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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

BRASIL, A ANTROPOLOGIA DO INCOMPREENDIDO – PARTE III


O índio se orientava por meio de qualquer sinal de que dispusesse na natureza. Movimentava-se por trilhas, nas capoeiras ou nos matos ralos, ao longo da qual cortava ramas, assinalando sua marcha para os demais que o seguissem.

Na mata fechada, usava seu machado para sinalizar em troncos de árvores. Se estivesse se movendo por descampados sem fim, onde a paisagem era todo igual, usava varetas enfiadas no chão, cuja parte menor indicava a direção.

Se houvesse sol, usava a sombra de seu polegar na palma da mão para se orientar. Se fosse à noite, as estrelas os  guiavam. Para saber se e onde havia água nas redondezas, nada melhor do que a sensação do vento batendo no rosto.

As andanças dos indígenas ocorriam com tal intensidade que seus pés se adequaram, desenvolvendo plantas mais largas e com dedos cabeçudos e compridos, ótimos para agarrar no solo e que distribuíam melhor o peso do corpo.

A maloca (ou oca), local de habitação dos índios, era construída com varas, fechada e coberta com palhas e folhas. Duravam cerca de 5 anos, após os quais era abandonada, sem receber quaisquer reparos. O tamanho variava, dependendo da quantidade de moradores (de 50 a 100, geralmente). Os animais que conviviam no espaço doméstico eram muitos: papagaio, macaco, tatu, porco, pato, passarinho... Hans Staden testemunhou ocas com 4,62 metros de largura por quase 50 metros de comprimento, e 4,40 metros de altura.

As malocas não possuíam janelas; tinham aberturas laterais nas extremidades. Não havia paredes e divisões internas, mas havia nichos, espécies de divisões não aprentes: cada um tinha de 4 a 7 metros, dependendo do tamanho da família que o ocuparia.

A construção da maloca era um obra coletiva, que mobilizava de 40 a 50 homens, sendo um deles o líder dos trabalhos. Cada um que contribuísse com a construção poderia habitar a maloca.

Após a construção, o casal principal da maloca ganhava o direito a uma “ini”: a rede do casal. Os demais poderiam ter esteiras. Havia também na maloca a “igaçaba”, ou talha para guarda água, cuias; a nhaemperó, ou panela, fuso, gamelas, porongos, arcos, flachas, tacapes, aves, animais completavam os utensílios caseiros. No centro, a tatárendaba, a fogueira, que permanecia sempre acesa.

Próximo ao teto, havia um estrado de varas, onde guardavam a urupema, um espremedor de mandioca, a urupema, o jacá, o puçá, usado em pescarias, o uru, um cesto com tampa. O induá – o pilão – ficava do lado de fora.

Embora simples, era uma habitação que se adequava bem ao ambiente onde instalada: era ventilada, fresca e a fumaça da fogueira mantinha os insetos distantes.

Aquela quantidade assombrosa de pessoas, reunidas em núcleos familiares menores, porém reunidos sob um único teto, conviva em harmonia graças a algumas regras de convivência bem definidas: os contatos íntimos entre os casais ocorriam fora da oca (no mato, na praia); as necessidades fisiológicas também eram feitas no relento, sendo logo cobertas com terras e folhas. As mães tinham o hábito de manter tudo limpo. O bom dia era desejado pronunciando-se “Enecôema!”; a resposta era “Yauê!” ou a mesma frase anterior, repetida.  

Após a morte, a maloca continuava sendo o centro dos ritos. Os índios eram enterrados no local onde dormiam. Então, o local se tornava sagrado.

Quanto à família indígena, apenas os parentes pelo lado paterno eram considerados familiares consangüíneos. Os filhos do mesmo pai eram considerados irmãos.

Se um índio morresse, seu irmão mais velho assumia a viúva do morto, ainda que fosse casado com várias outras índias. Na falta de irmão, um parente mais próxima poderia fazer o mesmo.
Pelo lado materno, o casamento do tio com a sobrinha era recomendado na mesma situação.
A proteção às mulheres era buscada por meio do casamento das solteiras, sob a batuta do chefe da família.

Se a morte do índio casado ocorresse numa guerra, o índio que o matou era obrigado a levar a viúva para sua maloca.

Se o número de solteiras aumentasse muito, o conselho tribal definiria quem receberia mais esposas.

As mulheres casados ganhavam o direito de dormir em redes, ao lado da rede do marido, deixando os tempos da esteira para trás. Contribuíam nos trabalhos da família, mas apenas a primeira (escolhida por amor) poderia acompanhar o marido na caça e na guerra. E apenas os filhos da primeira esposa poderiam herdar a posição do pai no comanda da família.

A fidelidade conjugal era levada a sério. O adultério era repudiado. Se a mulher traísse o marido, este poderia devolvê-la ao pai. O adultério masculino era tolerado, desde que ocorresse entre o nascimento de um filho e o momento em que este começasse a andar.

Uma eventual separação  poderia ocorrer, desde que acordado e por iniciativa de um dos cônjuges. Um eventual reatamento também poderia ocorrer. Portanto a formação da família advinha do casamento.

