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sexta-feira, 6 de abril de 2018

GEGÊ DO RÁDIO

Cavalos amarrados no obelisco da Avenida Central, no centro do Rio, gaúchos com lenços vermelhos amarrados no pescoço, esse era o cenário que denunciava a vitória da Aliança Liberal contra os paulistas. Era 3 de novembro de 1930 e Getúlio Vargas era o presidente do Brasil, a despeito de sua derrota no pleito contra o candidato de Washington Luís.

Essa vitória de Gegê, como seria apelidado, foi comemorada na marcha “Gê-é-Gê”, de Lamartine Babo, em que brincava com a filha de Vargas, até então senador:

“Certa menina do Encantado,
Cujo pai foi senador,
Ao ver o povo de encarnado,
Sem se pintar, mudou de cor,
Gê-é-Gê
Tê-u-tu
Ele-i-ó-lio: Getúlio.”

Em 1932 ocorreria o primeiro desfile de escolas de samba na Praça Onze, no Rio. Desfilaram lá Mangueira, Vai como Pode (mais tarde, Portela) e Unidos da Tijuca.

Os primeiros sambas-enredo eram exaltações ufanistas ou homenagens ao Gegê: “Sessenta e um Anos de República”, de Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola; “Legado de Getúlio Vargas”, de Silas de Oliveira e Walter Rosa; “Anos trinta, vento sul: Vargas”, de Bala, Jorge Melodia e Jorge Moreira; “O grande presidente”, de Pandeirinho. Este último foi cantado pela Estação Primeira de Mangueira em 1956:

“No ano de 1883,
No dia 19 de abril,
Nascia Getúlio Dornelles Vargas,
Que mais tarde seria o governo do nosso Brasil.”

A década de 1930 viu o nascimento do primeiro produto de massa da era do rádio: Orlando Silva, o Cantor das Multidões. É até mesmo difícil imaginar a popularidade que ele alcançou. Por exemplo, era comum que prefeitos decretassem feriado municipal quando ele se apresentava. Vargas não era diferente da maioria das pessoas nesse aspecto, era fã do cantor e, inclusive, registra-se um pequeno diálogo entre eles: Getúlio esbarrou com Orlando no final de uma apresentação e disse-lhe que desejava ser tão popular quanto ele. Orlando retorquiu, dizendo que ninguém no Brasil tem a popularidade do chefe da nação. Getúlio então respondeu abrindo seu coração: Mas eu tenho inimigos, Orlando. E quem é inimigo da sua bela voz?

Quando aflito, Vargas pedia a Orlando que cantasse sua música predileta, “A jardineira”, de Benedito Lacerda e Humberto Porto:

“Ó jardineira, por que estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia que caiu do galho,
Deu dois suspiros e depois morreu.”

Após a assunção do cargo, Getúlio seguiu aquele famoso script autocrático: suspendeu a Constituição e fechou o Congresso. Após, destituiu vários governadores por interventores da sua base de apoio – em geral, membros do Movimento Tenentista. Esse episódio foi usado na macha “O teu cabelo não nega”, de Lamartine Babo, João e Raul Valença:

“Tens um sabor bem do Brasil,
Tens a alma cor de anil.
Mulata, mulatinha, meu amor,
Fui nomeado seu tenente interventor.
O teu cabelo não nega, mulata.”

Simultaneamente, em São Paulo, iniciava-se a Revolução Constitucionalista. Fizeram então uma paródia da canção que fazia sucesso no Rio. Chamava-se “O teu governo não nega, Getúlio”:

“O teu governo não nega, Getúlio,
Que foi uma tapeação.
A ditadura não pega, Getúlio,
Faz dela bucha de canhão.”

Ainda em início de governo, Getúlio se preocupava com sua imagem, a ponto de nomear diversos censores, que atuavam como espiões, procurando sinais de cumplicidade com os revoltosos. O cantor Moreira da Silva, o famoso Kid Morengueira, recebeu um puxão de orelhas de Noel Rosa, que trabalhava como contra-regra, porque gesticulava demais enquanto cantava. Noel disse, em tom de gozação: “Olhe lá! Não vá continuar a fazer muitos gestos exagerados no microfone enquanto estiver cantando, senão o ‘meganha’ (censor) prende você sob o pretexto de estar mandando sinais enigmáticos para os paulistas.”

A resistência dos paulistas durou três meses. O conflito foi lembrado no carnaval seguinte, por Braguinha, no seu “Trem blindado”:

“Mulata, quando eu te vi,
Logo pedi anistia,
Pois os teus olhos lançavam
Terrível fuzilaria.”

Em julho de 1934 foi promulgada nova Constituição, Getúlio foi empossado como presidente eleito indiretamente... E Lamartine Babo lançava nova marchinha, “História do Brasil”:

“Quem foi que inventou o Brasil?
Foi seu Cabral!
Foi seu Cabral!
No dia 21 de abril,
Dois meses depois do carnaval.”

Os anos seguintes viram o surgimento de entreveros eleitorais graves. De fato, a eleição de 1938 prevista na Constituição nem mesmo ocorreu. Nássara e Cristóvão Alencar compuseram “A menina Presidência”, ironizando os dois candidatos que mais se destacavam para o pleito: Armando Sales, o “Seu Manduca” e Osvaldo Aranha, o “Seu Vavá”:

“A menina Presidência
Vai rifar seu coração,
E já tem pretendentes,
Todos três, chapéu na mão.
E quem será?

O homem, quem será?
Será Seu Manduca?
Ou será Seu Vavá?”

Mas, em setembro de 1937, foi irradiado para todo o Brasil o malfadado Plano Cohen, conspiração governista que “denunciava” um pretenso ataque comunista contra o Brasil. O autor intelectual do tal Plano foi o capitão Olímpio Mourão Filho, atuante também no golpe de 1964.

Mas deu tudo certo para os conspiradores. Em novembro de 1937 o Congresso foi fechado novamente e se promulgou nova Constituição. Além disso, nada que lembrasse comunismo, cor vermelha era aceito... Nem o vermelho do diabo era mais aceito. Tanto que a marchinha “O diabo sem rabo”, de Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira, foi censurada:

“A minha fantasia de diabo
Só falta o rabo, só falta o rabo.
Eu vou botar um anúncio no jornal:
“Precisa-se de um rabo
Pra brincar no carnaval.”

Os ares de eleições democráticas naquele período, só o concurso organizado pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), para escolha da melhor música. Bom, mas o DIP era justamente o órgão de censura, e a composição “Bonde de São Januário”, de Ataulfo Alves e Wilson Batista sofreu pequeno “ajuste” na sua letra:

“Quem trabalha é que tem razão,
Eu digo e não tenho medo de errar.
O bonde de São Januário,
Leva mais um otário,
Sou eu que vou trabalhar.
Antigamente eu não tinha juízo,
Mas hoje eu penso melhor no futuro.
Graças a Deus sou feliz, vivo muito bem.
A boemia não dá camisa a ninguém.”

Na versão oficial, a palavra “otário” foi substituída providencialmente por “operário”.
A mesma dupla seria a autora de “Ó, seu Oscar”, pouco antes, mas sem sofrer podas do DIP:

“Cheguei cansado do trabalho,
Logo a vizinha me falou:
- Ó, seu Oscar,
Tá fazendo meia hora
Que sua mulher foi embora
E um bilhete deixou.
O bilhete assim dizia:
“Não posso mais,
Eu quero é viver na orgia.”

