evidentemente, exigiu que suportasse provocações por causa da cor de sua pele, como o deboche do ex-presidente Epitácio Pessoa, quando disse que Pedro “falava grosso para disfarçar a ignorância com o mesmo desastrado ardil com que raspava a cabeça para disfarçar a carapinha”.

Pedro respondia a tudo isso com sua elogiada dedicação e zelo profissionais. Foi incumbido de elaborar estudos para ampliação do escopo jurídico do instituto do habeas corpus, incluindo casos não previstos na Constituição de 1891, o que resultou na criação do mandado de segurança.


Rubem L. de F. Auto


Fonte: livro “Ilustrres Afrodescendentes na História do Brasil”