O incesto era vedado.


Rubem L. de F. Auto


Fonte: livro “Os povos indígenas no Brasil”

BRASIL, A ANTROPOLOGIA DO INCOMPREENDIDO – PARTE II


A vida dos índios no território do atual Brasil tinha como centro da táua, ou taba, ou aldeia. São todas denominações para o conjunto de malocas, a casa típica dos índios. Cada maloca era lar para a família, no sentido mais estendido que se possa imaginar: pai, mãe, filhos, cunhadas, genros, parentes distantes mais velhos, amigos quase-parentes, prisioneiros de guerra... eram comuns mais e uma família coabitando a mesma maloca.

A aldeia típica possuía algo entre 300 a 400 pessoas. Dependendo da quantidade de alimentos disponível na região, reunia entre 4 e 10 malocas. Uma taba com 4 malocas, que possuíssem cem índios em cada, consumia cerca de 400 Kg de alimentos por dia.  

O local escolhido para a construção das malocas deveria possuir alguns pré-requisitos: deveria ser bem ventilado, dar boa vista para a vizinhança, próximo a rios e da mata. A terra deveria permitir o plantio de mandioca e milho.

Além disso, deveria ficar, no mínimo, entre 50 e 90 quilômetros distante da aldeia mais próxima – isso garantia fartura de alimentos para cada aldeia.

Quando uma aldeia se sentia ameaçada por outra tribo, era comum construírem uma cerca de pau a pique, conhecida como caiçara, ao redor da aldeia – a depender do nível da ameaça, poderia construir mais de uma cerca. Entre as cercas, punham estrepes envenenados, escondidos no capim. Usavam também armadilhas contra os inimigos.

O centro da aldeia era conhecido como ocara – uma espécie de praça. Era o local de reunião dos conselheiros, era onde as mulheres preparavam as bebidas usadas em rituais, onde ocorriam grandes festas (como a comemoração pela morte dos prisioneiros de guerra).

A partir da ocara era traçadas trilhas – ou pucus – que levavam à roça, ao local de caças, ao bosque.        
Todo o ambiente que circundava cada taba era chamado de “retama”. Esta é a expressão tupi mais prócima de pátria, país. Tupire-tama era a pátria dos tupis. Tapuiretama era a pátria dos tapuias. Pindóretama, mais tarde aportuguesada para Pindorama, era a região onde abundavam palmeiras.

A expressão taba-y-ara era usada para aqueles que viviam na mesma taba, ou seja, conterrâneo. Çabay-goára era o “estrangeiros”, que habitava outra taba, portanto deveria ser observado de perto.


Rubem L. de F. Auto


Fonte: livro “Os povos indígenas no Brasil”

BRASIL, A ANTROPOLOGIA DO INCOMPREENDIDO – PARTE I

A história é bem conhecida: Cristóvão Colombo partiu da Espanha com destino à Índia, na Ásia. Quando avistar terra firme, não teve dúvidas: chegamos à Índia e esses que vemos são os índios.

Desfeita a confusão, diversos nomes forma propostos para designar os habitantes nativos das Américas: negros, porque... bem, não eram brancos; brasis ou brasilienses, que significava gente da terra do pau-brasil; ameríndios, isto é, índios americanos; amerígena, que significa originário da América; ameraba, junção de América e aba, palavra tupi para “homem”. Mas, por fim, foi a palavra “índio” que se fixou melhor.  

Segundo Pero Vaz de Caminha, os nativos tinham pele de cor avermelhada, altura média de 1,60 m, rosto arredondado, nariz curto e estreito, lábios finos, cabelos negros, lisos e compridos, pouca barba, dentes sadios. Embora esta fosse a descrição de um índio tupinambá, os demais não deveriam ser muito diferentes.

A data da chegada destes povos, porém, a cada dia surpreende mais pela antiguidade. Em 1986, uma equipe do Museu Paulista, chefiada por Niéde Guidon, encontrou no sítio arqueológico de Raimundo Nonato, no Piauí, fósseis datados de 32.160 anos atrás! O fóssil nomeado Luzia, encontrado no início dos anos 1970 pela missão liderada pela arqueóloga francesa Annette Laming-Empieraire na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais, foi datada entre 11.400 a 16.400 anos atrás.  

Um fato é certo: há 10 mil anos todo o continente era habitado por seres humanos.

Os primeiros americanos tiveram sua origem teorizada em três linhas de estudos: uma apontava que vieram da África diretamente, pela Antártida, adentrando a América do Sul pela Terra do Fogo (Argentina e Chile); outra apontava que teriam vindo pela Polinésia, de ilha em ilha, até a costa do Pacífico da América do Sul; a terceira, bem mais plausível, apontava a migração desde a Ásia, cruzando o Estreito de Bhering. Tratavam-se de mongóis que desceram a costa pacífica, ficando-se em torno de pequenas tribos, formando culturas e nações distintas.

Após milhares de anos, civilizações bastante avançadas, como os astecas, maias e incas surgiram. A chegada dos povos indígenas ao território do atual Brasil se deu via Colômbia, Peru e Bolívia.