Esse foi o período em que se desenrolou o polêmico embate musical entre Noel Rosa e Wilson Batista. O primeiro golpe foi desferido por Batista com “Lenço no pescoço”:

“Meu chapéu de lado,
Tamanco arrastando,
Lenço no pescoço,
Navalha no bolso...”

Noel aparentemente não gostou da associação entre sambistas e malandros, e respondeu com “Rapaz folgado”:

“Deixa de arrastar o teu tamanco,
Pois tamanco nunca foi sandália.
E tira do pescoço o lenço branco,
Compra sapato e gravata,
Joga fora essa navalha que te atrapalha.”

Batista não deixou Rosa sem resposta, com “Mocinho da Vila”. Noel então compôs uma bela obra-prima, “Feitiço da Vila”, composta com Vadico:

“Lá em Vila Isabel
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba,
São Paulo dá café,
Minas dá leite
E a Vila Isabel dá samba.”

Wilson responderia a esse golpe com “Conversa fiada”. Noel então compôs outro clássico, “Palpite infeliz”:

“Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do céu, que palpite infeliz!
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz,
Que sempre souberam muito bem
Que a Vila não quer abafar ninguém,
Só quer mostrar que faz samba também.”

Wilson ainda comporia “Frankenstein da Vila” e “Terra de cego” mas, de tão fracos, não mereceram resposta do poeta da Vila.    
Mais tarde os dois elaborariam em parceira “Deixa de ser convencida”:

“Deixa de ser convencida,
Todos sabem qual é
Teu velho modo de vida.”

Notando todo o poder que aquele meio de comunicação vinha mostrando, Getúlio ordenou ao DNP (Departamento Nacional de Propaganda) que criasse o programa de transmissão obrigatória “A Hora do Brasil”, atual “A Voz do Brasil”.

Em 1940, Getúlio incorporou a Rádio Nacional ao patrimônio público. Já era uma das principais emissoras de rádio do mundo. Entre seus empregados, estavam alguns dos maiores artistas brasileiros. Um dos principais nomes era Ari Barroso, autor de sambas-exaltação que se tornariam quase verdadeiros hinos nacionais, como “Aquarela do Brasil”, apresentada pela primeira vez em evento beneficente promovido por dona Darcy Vargas, primeira-dama, em 1939, no Teatro Municipal do Rio. Seus versos inesquecíveis:

“Brasil,
Meu Brasil brasileiro,
Meu mulato inzoneiro,
Vou cantar-te nos meus versos.”

Getúlio possuía uma base política de amplo espectro: havia partidários do Eixo e dos Aliados, que volta e meia se enfrentavam abertamente. Uma das vítimas desses embates foi a cantora Carmem Miranda. Ao retornar dos EUA, em 1940, foi vaiada por membros do Estado Novo simpatizantes do Eixo, no Cassino da Urca. A composição “Disseram que voltei americanizada” brincava com esses fatos:

“Disseram que voltei americanizada,
Com o burro do dinheiro, que estou rica,
Que não suporto mais o breque do pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca.”

No período da II Guerra Mundial, Carmem foi uma das principais artistas utilizadas por Hollywood em sua propaganda contra os fascistas do Eixo e a serviço das potências Aliadas. Seu figurino de falsa baiana foi lançado no filme Banana da Terra, quando cantou “o que é que a baiana tem?”:

“O que é que a baiana tem?
Tem torço de sede? Tem!
Tem brincos de ouro? Tem!
Corrente de ouro? Tem!”

O símbolo da brasilidade se tornou o samba. Durante a I Guerra Mundial, uma sentinela míope, na guarita, ouviu alguém se aproximando da base brasileira em Monte Castelo, na Itália. O homem, temendo ser alvejado, pedia calma ao vigilante e gritava ser brasileiro. Para espantar as dúvidas, a sentina pediu ao homem: “Então faça o seguinte: cante aí algum samba.” Então o homem cantou uma das músicas mais tocadas na década de 1940, “Atire a primeira pedra”, de Mário Lago e Ataulfo Alves:

“Covarde, sei que me podem chamar,
Porque não calo no peito essa dor.
Atire a primeira pedra, ai, ai,
Aquele que não sofreu por amor.”

A resposta emocionada da sentinela mostrava que o homem havia sido bem sucedido no seu intento: “Pode entrar, você é um dos nossos.”

Além do conflito armado contra o fascismo, a música brasileira também ensaiou ataques aos adversários. Afonso Teixeira e Ubirajara Nesdan compuseram “Quem é o tal?”, que atacava Plínio Salgado, líder dos Integralistas e bastante identificado como o Hitler dos trópicos:

“Quem é que usa cabelinho na teste
E um bigodinho que parece mosca,
Só cumprimenta levantando o braço?
É, ê, ê, ê palhaço.”

Os soldados alemães foram ironizados em “Adolfito mata-mouros”, de Alberto Ribeiro e Braguinha.
A vitória dos Aliados foi comemorada no morro da Mangueira com “Comício em Mangueira”, composto por Wilson Batista e Germano Augusto:

“Houve um comício em Mangueira,
O cabo Laurindo falou.
Toda a escola de samba aplaudiu, é.
Toda a escola de samba chorou.”

Após a vitória na Europa contra as ditaduras fascistas, ficava claro que a era Vargas deveria terminar. Manifestações pedindo a volta da democracia se multiplicavam; mas surgia também um movimento conhecido como “queremismo”, que desejava manter o “velho” no Catete.

Uma piada sobre esses fatos dizia que Getúlio havia declarado: “Meu candidato é o Eurico; mas, se houver oportunidade, eu mudo uma letra: eu fico.” Em outubro de 1945, um comício dos queremistas foi proibido no Rio de Janeiro. O presidente, bastante insatisfeito, afastou o chefe de polícia João Alberto do cargo e nomeou em seu lugar seu filho, Benjamin Vargas. Apelido: Beijo. O povo não perdoou:

“Foi seu beijo,
Foi seu beijo,
Foi seu beijo
Que atrapalhou
Um amor de quinze anos.
Beijo dado sem malícia.
(...)
Mas um beijo, pra polícia,
É motivo de cadeia.”

Mas a decisão de pôr um ponto final no período Vargas já estava tomada. Os generais Góes Monteiro e Eurico Gaspar Dutra depuseram Getúlio em outubro de 1945.
Em dezembro, Eurico ganhou o direito ao mandato presidencial.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “A República cantada: do choro ao funk...”


quinta-feira, 5 de abril de 2018

REPÚBLICA VELHA, MÚSICAS NOVAS


A primeira eleição direta para Presidente no Brasil aconteceu em março de 1894. Foi vencida pelo paulista Prudente de Morais, com 88,5% dos votos. Mas sua chegada à capital federal foi das mais desanimadoras: ninguém o aguardava. O próprio marechal Floriano, detentor do poder até então, preferiu ficar em casa cuidando das rosas de seu jardim.

O teatrólogo Artur Azevedo, florianista até os ossos, criou uma quadrilha na qual cobrava postura à altura do novo chefe da nação:

“Vai-se o marechal ingente,
Vai-se o grande alagoano.
E eu, leitor,
Digo somente:
Floriano foi prudente.
Seja o Prudente um Floriano.”

Prudente não viveria dias pacatos no cargo. Seu vice, golpista desinibido, Manuel Vitorino, não era confiável. Além disso, estourou a Revolta de Canudos, na Bahia, exigindo atitudes enérgicas de Morais. Então ele fez a única coisa em que conseguiu pensar: tirou licença médica e foi cuidar da saúde.

Manuel Vitorino assumiu a Presidência com ares de quem não mais devolveria a faixa a Prudente. Trocou um monte de Ministros, nomeou um novo comandante para enfrentar Canudos e mudou a sede do governo. Até então ocupando o Palácio do Itamaraty, em fevereiro de 1897 houve a transferência da sede do governo nacional para o Palácio do Catete. Esse evento foi marcado por uma festa de arromba, comparável à que fechou o período monárquico, o “último baile do Império”.

Uma semana após o “primeiro baile da República”, Prudente de Morais deixa a convalescência e reassume o governo, em plena Quarta-Feira de Cinzas. E suas medidas mais incisivas foram contra a Revolta, que já se mostrava mais resistente do que se poderia imaginar inicialmente.

O fim do Arraial de Canudos (rebatizado para Belo Monte ainda antes dos enfrentamentos com as tropas do governo) foi lembrado em livros e músicas. A canção mais famosa foi composta por Edu Lobo e Cacaso.

Em 1898, assumiu a Presidência Campos Sales. Este, notabilizou-se pela criação da infame Política dos Governadores, o início do famoso “toma lá, dá cá” entre governantes locais (que controlavam os votos da população que governavam) e federais. Essa política foi ironizada por Cadete e Baiano na música “Cabala Eleitoral”:

“- Desejo, prezado amigo,
Com grande satisfação,
De ter o vosso votinho
Na próxima eleição.

- Não posso, meu coroné,
O voto de graça eu não dou.
É breve lição do meu pai,
Conselho do meu avô.

- Eu prometo, meu amigo,
De lhe dar colocação
Se vancê votar comigo
Ao menos nesta eleição.

- Já tenho calo na sola
Meu ladino coroné,
Hoje você me dá tudo
Amanhã me mete o pé.

- Eu vos quero muito bem,
Meu caro eleitor amigo.
Não seja tão emperrado,
Venha cá votar comigo.

- Vai armar pra quem quiser,
Coroné, sua arapuca.
Eu cá sou macaco velho,
Não meto a mão na cumbuca.”

Campos Sales foi logo apelidado de “Campos Selos”: criara a Lei do Selo, criando cobrança de tributos sobre a circulação de mercadorias. O compositor Eduardo das Neves protestou:

“A Lei do Selo, senhores,
É poderosa e viril,
Sacrifica o povo calmo,
São progressos do Brasil.
E viva a calma do povo
Que gemeu, pagou... pagou.
Que venha agora um carinho,
Para quem tal lei decretou.”

Nesse mesmo ano, a maestrina Chiquinha Gonzaga compunha a  primeira marchinha composta para o carnaval, “Ô Abre Alas”. A composição foi realizada para o cordão Rosa de Ouro, do bairro do Andaraí, no Rio de Janeiro. A marchinha seria um ritmo de imenso sucesso entre as décadas de 1920 e 1960.

A campanha que elegeu Rodrigues Alves para o mandato seguinte teve lançamento majestoso no imponente Cassino Fluminense. Eram anos da “belle époque”, quando a língua francesa se tornou a língua da elite, era ensinado nas escolas. Ainda na década de 1930, o samba “De babado”, de Noel Rosa e João Mina explorava as idiossincrasias do período:

“Brasileiro diz meu bem
E francês diz mon amour,
Você diz: “Vale quem tem
Muito dinheiro pra pagar meu point-ajour.
(Eu ando sem l`argent tourjours!)”

Um dos símbolos da administração Rodrigues Alves foi a reforma da cidade do Rio de Janeiro, cujo prefeito era o engenheiro Pereira Passos. Ainda com ares de cidade colonial, o Rio precisava ser modernizado. E essa modernização se deu por meio dos braços dos operários negros, mestiços e brancos pobres que para lá acorriam.

O efeito colateral do “bota-abaixo” modernizante foi a remoção dos mais pobre, empurrados que foram para favelas e periferias, distantes dos locais com que se identificavam até então. O compositor Paulo Portela foi uma das vítimas desses tempos, quando teve de deixar o bairro da Saúde, no centro da cidade, com destino ao bairro de Oswaldo Cruz, na zona norte. Escreveu então na sua canção “Cidade mulher”:

“Cidade, quem te fala é um sambista,
Anteprojeto de artista,
Teu grande admirador.
Me confesso boquiaberto
De manhã, quando desperto
Com tamanho esplendor.”

Em 1905 foi inaugurada a grande obra daqueles anos: a Avenida Central. As filhas do presidente de então, Afonso Pena, escolheram aquela obra viária como passarela para o desfile de corso daquele carnaval. Fantasiadas e jogando serpentina nas pedestres, seduziram outros motoristas a fazerem o mesmo. Mas aquela era a diversão dos da elite. O povão curtia outra festa, que ocorria na praça Onze, localizada na Cidade Nova, não muito distante dali.

Aquele era o local de residência das famosas “tias baianas”. Elas eram as manda-chuvas do lugar: davam suporte material e espiritual aos afrodescendentes que afluíam à cidade, vindos das mais diversas partes. Eram mães de santo, doceiras, costureiras... Por tudo isso e muito mais, também eram essas tias que costuravam as alianças com as elites cariocas.

Com esse cenário de fundo, a praça Onze se tornou o berço do samba e palco das escolas de samba do Rio no início do século XX. O compositor Zé Kéti eternizou aquele período em “Praça Onze, berço do samba”:

“Queriam ver a Portela,
Mangueira, Estácio de Sá,
E a favela, com suas baianas tradicionais,
Brilhavam mais do que a luz do antigo lampião a gás.”

Um dos símbolos mais propagandeados do samba, o pandeiro foi eternizado pelo músico João da Baiana, herdeiro de outra tia, a tia Prisciliana. Músico predileto do poderosíssimo senador Pinheiro Machado, conta-se que certa feita João foi convidado pelo senador para apresentar-se numa recepção em seu palácio. A caminho do encontro, João foi abordado por policiais, que o prenderam por portar um pandeiro, instrumento proibido.

No dia seguinte, informado do ocorrido, o senador mandou soltar o músico e o presenteou com um pandeiro novinho, onde escreveu: “A minha admiração, João da Baiana – senador Pinheiro Machado.” Foi o fim dos problemas do saudoso João da Baiana.

Em 1910, apenas uma semana após a posse do novo Presidente, Hermes da Fonseca, o Rio de Janeiro se viu sob a mira de quatro encouraçados, cujo comando havia sido tomado por marinheiro revoltosos, que se rebelaram contra os maus tratos que sofriam de seus oficiais; isto é, chibatadas como punição por mau comportamento, como nos anos da escravidão. Era a Revolta da Chibata.