Por volta de 1500, havia nos nossos atuais domínios algo em torno de 1,5 e 2 milhões de habitantes, falantes de mais de 350 línguas distintas – embora haja quem aponte mais de 9 milhões de índios àquela altura.

Com a chegada dos Europeus, toda a aproximação com os índios nativos se deu por meio dos jesuítas. Estudando a língua e fazendo um paralelo com a área geográfica ocupada pelos respectivos falantes, os padres dividiram todo aquele imenso contingente de pessoas em dois grupos: os tapuias, habitantes do interior; e os tupis, que habitavam a costa.

Em 1884, Karl Von den Steinen criou uma classificação mais específica, onde figuravam 4 grupos: tupi-guarani, jê/tapuia, nuaruaque/naipure, caribe/caraíba. Esta ainda é a classificação mais atual.

Tupis e guaranis têm origem bem próxima: há cerca de 2 mil anos, quando ainda habitavam a Cordilheira Oriental Colombiana, iniciaram um processo migratório de duas vias, uma em direção ao leste, outra em direção ao sul. O grupo que daria origem aos guaranis desceram seguindo o rumo dos rios Madeira e Guaporé. Os que conformariam os tupis rumaram seguindo as praias oceânicas, seguindo o rumo dos rios Araguaia e Tocantins.

Mil anos depois, houve finalmente o reencontro daquelas duas tribos seminais. O reencontro se deu na região entre os rios Tietê e Paranapanema, agora sob a roupagem distinta das tribos tupi e guarani. No caminho, diversas outras tribos foram exterminadas: eram os paleoíndios, cuja cultura segue absolutamente incógnita. Eram nômades, não viviam em malocas, provavelmente praticavam a antropofagia.

Os tupis se apossaram da área que se estende do sul do Pará até São Paulo, sempre seguindo pelo litoral. As tribos tupis que habitavam o nordeste eram: potiguares, tabajaras, caetés, tupiniquins, tupinambás. Do norte do Paraná ao Espírito Santo se destacam os tamoios, mas o planalto paulista era dominado pelos guaianás. O Baixo Amazonas tinha os tupis mundurucus e os Parintins.

Essas tribos vivam intermitentes rusgas com os coroados, goitacás e puris.

Já a região compreendida entre o Paraná e o Rio Grande do Sul (incluindo o Mato Grosso do Sul, Argentina, Bolívia e Paraguai) era dominada pelos guaranis, que viviam seus entreveros contra os vizinhos chiriguanos e outros povos.

O grupo étinoc denominado Jê tinha um subgrupo chamado tapuia, palavra tupi que significa “não tupi”, ou estrangeiro, bárbaro – portanto não se sabe como eles mesmo se denominavam. Era tapuias: os caiapós, goitacás, cariris, aimorés, botocudos, suiás, bugres, coroados e apinajés.

Aruaques e caribes, ou caraíbas, vieram das Antilhas e da América Central e se estabeleceram no vale amazônico e norte do planalto Mato-Grossense. A palavra “Karib”, no idioma deles, significa “valentia”, ser guerreiro, heróis.

No território brasileiro, a língua que prevalecia era o tupi-guarani. Segundo alguns, tupi e guarani eram a mesma língua, porém em períodos históricos distintos: o tupi era mais primitivo, monossilábico; o guarani era mais desenvolvido.

Outra língua bastante difundida era o tupinambá, variante do tupi que recebeu uma gramática organizada pelos padres Anchieta e Luís Figueira. Consequentemente tomamos conhecimento de lendas e se desenvolveu toda uma literatura baseada naqueles contos. Por exemplo a obra “O auto de São Lourenço”, escrita por Anchieta, que conta sobre o plano do diabo Guaixara de tomar uma aldeia, embriagando os homens.

E foi justamente o desconhecimento recíproco da língua da outra aldeia que levou às guerras permanentes entre tupis e tapuias.

À língua tupi foi acrescentado o vocabulário do português, pelos jesuítas. Esta língua foi chamada de língua brasílica, ou geral, a mais falada no Brasil até o século XVIII, quando seu ensino e uso foram banidos pela Coroa.

Contudo, até hoje resquícios remanescem no falar das pessoas mais humildes. Palavras pronbunciadas erroneamente, como: “paia” no lugar de palha; ou “fio” em lugar de filho; ou “animar” em vez de animal, refletem a ausência de determinadas fonemas na língua tupi.

Já a língua tapuia, falada por Cariris, Moxotós, Catolés e Mossorós se perdeu completamente, permanecendo apenas como nomes dos locais onde eram mais numerosos.

Interessante notar o caráter melodioso e poético da língua tupi. Esse traço se nota nos nomes femininos e seus significados reais: Ibatira, ou Potira, ou Bartira significa “flor”; Moema, ou Coema, é “aurora”; Iracê, ou Iraci, significa “doçura” – assim como Jandira; Aracê, ou Iracê também significa “manhã”, “amanhecer”.

O aruaque, falado em toda a atual Flórida, estendendo-se até as Antilhas, era também falado na região da Bacia Amazônica.