Liderados por João Cândido, os marinheiro conseguiram fazer o governo prometer-lhes atender a seus pedidos. No fim, a promessa foi quebrada, os revoltosos foram expulsos da Marinha, presos e exilados. João Cândido foi um dos marinheiros punidos com mais virulência: após sobreviver milagrosamente à prisão, foi internado num hospício, embora sem qualquer problema mental. Foi solto em 1914 e viveu até a década de 1960, morando numa favela carioca. Os compositores Aldir Blanc e João Bosco compuseram “O mestre-sala dos mares”, uma bela homenagem ao injustiçado Navegante Negro:

“Há muito tempo, nas águas da Guanabara,
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu.”

Hermes da Fonseca, antes de ser Presidente, protagonizou triste episódio, ao proibir que bandas militares tocassem maxixe. Já no cargo máximo da República, mostrou-se mais afetuoso com nossos ritmos. Em 1911, quando ainda era casado com dona Orsina, convidou o rancho (espécie de proto-escola de samba) Ameno Resedá, o mais famoso do país então, a se apresentar no palácio Guanabara, residência do Presidente da República, para si e sua família. A música mais famosa do grupo era o enredo Corte de Belzebu.

Após esse episódio, agora casado com a caricaturista Nair de Teffé, foi a vez de Chiquinha Gonzaga, convidada para tocar ao violão o seu sucesso “Corta Jaca, no palácio do Catete”, a convite de Nair, para quem foi composta a canção.

Mas o marechal tinha opositores políticos empedernidos, dentre eles Rui Barbosa, que fez forte campanha  contra a canção, maneira de expressar seu descontentamento político – afinal, Rui era fã do pianista Ernesto Nazareth, também bastante popular e notável compositor de tangos, choros e maxixes, como Chiquinha.
Hermes era notório “pé-frio”. Um dos episódios mais contados se deu quando pegou dinheiro emprestado com um banco inglês para aplicar num banco russo. Logo após deu-se a Revolução Russa e todo seu capital aplicado foi confiscado pelos revolucionários – sim, o grande anticomunista ajudou a financiar a revolução comunista...

Com tudo isso em mente, o compositor J. Carvalho compôs “Ai, Philomena”, de 1915:

“Ai, Philomena,
Se eu fosse como tu,
Tirava a urucubaca
Da careca (cabeça) do Dudu.
(...)
Ai, Philomena,
(...)
Dudu tem uma casa,
E com chave de ouro.
Quem lhe deu foi o conde
Com os cobres do Tesouro.
(...)
Ai, Philomena,
(...)
Se o Dudu sai a cavalo,
O cavalo logo empaca,
Só começa a andar
Ao ouvir o “Corta Jaca”.”

Por conta da polêmica com a canção “Corta Jaca”, Hermes ticara conhecido como Dudu Corta Jaca.
Na eleição seguinte, saiu-se vencedor Venceslau Brás, vice do “Dudu Corta Jaca”. Recebera uma chuva de votos, mas carregava um problema consigo: tinha uma ferida na perna que não cicatrizava por nada, mesmo tendo sido tratado pro diversos médicos.

Como derradeira tentativa, buscou o auxílio dos orixás da tia Ciata, uma daquelas famosas tias baianas da praça Onze. E funcionou! Curado, o presidente retribuiu os cuidados nomeando João Batista, esposo de Ciata, chefe da polícia no Rio.

Tia Ciata é notável também por outro feito: em sua casa, na Cidade Nova, foi compsoto p lendário samba “Pelo telefone”. Embora o “samba” fosse bem mais antigo, o samba urbano, moderno, nasceu no Rio e foi popularizado pelo rádio. E sua certidão de nascimento foi lavrada naquela casa, na Cidade Nova, por Donga e Mauro de Almeida, em 1916. Foi gravado em 1917 e cantava mais ou menos assim:

“O chefe da folia
Pelo telefone manda me avisar
Que com alegria
Não se questione para se brincar.”

Naquele mesmo ano, outro compositor, Sinhô, fez um sambinha para o presidente Venceslau Brás, chamado de “São Brás”:

“Sobem a carne e o feijão,
Desce o brio da nação.
E o povo anda casmurro,
Pagando imposto pra burro.

Sim sinhô, ué
Sim sinhô uá

E o povo anda casmurro,
Pagando imposto pra burro.
Meu milagroso são Brás,
Não aperte tanto o nó,
Pense no mal que nos faz,
Do Zé Povo tenha dó.”

O Brasil se manteve neutro durante a maior parte da I Guerra Mundial mas, em 1917, Venceslau teve de declarar guerra às nações da Tríplice Aliança e se juntar à Tríplice Entente, conformada por Inglaterra, França e Rússia. Este episódio foi trabalhado pelo compositor Caninha, em 1919, em “Kaiser em fuga”, em comemoração à derrota do Kaiser Guilherme II, imperador alemão:

“Monsieur, cadê ele?
O Kaiser já fugiu.
Já sumiu-se pra bem longe,
Que o inimigo não viu.”

O fim do embate na Europa marcou o início de outra guerra, agora no front interno: a gripe espanhola. O Rio de Janeiro e diversas outras zonas portuárias no Brasil foram os alvos da peste. Só no Rio morreram 17 mil pessoas em dois meses. Os cemitérios ficaram lotados, as ruas estavam vazias, repartições foram fechadas, óperas foram canceladas e o comércio estava em frangalhos. Chegou-se a empregar presidiários como coveiros. Os corpos eram transportados nos bondes. Apesar dessa tristeza toda, um motivo de alegria houve: o maxixe “Gripe espanhola”, de Caninha, sucesso na festa da Penha:

“A espanhola está aí!
A coisa não está brincadeira.
Quem tiver medo de morrer não venha
Mais à Penha”

1918 viu a segunda eleição de Rodrigues Alves, e sua morte logo em seguida, vítima que foi a gripe espanhola. Quem assumiu a cadeira foi Delfim Moreira, porém sem o carisma do finado. Eduardo Souto e K.K. Reco compuseram “Seu Derfim tem que vortá”, no qual pediam que o mandatário voltasse para sua Minas Gerais, fazendo troça de sua falta de aptidão para o poder: “O trem apita, chegou a hora.”

De fato, Delfim governou por breves oito meses. Tinha hábitos excêntricos, como o de ficar observando as pessoas escondido atrás da cortina. Rui Barbosa, quando se viu sendo observado pelo presidente, saiu do palácio gritando as quatro ventos: “Até maluco é presidente da República, menos eu, menos eu.”

Falando em Rui Barbosa e em eleições por ele perdidas, este concorreu mais uma vez, sendo agora derrotado por Epitácio Pessoa, diga-se, estando este ausente do Brasil, por estar representando o Brasil na Conferência de Paz de Paris. Sinhô, em clara provocação ao baiano, compôs “Fala meu louro”:

“A Bahia não dá mais coco
Pra botar na tapioca,
Pra fazer o bom mingau,
Pra embrulhar o carioca.

Papagaio louro do bico dourado,
Tu falavas tanto,
Qual a razão que vives calado?

Não tenhas medo,
Coco de respeito,
Quem quer se fazer não pode.
Quem é bom já nasce feito.”

Mas, em 1966, Rui recebeu outro tipo de homenagem, agora na forma de samba-enredo da escola Império Serrano, em “Glória e graças da Bahia”. Neste, era posto ao lado de grandes personalidades vindas da Bahia, como Maria Quitéria, Ana Neri e Castro Alves.

O discurso de posse de Epitácio Pessoa, em 1922, foi transmitido pelo serviço de telefonia, podendo o povo ouvi-lo por meio de altos-falantes espalhados pelas ruas da cidade. Era o início da era do rádio, com suas músicas, novelas, programas de humor e, óbvio, muita propaganda política.

Mas o clima das eleições presidenciais logo descambou para a polarização. O candidato mineiro Artur Bernardes, conhecido pelo apelido de Seu Mé, enfrentou o candidato campista Nilo Peçanha. Quando estava na avenida Rio Branco, Seu Mé olhou a multidão ao seu redor e, imediatamente foi surpreendido por um longo coro de vaias. A multidão então emendou a marchinha “Seu Mé”, de Freire Júnior e Careca.

“Ai, Seu Mé! Ai, Seu Mé!
Lá no palácio das Águias, olé,
Não hás de pôr o pé.O queijo de Minas está bichado, Seu Zé.”

Pois bem. Contra todos os prognósticos, Seu Mé saiu-se vitorioso; e o pior: era vingativo. Ainda com o episódio da Rio Branco fresco na memória, pediu ao chefe de polícia que chamasse os dois compositores da marchinha às falas. Depois da conversa na delegacia, Freire Júnior foi preso diversas vezes e Careca teve de morar fora do Rio de Janeiro por vários anos.

O último presidente da República velha, o paulista Washington Luís, ficou marcado pela sua personalidade ímpar naquelas décadas: era boêmio, bem humorado, sabia diversas marchinhas de memória e gostava de futebol – e era presença certa em bailes de carnaval. Eduardo Souto já brincava com esses detalhes no seu samba “É sim, senhor”:

“Ele é paulista?
É, sim senhor.
Falsificado?
É sim, senhor.
Cabra farrista?
É sim, senhor.”

Washington Luís tinha como lemas de seu mandato “abrir estradas” e foi quem criou uma nova moeda nacional, o cruzeiro.

Em 1929, Washington Luís viu o Brasil afundar na Grande Depressão. Com a falência de bancos e indústrias, milhões de pessoas perderam seus empregos no mundo todo. Com a perda de renda, até comprar roupas novas passou a ser artigo de luxo. Foi então que o compositor de Vila Isabel Noel Rosa gravou seu primeiro hit, “Com que roupa?”:

“Agora vou mudar minha conduta,
Eu vou pra luta,
Pois eu quero me aprumar.
Vou tratar você com força bruta
Pra poder me reabilitar,
Pois esta vida não está sopa.
E eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa eu vou
Pra samba que você me convidou?”

Na última eleição da República Velha, uma crise se desdobrou em quebra da ordem democrática. O paulista Júlio Prestes, apoiado por Washington Luís, enfrentou o candidato gaúcho Getúlio Vargas.
A decisão de apoiar Prestes já havia levado a uma cisão no núcleo dos acordos políticos daquelas décadas. O Rio Grande do Sul de Vargas, as Minas Gerais de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e a Paraíba de João Pessoa realizaram o acordo que ficou conhecido como Aliança Liberal – seu candidato era Vargas.
Sinhô, vendo tudo de longe, compôs a marchinha “Seu Julinho”:

“Eu ouço falar
Que, para nosso bem,
Jesus já designou
Que seu Julinho é que vem.”

De fato Julinho sagrou-se vencedor no pleito, mas não levou. O assassinato de João Pessoa, além de governador da Paraíba candidato a vice derrotado na chapa de Vargas, levou ao enfrentamento armado. Nas palavras do governador de Minas: “Façamos a revolução antes que o povo a faça.”

O resultado foi a deposição de Washington Luís, como já cantava a marchinha-embolada de G. Ladeira e Doutor Boato – ambos pseudônimos de Lamartine Babo – “O barbado foi-se”:

“A Paraíba,
Terra santa, terra boa,
Finalmente está vingada,
Salve o grande João Pessoa,
Doutor Barbado
Foi-se embora,
Deu o fora,
Não volta mais!”

O embate entre as duas forças políticas inspirou Wilson Batista a fazer uma descrição dos acordos que se desenrolavam por debaixo dos panos nos morros cariocas na música “Rei Chicão”:

“Ajudou a vencer a revolução.
As autoridades lhe entregaram o morro,
Ele então coroou-se Rei Chicão.”


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “A República cantada: do choro ao funk...”

      

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O MAXIXE E O NOVO HINO – A REPÚBLICA BRASILEIRA VEIO DANÇANDO

A proclamação da República de 1889 aconteceu de supetão. Não havia bandeira, nem hino, símbolos formais da nova era. A nova bandeira foi confeccionada segundo a ideologia apregoada pelos líderes do golpe contra o Império: o positivismo – o lema “Ordem e Progresso” sintetizava bem a idéia.  

Já o hino da República foi importado da França: a Marselhesa, composta por Rouget de Lisle, foi o som que embalou os republicanos tupiniquins assim como havia feito com os revolucionários franceses. Ganhou até uma versão em português:

“Livre ser!
Livre feito!
Clama nosso peito!
Clama nosso peito!
Como um trovão desfeito!
Vivam, vivam, vivam os marciais,
Fortes, leais!
Vivam, vivam, os marciais!”


Mas esses versos não agradaram muito os brasileiros. Dois meses após, abriu-se concurso para escolher o novo hino. O problema é que havia uma ala bastante numerosa que preferia o hino anterior, da época do império, composto pelo maestro Francisco Manuel. E um dos grandes entusiastas dessa tese era, de fato, o próprio Marechal Deodoro. Foi o suficiente: Deodoro baixou decreto oficializando o hino anterior como o novo hino da República. No começo do século XX este hino recebeu letra do poeta Joaquim Osório Duque Estrada, aquela que conhecemos até hoje.  

De qualquer maneira, o tal concurso ocorreu e o vencedor foi o hino composto por Medeiros e Albuquerque e Leopoldo Augusto Miguez. Como prêmio de consolação, a obra da dupla se tornou nosso hino da Proclamação da República:

“Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas, na tempestade,
Dá que ouçamos tua voz!”


Embora a proclamação da república tivesse sido o típico movimento das elites, distante do povo, completamente alienado dos fatos em curso, nos teatros a reação foi mais calorosa. Os irmãos Arthur e Aluísio Azevedo lançaram, em 1890, a peça “A República”, a qual continha a canção “As Laranjas de Sabina”, uma das primeiras gravações do Brasil. Segue um trecho:

“Sem banana, macaco se arranja.
E bem passa monarca sem canja.”

Percebe-se claramente a ironia com o prato predileto de D. Pedro II, a canja de galinha.
A peça “A República” reunia diversos estilos musicais: tango, polca, maxixe. Esta última agradava a elite, mas enlouquecia o povão, chegando a ser comparada com a lambada paraense, surgida nos anos 1890. Um dos grande sucessos do estilo foi a composição de Sinhô “Cassino Maxixe”.

O futuro presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, viveria um entrevero por causa do maxixe. Em 1906, quando o ministro alemão Von Reichau, em visita ao Rio, com sua delegação, foi visitar Santa Cruz, a Banda do Exército os recepcionou tocando as marchas militares clássicas. No final, o ministro alemão pediu ao maestro que tocassem uma música típica brasileira. Então a banda passou a tocar o maior sucesso daquele tempo, música mais executada no carnaval daquele ano, ouvida em bares, teatros, clubes: o maxixe “Vem cá, mulata!”, composta por Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre:

“Vem cá, mulata!
Não vou lá, não!
Sou democrata,
Sou democrata,
Sou democrata
De coração.”