Quanto às centenas de línguas restantes, faladas no nosso país antes de os europeus aqui chegarem, nada mais resta atualmente.    


Rubem L. de F. Auto


Fonte: livro “Os povos indígenas no Brasil”

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

F***-SE SUA ETNIA: KENDRICK LAMAR

Fuck Your Ethnicity

Gather ’round
I’m glad everybody came out tonight
As we stand on our neighborhood corner
Know that this fire that’s burning represents the passion you have
Listen
Keisha, tammy, come up front
I recognize all of you
Every creed and color
With that being said

Fuck your ethnicity
You understand that?
We gon’ talk about a lot of shit that concerns you
All of you
(Now everybody throw your hands up high
If you don’t give a fuck
Throw your hands up high
Now I don’t give up a fuck if you
Black, white, asian, hispanic, goddammit
Yellow p, sugar p, fuck your ethnicity, nigga

Fire burning inside my eyes
This the music that saved my life
Y’all be calling it hip-hop
I be calling it hypnotize
Yeah, hypnotize
Trapped my body but freed my mind
What the fuck is you fighting for?
Ain’t nobody gonna win that war
My details be retail
Man, I got so much in store
Racism is still alive
Yellow tape and colored lines

Fuck that, nigga look at that line
It’s sold out first day
Getting off work
And they wanna see kendrick
Everybody can’t drive benz’s, and I been there
So it make it my business
Stay giving my full attention, 10-hut!
Man, I gotta get my wind up
Man, gotta get down with God
Cause I got my sins up
Matter of fact, don’t mistake me
For no fucking rapper
They sit backstage and hide
Behind the fucking cameras

I mosh pit
Had a microphone and I tossed it
Had a brain, then I lost it
I’m out of my mind, so don’t
You mind how much the cost is
Penny for my thoughts
Everybody, please hold up your wallets
Yeah man, I’m the mailman
Can’t you tell, man?
Going postal, never freeze up
When I approach you
That’s star struck and roast you, oh my..
Hiiipower

I’m tired of y’all
Cause everybody lied to y’all
Do you believe it?
Recognize them false achievements
It’s treason and I’m tylenol
I knock out when you knock it off
Knock on the doors of opportunity
I’m too involved, I’m no activist
I’m no einstein before calculus
I was kicking in math
Dropping that science

Like an alchemist, and I be
Kicking that ass
Lyrically, I’m ufc, if a ufo
Had came for me
I’mma come back with the head of an alien
Don’t alienate, my dreams
Get it right, get a life
I got 2
That’s a metaphor for the
Big shit I do, boy
Tmi, tsa, man I’m fly
Put wings on my back
That a plane or angel? Both
Like a pilot with a halo – whoa..
Gross

I don’t mean, nothing
So many things come through
Them, him, her, you
Hmm, hmm, hmm, hmm
I’m just a messenger
Yeah I know life’s a bitch
Get the best of her
Put them 3s up
They notice that we up
Hiiipower and the power and the people
And if they don’t believe us
They’ll die
Foda-se sua Etnia

Junta aqui!
Estou feliz por todos saírem hoje à noite
Enquanto ficamos parados esquina
Saiba que este fogo que está queimando representa a paixão que você tem
Ouça
Keisha, Tammy, cheguem mais à frente
Eu conheço todos vocês
Cada credo e cor
Dito isso

Foda-se sua etnia
Você entende isso?
Nós vamos falar sobre um monte de merda sobre você
Todos vocês
(Agora todos ponham as mãos para o alto
se não se importam
Jogue suas mãos para o alto
Agora, eu não to cagando se você
Preto, branco, asiático, latino, o caralho
Amarelo, de açúcar, foda-se a sua etnia, negão

Fogo queimando dentro dos meus olhos
Isso, a música que salvou a minha vida
Vocês todos chamando de hip-hop
Eu chamo de hipnose
Sim, hipnotiza
Aprisionou meu corpo, mas libertou minha mente
Por que porra você tá lutando?
Ninguém vai ganhar essa guerra
Meus detalhes são consumidos
Cara, eu tenho muito nas lojas
O racismo ainda está vivo
Fita amarela e linhas coloridas

Foda-se, nego essa linha
Está esgotada desde o primeiro dia
Saindo de linha
E eles querem ver Kendrick
NMinguém pode dirigir uma Benz, e eu estou lá
Então, isso agora é da minha conta
Fico dando toda a minha atenção, atenção!
Cara, eu tenho que pegar o vento de popa
Cara, tem que me encontrar  com Deus
Porque eu tenho meus pecados
Na verdade, não me engane
Por nenhuma porra de rapper
Eles se sentam nos bastidores e se escondem
Por trás da porra das câmeras

Eu bato-cabeça
Seguro um microfone e grito
Tinha um cérebro, depois o perdi
Eu estou fora de mim, então
Você não se importa com o custo disso?
Uns trocados por meus pensamentos
Todos, por favor, segurem suas carteiras
Sim cara, eu sou o carteiro
Você pode dizer, cara?
Indo postar, mas nunca congelar
Quando me aproximo de você
Essa é a estrela que bateu em você e o queimou, oh meu .. Superpoder