O marechal quase explodiu de raiva, ainda que percebesse a alegria que brotava no semblante do ministro alemão. Alguns dias depois baixou portaria proibindo as bandas militares de tocarem maxixe.

Bom. Após a proclamação da República, o marechal Deodoro assumiu o posto de presidente provisório. Nesse cargo, seguiu o script clássico dos líderes golpistas: fechou o Congresso, perseguiu adversários.
Em 1890, foi eleito novo Congresso, com a missão de criar a nova Constituição. Agora Deodoro era eleito presidente por eleição indireta. O vice, votado em separado, foi o oposicionista marechal Floriano Peixoto. A nova Constituição concedeu o direito ao voto aos cidadãos, desde que não fossem menores de 21 anos, ou analfabetos, ou mulheres, ou soldados, ou padres... Enfim, cerca de 95% estavam excluídos.

Deodoro sagrou-se pela fisiologia: choviam nomeações de parentes, amigos, aumentou vertiginosamente o soldo dos militares, concedeu pensões mais do que generosas a dependentes de militares... A expressão “virar a casaca” era a ordem do dia, com civis de todos os matizes querendo ingressar na carreira militar. A peça “O tribofe”, de Arthur Azevedo tentava dar uma dimensão dos acontecimentos:

“Na política, há muito tribofe,
Muito herói que não sente o que diz.
E que quer é fazer regabofe,
Muito embora padeça o país!”


Em 1891, era proclamada a nova Constituição republicana. Outro acontecimento importante daquele ano foi a chegada ao Brasil do tcheco Fredrico Figner, caixeiro-viajante que iniciou a indústria musical no Brasil. Em 1900, após a chegada ao Brasil dos primeiros gramofones, ele abriu as portas da Casa Edison, na rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro. Ali passou a comercializar e gravar registros musicais. Em 1913, a Odeon inaugurou a primeira fábrica de discos do país. Rapidamente o Brasil se tornaria um dos principais mercados fonográficos do mundo.

Inicialmente as gravações eram sofríveis, tendo os cantores e músicos de imprimir mais potência para que fosse feito o registro correto de suas músicas. Mas em 1927, com a chegada dos microfones elétricos, a tarefa seria facilitada sobremaneira.

O período Deodoro foi marcado pelo caos: Congresso fechado, clima de guerra civil nas ruas. O marechal foi obrigado a renunciar à Presidência em nome de seu vice. Este, por sua vez, reabriu o Congresso, mas imprimiu mudanças que lhe permitiram alcançar o fim do mandato. Inicialmente ele conseguiu que o Congresso se calasse, voluntariamente: em 21 de janeiro de 1892, Senado e Câmara decidiram por ampla maioria suspender seus trabalhos, até que Floriano decidisse quando poderiam retomá-los. O senador Saldanha Marinho disse sua famosa frase: “Não era essa a República dos meus sonhos.”

O embate entre a ala que apoiava Floriano e seus opositores, aliados de Deodoro e Marinha, levaram a explosão da Revolta da Armada de 1893. A reação virulenta de Floriano, levando à criação de seu eterno apelido: Marechal de Ferro. Este também era o título da canção composta por Eduardo das Neves:

“Quando ele apareceu, altivo e sobranceiro,
Valente com as armas, beijando o pavilhão,
A pátria suspirou, dizendo: “Ele é guerreiro,
É Marechal de Ferro, escudo da nação.”    


Outro romance marcante, que explorou os acontecimentos desse período, foi a obra de Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma. Apoiador do lado de Deodoro, o major Policarpo Quaresma foi sentenciado ao fuzilamento no paredão por denunciar as atrocidades do governo e, portanto, ter agido como um traidor.
Mas antes disso tudo, o major do romance nutria o sonho de ter aulas de violão com o compositor Ricardo Coração dos Outros, outro personagem do romance. O próprio livro traz à baila o que a sociedade pensava sobre o instrumento musical: Mais não foi preciso pôr na carta, a vizinha concluiu logo que o major aprendia a tocar violão. ‘Mas que coisa! Um homem tão sério metido nessas malandragens.”

O major morreu, mas o tal instrumento que ele tanto admirava, décadas após, seria alçado ao status de mania nacional, após os jovens da bossa nova consagrarem seu uso.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “A República Cantada: do choro ao funk...”

MPB: MÚSICA, PRETOS E BAILES – CANÇÕES DO IMPÉRIO


Em 1965, o samba-enredo da Escola de Samba carioca Império Serrano fazia um pequeno relato de momentos fundamentais na história da música feita no Brasil. Chamava-se “Cinco Bailes da História do Rio”, fora composto por Dona Ivone Lara, Silas de Oliveira e Bacalhau e assim era cantado:

"Carnaval, doce ilusão
Dê-me um pouco de magia
De perfume e fantasia
E também de sedução
Quero sentir nas asas do infinito
Minha imaginação
Eu e meu amigo Orfeu
Sedentos de orgia e desvario
Cantaremos em sonho
Os cinco bailes da história do Rio

Quando a cidade completava
Vinte anos de existência
O nosso povo dançou

(aqui é citado o primeiro baile, ainda nos anos da fundação da cidade)

Em seguida era promovida a capital
A corte festejou

(o segundo momento fala da promoção da cidade do Rio a capital do Brasil colônia)

Iluminado estava o salão
Na noite da coroação
Ali no esplendor da alegria
A burguesia fez sua aclamação
Vibrando de emoção

(terceiro momento, a coroação tardia de D. João VI, como rei do Império)

O luxo, a riqueza imperou com imponência
A beleza fez presença
Comemorando a Independência

(o quarto momento, a Independência do Brasil)

Ao erguer a minha taça
Com euforia
Brindei aquela linda valsa
Já no amanhecer do dia
A suntuosidade me acenava
E alegremente sorria
Algo acontecia
Era o fim da monarquia
Lá rá rá lá rá rá rá rá

(quinto momento, o fim do Império, marcado pelo Baile da Ilha Fiscal)"


Esse baile, acima citado, ocorreu em 9 de novembro de 1889, no palácio da Ilha Fiscal, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Foi uma festa para milhares de convidados, cujo motivo oficial era homenagear os oficiais da Marinha chilena a bordo do navio Almirante Cochrane. Custou uma fortuna equivalente a 10% do orçamento anual da Província do Rio de Janeiro, todos os barcos usados para transportar os convidados traziam as bandeiras do Brasil e do Chile , a recepção ocorria ao som da Banda do Arsenal de Guerra, que executava o hino “Chile-Brasil”, composto especialmente para a ocasião pelo maestro Francisco Braga, mesmo compositor do hino à bandeira, ao lado do poeta Olavo Bilac.

Aliás, D. Pedro II, icônico amante das artes, também tinha apreço musical. Criou a Imperial Academia de Música e Ópera Nacional, era admirador do compositor alemão Richard Wagner e concedeu fundos públicos para que o maestro Carlos Gomes compusesse a ópera imortal O Guarani.