Estou cansado de vocês
Porque todo mundo mentiu para vocês
Você acredita?
Reconheço suas falsas realizações
É traição e sou o anestésico
Eu o apago quando você o derrubar
Bata nas portas de oportunidade
Estou muito envolvido, mas não sou ativista
Eu não sou nenhum Einstein antes do cálculo
Eu estava sofrendo em matemática
Desistindo daquela ciência

Como um alquimista, eu fico
Remexendo aquela merda
Liricamente, eu sou ufc, se um ufo
Viesse por mim
Eu voltei com a cabeça de um alien
Não aliene, meus sonhos
Faça dar certo, tenha uma vida
Eu tenho 2
Isso é uma metáfora para a
Grande merda que eu faço, garoto
TMI, TSA, cara, sou uma mosca
Coloque asas nas minhas costas
Isso é um avião ou um anjo? Ambos
Como um piloto, com uma auréola - uau..
Show!

Eu não quero dizer nada
Tantas coisas aconteceram
Eles, ele, ela, vocês
Hmm, hmm, hmm, hmm
Eu sou apenas um mensageiro
Sim, eu sei que a vida é uma puta
Tire o melhor proveito dela
Coma as gostosas
Eles sabem que estamos excitados
Superpoder e poder e as pessoas
E se eles não acreditam em nós
Vão morrer

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

DEUS SERIA UM JUIZ JUSTO? Litígio no Céu

Pray For Me

[Joe Budden:]
Look, I woke up without a heart beat
But I remember we was just in the car deep
Was at a light and got approached by a car thief
He pulled out but didn't ask for no car keys
A loud noise without a voice
But I'm trying to scream out, shit is not fair
I can't tell you where I'm at or how I got here
Surrounded by all white, maybe it's just cloudy
Escorted by 2 men who knew everything about me
Both of em' so strong, kept saying hold on
Feel like me souls gone, naked no clothes on
I know this can't be my faith
I screamed "Wait"
As they dropped me in front of a gate
They left no trace
I can see my every breath like a cold day
Stood before a man with no face
He said to me to me

[God:]
Please don't make this any harder

[Joe Budden:]
Who the fuck is you?

[God:]
My child, I'm your father

[Joe Budden:]
I only got one dad

[God:]
Is that a fact to you?
He left you when you was young
I brought him back to you
You're real close to heaven
Few get to step in
Now tell what you've done to deserve to be let in

[Joe Budden:]
Look I'm far from a Christian, not big on religion
But ain't done to much wrong my entire time living
Never killed, never tried too
Though I've been lied too, was once suicidal
Never read the Bible
I always been a caretaker, tried to nurse people
At times it backfired, hurt people, hurt people
Plus I never use your name in vein
But you should know everything I'm being asked explained

[God:]
I know that you stole from your mothers purse

[Joe Budden:]
You can't count that, that was way back when

[God:]
It's still a sin

[Joe Budden:]
But I was 10

[God:]
You rob people, stolen

[Joe Budden:]
Yeahh and you made me see jail

[God:]
But I also see you lay your hands on a female
Sold drugs to parents, none of that was needed
Abandoned your child with every girl you cheated
Done wrong to people that only want the best for you
Anytime you thought you were alone, I was next to you

[Joe Budden:]
When it comes to baby mom's God, you gave me the worst one

[God:]
But that was your second child Joe, you shouldn't killed the first one

[Joe Budden:]
I ain't have a job, ain't have a pot to piss in

[God:]
Look, I gave you a gift and you made the wrong decision
Held on to resentments even in doing business
I lead by example, I teach forgiveness
Your entry can not be guaranteed
Not when you live with 'Anger, Envy, Greed
Pride, Sloth, Lust' even 'Gluttony'
Everything you shouldn't if you wouldn't join my company

[Joe Budden:]
Look, I'm only human I ain't perfect

[God:]
That I understand, when I take you out a jam
You don't even think to worship
And when you do
You never talk about what you could do for me, It's what I could do for you
I blessed you with health, family and wealth
But all the blessing you receive, you still always want help

[Joe Budden:]
Yea there's been times in my life I needed help to make money
But why everything I love you manage to take from me
Yet you stand there and question a nigga that tries hard
And finds a way when you keep dealing them fuck up cards
You make mistakes like me, far as I can see
I think it's a mockery when ever rich niggas win the lottery
Gave us Bush twice, god I hate to be rude
But you let skinny niggas starve, give obese niggas food
The nerve when you telling I don't deserve to stay here
When you gave us drugs and guns you put aids here
Take a look at you, yo ass is cold hearted
The hard shit is that you bring baby's into the world retarded
I know most my actions put me in a cell
But how you mad at me when you put me into hell