Um dos capítulos mais importantes da história do Brasil foi a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808, dando o ponta-pé para nossa transformação de colônia em nação independente. Pois bem, dentre tantas novidades que aqui desembarcaram junto com a família real, destacavam-se as danças – mas apenas delas caíram no gosto popular: a quadrilha e a valsa.

A quadrilha surgiu na França, era comumente a dança de abertura dos bailes da corte. Somente de se incorporar nas tradições populares ganhou o atual papel de dança típica das festas juninas.
A valsa, dança de salão praticada em todo o mundo ocidental, manteve-se forte no século XX, sendo a dança predileta das festas de debutantes.

Contudo, ao lado dessas danças bem recatadas, chegou por aqui também uma dança que se notabilizava pela sensualidade, preferida dos casais mais fogosos: a polca. Dançada com os corpos coladinhos, desembarcou aqui na segunda metade do século XIX.

As últimas décadas do século XIX viram o nascimento de um dos símbolos musicais brasileiros: o choro. Diretamente derivado da interpretação que aqui se fazia de músicas estrangeiras, possuía uma base formada por quatro instrumentos musicais: a flauta, o cavaquinho e dois violões. Seus instrumentistas, conhecidos como chorões, tocavam em todo tipo de lugar: estalagens, cortiços, festas familiares... Notabilizavam-se pelo aprumo técnico, eram músicos de extraordinário talento e arregimentaram pérolas da nossa música: o flautista Joaquim Callado, considerado o Pai dos Chorões e fundador do primeiro grupo do gênero, o Choro do Callado – ou Choro Carioca; posteriormente brilhariam Patávio Silva, Pixinguinha, Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho.

Voltando ao baile da Ilha Fiscal. Além da Banda do Arsenal, animava o evento a Banda da Polícia, que tocava no Largo do Paço para os barrados no baile – como Bernardina, filha do professor Benjamin Constant, que seria um dos principais personagens do golpe que pôs fim ao Império brasileiro.
Nos anos seguintes, muitas das danças de salão executadas no último baile do império foram se incorporando aos costumes populares, em geral associados à cultura negra: o lundu,  conhecido há muito nas fazendas, foi para as cidades junto com os escravos libertos, onde se fundiu com gêneros europeus e assim conformaram a base da canção brasileira. Batizado de lundu-canção, também deu origem a letras de duplo sentido, como na letra de “Isto é bom”, de Xisto Bahia, de 1902:

“O inverno é rigoroso,
Bem dizia a minha avó.
Quem dorme junto sente frio,
Quanto mais quem dorme só.
Isto é bom, isto é bom,
Isto é bom que dói.”


Outro estilo musical muito presente nas décadas do Império eram as modinhas cantadas ao violão, nos salões da corte, ou nas casas simples, às vezes até mesmo nas ruas. A riqueza musical desse período está descrita na obra Viola de Lereno, do padre Caldas Barbosa, filho de um funcionário real português com uma escrava angolana.
A importância da modinha para a cultura musical brasileira ficou patente na obra Memórias de um Sargento de Milícias, cujo personagem Leonardo, antes de se tornar o tal sargento do título, subia o morro da Conceição, no Rio de Janeiro, para ouvir a mulata Vidinha desfilar suas lindas modinhas a seus ouvintes – o que, aliás, criou-lhe problemas com o major Vidigal, responsável por “pôr ordem no local”. Por exemplo:

“Se os meus suspiros pudessem
Aos teus ouvidos chegar,
Verias que uma paixão
Tem poder de assassinar.”


A elite política brasileira também deu sua contribuição ao nosso universo musical. D. Pedro I compunha modinhas, cantava bem e também foi co-autor do Hino da Independência, ao lado de Evaristo da Veiga.
Em 1854, o marquês de Sapucaí – ainda vivo, não era nome da rua que serve anualmente como passarela do samba -, ao lado do escritor José de Alencar e de muitos outros intelectuais, fundou o Congresso das Sumidades Carnavalescas, já visando às comemorações dos dias de carnaval. O objetivo era realizar uma festa popular mais organizada e civilizada do que o repugnante entrudo, praticada desde a época da colônia e famoso pelos banhos de urina misturada com limão e pelos banhos de lama.

Os clubes carnavalescos logo se esmeravam em compor músicas que discutissem os grandes temas nacionais: abolição da escravatura, república versus império etc.

Com o fim do império e a chegada da República, um novo ritmo surgiria nas paradas de sucesso: o maxixe. Inclusive o historiador José Murilo de Carvalho seria levado a entalhar a repetida expressão “República do maxixe doido”.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “A República Cantada: do choro ao funk, a história do Brasil através da música”  


terça-feira, 3 de abril de 2018

MATANDO ESTRANGEIROS NO PAÍS DE MARILYN MANSON


Killing Strangers - Marilyn Manson

This world doesn't need no opera, we need it for the operation
We don't need a bigga knife (a bigga knife)
'Cause we got guns, we got guns, we got guns (we got guns)
We got guns, you betta run (ya betta run, ya betta run, ya betta run)

We're killin' strangers, we're killin' strangers
We're killin' strangers, so we don't kill the ones that we love
We're killin' strangers, we're killin' strangers
We're killin' strangers, so we don't kill the ones that we love

Love, love

We pack demolition
We can't pack emotion
Dynamite, we just might
So blow us a kiss, blow us a kiss
Blow us a kiss, and we'll blow you to pieces

We're killin' strangers, we're killin' strangers
We're killin' strangers, so we don't kill the ones that we love
Love, love, love

And we got guns, we got guns
Motherfuckers better, better better run
We got guns, we got guns
Motherfuckers better run

We got guns, we got guns
Motherfuckers better, better better run
We got guns, we got guns
Motherfuckers better run

We're killin' strangers, we're killin' strangers
We're killin' strangers, so we don't kill the ones that we love
We're killin' strangers, we're killin' strangers
We're killin' strangers, so we don't kill the ones that we love
Love, love, love, love, love, love

You better run
We got guns, we got guns, we got gunse

Este mundo não precisa de ópera, precisamos dele para a operação
Não precisamos de facas maiores (uma faca maior)
Porque temos armas, temos armas...
Temos armas, é melhor você correr...


Estamos matando estrangeiros, matando estrangeiros... Portanto não matamos aqueles que amamos




Amor, amor

Oferecemos demolição
Não oferecemos emoção
Dinamite, talvez tenhamos
Então mande-nos um beijo...
E nós te explodimos em pedaços

Estamos matando estrangeiros
Portanto não matamos aqueles que amamos
Amor, amor


E temos armas, temos armas
FDP, armas melhores...



Temos armas, temos armas
FDP, melhor você correr...






Rubem L. de F. Auto


DR. “APENAS SINTA-SE BEM E RELAXE” – MOTLEY CRUE


DR. FEELGOOD – MOTLEY CRUE


Yeah yeah
Rat-tailed Jimmy is a second hand hood
Deals out in Hollywood
Got a '65 Chevy, primered flames
Traded for some powdered goods
Jigsaw Jimmy he's the one in the game
But I hear he's doin' okay
Got a cozy little job selling the Mexican mob
Packages the candycane

[Chorus]
He's the one they call Dr. Feelgood
He's the one that makes ya feel all right
He's the one they call Dr. Feelgood

[Verse 2]
Cops on the corner always ignore
Somebody's getting paid
Jimmy's got it wired, law's for hire
Got it made in the shade
Got a little hideaway, does business all day
But at night he'll always be found
Sellin' sugar to the sweet
People on the street
Call this Jimmy's town

[Chorus]
He's the one they call Dr. Feelgood
He's the one that makes ya feel all right
He's the one they call Dr. Feelgood
He's gonna be your Frankenstein

[Hook]
I've got one thing you'll understand
(Dr. Feelgood)
He's not what you'd call a glamorous man
(Dr. Feelgood)
Got one thing that's easily understood
(Dr. Feelgood)
He's the one they call Dr. Feelgood
Oh yeah

[Verse 3]
He'll tell you he's the king
Of these barrio streets
Moving up to Shangri-la
Came by his wealth as a matter of luck
Says he never broke no law
Two time loser running out of juice
Time to move out quick
Heard a rumor going round
Jimmy's going down
This time it's gonna stick

He's the one they call Dr. Feelgood
He's the one that makes ya feel all right
He's the one they call Dr. Feelgood
He's gonna be your Frankenstein

[Hook]
Let him soothe your soul, just take his hand
(Dr. Feelgood)
Some people call him an evil man
(Dr. Feelgood)
Let him introduce himself real good
(Dr. Feelgood)
He's the only one they call Feelgood
Guitar!

[SPOKEN]
Listen to Jimmy
Come play with Dr. Feelgood...

[Hook]
I've got one thing you'll understand
(Dr. Feelgood)
He's not what you'd call a glamorous man
(Dr. Feelgood)
Got one thing that's easily understood
(Dr. Feelgood)
He's the one they call Dr. Feelgood

Oh yeah
Dr. Feelgood (Dr. Feelgood)
Dr. Feelgood (Dr. Feelgood)
Dr. Feelgood (Dr. Feelgood)
O pobretão do Jimmy é um maltrapilho
Vende drogas em Hollywood
Tinha um Chevy 65, original
Trocou por uma boa quantidade de cocaína
O enigma do Jimmy, ele entrou no jogo
Mas ouvi que ele está indo bem
Arrumou um trampo lucrativo vendendo para os cartel mexicano
Empacota os “pirulitos”


Ele é o cara que chamam de Dr. Sinta-se Bem
É o cara que te faz sentir melhor
(...)


Os policiais nas esquinas sempre o ignoram
Alguém está sendo pago
Jimmy está ligado, a lei pode ser negociada
Ele trabalha nas sombras
Arrumou um esconderijo, vende o dia todo
Mas à noite é sempre encontrado
Vendendo banana para macaco
As pessoas nas ruas
Chamam esse lugar de cidade do Jimmy


Ele é o cara que chamam de Dr. Sinta-se Bem
Ele é o cara que te faz sentir melhor
(...)
Ele será o seu Frankenstein


Tem uma coisa para você entender

Não é quem você chamaria de glamoroso

Tem uma coisa para entender facilmente

Ele é quem chamam de Dr. Sinta-se Bem



Ele diz que é o rei
Dessas ruas do bairro
Transformando tudo numa Shangrilá
Conseguiu tanta grana por pura sorte
Diz que nunca fez nada de ilegal
O maior dos perdedores fazendo bonito
Hora de subir na vida rápido
Ouvi alguns boatos
Jimmy vai cair
Dessa vez não tem conversa

Ele é quem chama  de Dr. Sinta-se Bem
(...)

Ele será seu Frankenstein


Deixe-o aplacar sua dor, apenas pegue sua mão
Alguns dizem que é um homem mal

Deixe-o se apresentar direitinho a você

Ele é o único a quem chamam de Dr. Sinta-se Bem


Ouçam o Jimmy
Venham brincar com o Dr. Sinta-se Bem


(...)







Rubem L. de F. Auto


segunda-feira, 2 de abril de 2018

SIM, ROBERTO, ESTÃO TODOS SURDOS


TODOS ESTÃO SURDOS – ROBERTO E ERASMO

Desde o começo do mundo
Que o homem sonha com a paz
Ela está dentro dele mesmo
Ele tem a paz e não sabe
É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo

Tanta gente se esqueceu
Que a verdade não mudou
Quando a paz foi ensinada
Pouca gente escutou
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo

Outro dia, um cabeludo falou:
"Não importam os motivos da guerra
A paz ainda é mais importante do que eles."
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosas
Mas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor.
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos!

Tanta gente se esqueceu
Que o amor só traz o bem
Que a covardia é surda
E só ouve o que convém
Mas meu Amigo volte logo
Vem olhar pelo meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo

Um dia o ar se encheu de amor
E em todo o seu esplendor as vozes cantaram.
Seu canto ecoou pelos campos
Subiu as montanhas e chegou ao universo
E uma estrela brilhou mostrando o caminho
"Glória a Deus nas alturas
E paz na Terra aos homens de boa vontade"

Tanta gente se afastou
Do caminho que é de luz
Pouca gente se lembrou
Da mensagem que há na cruz
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
Que o amor é importante
Vem dizer tudo de novo


Rubem L. de F. Auto


quarta-feira, 28 de março de 2018

LIGUE PARA SEU JESUS, OU ESPERE SUA VOLTA...


Personal Jesus - Depeche Mode

Reach out and touch faith
Your own personal Jesus
Someone to hear your prayers
Someone who cares
Your own personal Jesus
Someone to hear your prayers
Someone who's there

Feeling unknown
And you're all alone
Flesh and bone
By the telephone
Lift up the receiver
I'll make you a believer

Take second best
Put me to the test
Things on your chest
You need to confess

I will deliver
You know I'm a forgiver
Reach out and touch faith
Reach out and touch faith
Your own personal Jesus
Someone to hear your prayers
Someone who cares
Your own personal Jesus
Someone to hear your prayers
Someone who's there

Feeling unknown
And you're all alone
Flesh and bone
By the telephone
Lift up the receiver
I'll make you a believer

I will deliver
You know I'm a forgiver
Reach out and touch faith
Your own personal Jesus
Reach out and touch faith
Reach out and touch faith
Reach out and touch faith
Reach out reach out
Reach out and touch faith
Reach out and touch faith
Erga-se e toque a fé
Seu Jesus pessoal
Alguém para ouvir suas preces
Alguém que se preocupe
Seu próprio Jesus pessoal
Alguém que ouça suas rezas
Alguém que esteja lá

Sentindo-se desconhecido
E você está completamente só
Da carne aos ossos
Pelo telefone
Levante o receptor
Farei de você um crente

Escolha o segundo alternativa
Teste a mim
As coisas que você carrega no peito
Você tem de confessar

Vou fazer o que você deseja
Você sabe, só sei perdoar
Levante-se e toque a fé
(...)
Seu próprio Jesus pessoal
Alguém que ouve suas preces
(...)


Alguém que está lá

Sentindo-se desconhecido
E você está completamente só
(...)




Vou fazer o que você espera de mim
(...)

Nota: a música fala de alguém que trabalha recebendo ligações de pessoas desesperadas que, sem poderem falar com Deus, ligam para ele e conversam com alguém que se faz passar por Jesus.
O refrão é um trocadilho com o slogan famoso da AT&T “Reach Out and Touch Someone”


Rubem L. de F. Auto