[God:]
See my child you need gratitude, maybe just a sample
I never give a person anything they can't handle
Don't tell me about everything you've had to go through
There's reasons for my actions even if I've never showed you
Keep trying with you, all you did was hurt me
Still gave you chances to prove that you was worthy
And so I sat with you on the train
I asked you for change, you kept calling me names
Probly didn't notice, I was the store clerk
You put the gun to me, get money for more work
My child, I know you have it in you to indeed stop
This is not your final calling just your brief stop
Hope you hear my words and understand
So when I see you back, you'll should a better man
Look at life different next time we see each other
There be no need for talk when ever we meet each other
Rezem Por Mim

[Joe Budden]
Ouça, eu acordei despreocupado
Mas eu lembro que estávamos no banco do carro
Estávamos parados no semáforo e fomos surpreendidos por um ladrão de carros
Ele puxou a arma, mas não pediu as chaves do carro
Um barulho alto sem voz
Mas estou tentando gritar, essa porra não é justa
Eu não posso te dizer onde eu estou ou como eu cheguei aqui
Tudo branco em volta, talvez sejam nuvens
Acompanhado por 2 homens que sabiam tudo sobre mim
Ambos tão fortes, ficavam dizendo: seja forte
Sentia-me sem alma, nu, sem roupas
Eu sabia que não poderia ser minha religião
Eu gritei: Espere
Enquanto me jogavam em frente a um portão
Não deixaram pistas
Eu posso ver minha respiração, como um dia frio
Parei diante de um homem sem rosto
Ele me disse:

[Deus]
Por favor, não dificulte isso

[Joe Budden]
Quem é você, porra?

[Deus]
Meu filho, eu sou seu pai

[Joe Budden]
Eu só tenho um pai

[Deus]
Você acredita nisso?
Ele te deixou quando você era criança
Eu o trouxe de volta para você
Você está muito perto do céu
Poucos conseguem entrar
Agora, diga-me o que você fez para merecer entrar

[Joe Budden]
Olhe, eu estou longe de ser um cristão, tenho nada a falar sobre religião
Mas eu não cometi muitos erros na vida
Nunca matei, nem tentei
Embora eu tenha mentido também, tratava-se de um suicida
Nunca li a Bíblia
Eu sempre gostei de ajudar, tentei cuidar das pessoas
Às vezes deu errado, machuquei pessoas
Além disso, eu nunca usei seu nome em vão
Mas você deve saber disso tudo o que eu estou tentando explicar

[Deus]
Eu sei que você roubou a bolsa da sua mãe

[Joe Budden]
Você não pode contar isso, isso faz muito tempo

[Deus]
Ainda é pecado

[Joe Budden]
Mas eu tinha 10 anos

[Deus]
Você rouba pessoas, assaltou

[Joe Budden]
Sim e você me fez ir para a cadeia

[Deus]
Mas eu também vejo você colocar as mãos numa garota
Vendeu drogas para os pais, nada disso era necessário
Abandonou seu filho com cada garota que você enganou
Agiu errado com as pessoas que só queriam seu bem
Sempre que você achava que estava sozinho, eu estava perto de você

[Joe Budden]
Quando se tratava de mãe, Deus, você me deu o pior possível

[Deus]
Mas esse foi o seu segundo filho Joe, você não deveria ter abortado o primeiro

[Joe Budden]
Eu não tinha um trabalho, nem teto

[Deus]
Olhe, te dei  um presente e você tomou a decisão errada
Agarrou-se a ressentimentos,  mesmo indo em frente
Eu ensino por meio de exemplos, eu ensino a perdoar
Sua entrada não está garantida
Não enquanto você viver com “raiva, inveja, ganância, orgulho, preguiça, luxúria e até gula
Tudo o que você não deveria fazer se quisesse estar em minha companhia

[Joe Budden]
Veja, sou apenas um humano, não sou perfeito

[Deus]
Isso eu entendo; quando te tiro da merda
Você nem sequer pensa em agradecer
E quando você o faz
Você nunca fala sobre o que você poderia fazer por mim, mas sobre o que eu poderia fazer por você
Eu te abençoei com saúde, família e riqueza
Mas mesmo com todas essas bênçãos, você ainda quer mais ajuda

[Joe Budden]
Sim, houve momentos na minha vida em que eu precisei de ajuda para ganhar dinheiro
Mas por que tudo que eu amo você dá um jeito de tirar de mim?
Ainda assim, você fica lá, questionando um negro que tenta trabalhar duro
E encontra um jeito, enquanto você fica jogando baralho com a vida deles
Você comete erros como eu, tantos quantos posso ver
Eu acho que é uma sacanagem quando negros que sempre foram ricos ganham na loteria
Deu Bush duas vezes para a gente, Deus, eu odeio ser grosseiro
Mas você deixa negros magricelos morrerem de fome e dá comida a negros obesos
Irrita-me  quando você diz que eu não mereço ficar aqui
Quando você nos deu drogas e armas, você pôs a AIDS aqui
Se olhe no espelho, seu bunda mole
A grande merda é que você traz bebês para mundo retardado
Eu sei bem que as minhas ações me puseram atrás das grades
Mas como posso estar te atazanando a paciência se foi você mesmo quem me pôs no inferno?

[Deus]
Veja meu filho, você precisa de gratidão, talvez apenas uma amostra
Eu nunca dou a ninguém mais do que ela pode lidar
Não me conte tudo o que você teve que aguentar
Há razões para minhas ações, mesmo que eu nunca as tenha mostrado a você
Insisti em você,mas  tudo o que você fez foi me machucar
Eu ainda lhe dei a chance de provar que você tinha algum valor
Então fiquei sentado ao seu lado no trem
Pedi uns trocados, mas você ficou me xingando
Você provavelmente não percebeu, eu era o funcionário da loja
Você apontou a arma para mim, ganhe dinheiro trabalhando mais
Meu filho, eu sei que você tem dentro de você o necessário para parar
Este não é o seu chamado final, apenas a sua parada estratégica
Espero que você ouça minhas palavras e entenda
Então, quando eu te vir novamente, você deverá ser um homem melhor
Olhe para a vida de maneira diferente na próxima vez que nos virmos
Não precisaremos conversar quando nos encontrarmos

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

FILHOS DE UM ABORTO


PÁTRIA QUE ME PARIU – GABRIEL, O PENSADOR

(4x)Pátria que me pariu!
Quem foi a Pátria que me pariu!?

Uma prostituta, chamada Brasil se esqueceu de tomar a pílula,
e a barriga cresceu
Um bebê não estava nos planos dessa pobre meretriz de dezessete anos
Um aborto era uma fortuna e ela sem dinheiro
Teve que tentar fazer um aborto caseiro
Tomou remédio, tomou cachaça, tomou purgante
Mas a gravidez era cada vez mais flagrante
Aquele filho era pior que uma lombriga
E ela pediu prum mendigo esmurrar sua barriga
E a cada chute que levava o moleque revidava lá de dentro
Aprendeu a ser um feto violento
Um feto forte escapou da morte
Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte
Mas nove meses depois foi encontrado, com fome e com frio,
Abandonado num terreno baldio.

(4x)Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?

A criança é a cara dos pais, mas não tem pai nem mãe
Então qual é a cara da criança?
A cara do perdão ou da vingança?
Será a cara do desespero ou da esperança?
Num futuro melhor, um emprego, um lar
Sinal vermelho, não dá tempo pra sonhar
Vendendo bala, chiclete...
"Num fecha o vidro que eu num sou pivete
Eu não vou virar ladrão se você me der um leite, um pão, um vídeo game e uma televisão, uma chuteira e uma camisa do mengão.
Pra eu jogar na seleção, que nem o Ronaldinho
Vou pra copa, vou pra Europa..."
Coitadinho!
Acorda moleque! Cê num tem futuro!
Seu time não tem nada a perder
E o jogo é duro! Você não tem defesa, então ataca!
Pra não sair de maca!
Chega de bancar o babaca!
Eu não aguento mais dar murro em ponta de faca
E tudo o que eu tenho é uma faca na mão
Agora eu quero o queijo
Cadê?
Tô cansado de apanhar. Tá na hora de bater!

(4x)Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?

Mostra tua cara, moleque! Devia tá na escola
Mas tá cheirando cola, fumando um beck
Vendendo brizola e crack
Nunca joga bola, mas tá sempre no ataque
Pistola na mão, moleque sangue bom
É melhor correr porque lá vem o camburão
É matar ou morrer! São quatro contra um!
Eu me rendo! Bum! Clá! Clá! Bum! Bum! Bum!
Boi ,boi, boi da cara preta pega essa criança com um tiro de escopeta
Calibre doze na cara do Brasil
Idade 14, estado civil mo...rto
Demorou, mas a pátria mãe gentil conseguiu realizar o aborto.

(4x)Pátria que me pariu
Quem foi a Pátria que me pariu?


Rubem L. de F. Auto


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

CRIANÇA ENGRAXATE: HÁ GRAXA, MAS ISSO NÃO TEM GRAÇA


Os Últimos Serão Os Primeiros - Lindomar 3L

Guerreiros, guerreiros, os últimos serão os primeiros
Os humilhados serão exaltados é só dar tempo ao tempo
Me lembro, de quando eu carregava uma caixa de madeira
Apesar dos pesares tudo era motivo de brincadeira

Quem é daquela época lembra como era bom engraxar sapato
Mesmo com medo, descalço, correndo do Juizado
Emocionado ficava quase todo dia
Vendo pessoas se humilhando, mendigando mixaria

Entre elas tinha uma mina que dormia na calçada
Da choperia onde eu trabalhava junto com a molecada
E quando chegava dezembro disso eu nunca esqueço
Eu ia pro sinaleiro com uma caixa pra pedir dinheiro

Tremendo de frio, ao relento ei tio! Eu deitava
No chão, da exposição agropecuária
Com a roupa manchada suja de graxa, entrava no restaurante
Tomava um caldo, um refrigerante e saía sem pagar nada

Pois o dono não me cobrava, porém injuriava
Ver aquele tanto de playboy me olhando com nojo e com raiva
De madrugada perambulava pelas ruas de Uberaba
Sem saber se eu ia amanhecer dormindo na minha casa


Trabalhadores, sofredores, que nem catadores de papelão
Eram proibidos de ficar pedindo e de exercer a profissão
Mesmo assim não virei ladrão, mas muitos viraram
Deixaram de pedir de viajar carro e foram fazer assaltos

É um assalto mãos ao alto! Fala isso não rapaz!
É melhor você falar: Vamos engraxar ai senhor vai?!
Porque o trabalho seja qual for tem o seu valor e dignifica
Por isso me sinto digno e valorizo o que passei na vida


Refrão: Só pode crê sofri tanto que eu pensei que ia morrer! (4x)


Desanimado, cansado sentava na caixa e contava
A grana suada que eu ganhava da ralé e da playboyzada
Engraxava pra homem e mulher, batia a escova e dizia troca o pé
Também fazia um sambinha e cuspia pra dá brilho né?!

Enquanto as crianças brincavam os adultos tomavam cerveja
Me sentido na sarjeta caprichava pela gorjeta
Lavava com água e sabão, o Cromo Alemão do doutor
Passava Nugget com a mão, recebia um real e dizia obrigado!

O freguês pagava um salgado e ficava me perguntando
Se eu tinha família, onde eu morava, se eu tava estudando
Sem graça moço respondia todas as perguntas,
Sempre pensando em tá ganhando uma boa ajuda

Coisa que nunca aconteceu naquela época
Era mais fácil ser bem ajudado batendo moeda
A pé ou de bicicleta eu ia trabalhar
E de Diplomata eu ia pro conselho tutelar

Sempre fugia de lá e na rua direto brigava
Com quem batia e roubava dos moleques da quebrada
Quando ia à rodoviária olhava os passageiros
Indo destino à Brasília, São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro

Olhando aquele movimento vinha no meu pensamento
Uma idéia de viajar para “um bom lugar” sem sofrimento
Mas passei bons momentos com os meus companheiros
Humildes aliados que por mim são chamados de guerreiros

Pois sofreram como eu, varias humilhações e zombarias
Trabalhando com fome, no bar Sem Nome e nas choperias
Mas acredito que um dia nos tratarão com dignidade
Todos aqueles que indignaram e humilharam os engraxates


Refrão: Só pode crê sofri tanto que eu pensei que ia morrer! (4x)



Rubem L. de F. Auto

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O TERROR DA PEDOFILIA, SEGUNDO TITÃS

PEDOFILIA - TITÃS

Ele disse: eu tenho um brinquedo
Vem aqui, vou mostrar pra você
Ele disse: Esse é o nosso segredo
E ninguém mais precisa saber
Eu não vou te fazer nenhum mal, ele disse
E então me pegou pela mão
Ele disse que era normal que pedisse
E eu não tinha por que dizer não

Não sou eu mais em mim
Não sou eu mais
Sou só nojo de mim
Só nojo, por dentro
Não sou eu mais em mim
Eu não sou eu mais
Sou só nojo de mim
Só esquecimento

Ele disse eu tenho um presente
Vem comigo que eu vou te mostrar
Ele disse: Isso é só entre a gente
E não é pra ninguém escutar
Eu não vou fazer nada de errado, eu te juro

Vem aqui, vamos nos conhecer
Vem aqui, fica aqui do meu lado, no escuro
Eu prometo cuidar de você

Não sou eu mais em mim
Não sou eu mais
Sou só nojo de mim
Só nojo, por dentro

Não sou eu mais em mim
Eu não sou eu mais
Sou só nojo de mim
Só esquecimento
Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não

Não sou eu mais em mim
Não sou eu mais
Sou só nojo de mim
Só nojo, por dentro

Não sou eu mais em mim
Eu não sou eu mais
Sou só nojo de mim

Só esquecimento


Rubem L. de F. Auto

FAROESTE CABOCLO: O BANG BANG À BRASILEIRA PÓS LIBERAÇÃO DO PORTE DE ARMA

BANG BANG À BRASILEIRA – ULTRAMEN

Crianças usam armas de fogo
Pra ter respeito no morro
Ter respeito do povo
De novo o jogo
O dia-a-dia dos soldados
Medo, tensão
Alerta!
Só os aliados
E a massa aplaude a violência do sistema
Viva o consumo!
Cada um com seus problemas
Ouça o scratch
D.J. já adverte
Para e olha o break
Bang-bang!
Seremos culpados e inocentes
Vamos lá Brasil!
Mais um passo para frente
Olho por olho
Dente por dente
Que história é essa de amor?
Deixa passar o novo
Comprem!
Comprem!
Carros blindados
Andem!
Andem!
Andem armados
Pensem!
Pensem!
Pensem coitados
Homens, mulheres e crianças
Todos maquinados

(refrão)
Deixa o povo
Deixa o povo se armar
E vamos todos brincar de atirar
Vem pro jogo
Vem pra jogar
Deixa o povo
Deixa o povo se armar
E vamos todos brincar de atirar
Vem pro jogo
Quem vai ganhar


Indústria bélica
Psicodélica
Loucura coletiva
Maquiavélica
E a massa histérica reclama o seu direito
A bala é a bola e eu mato no peito
Não vamos precisar mais de polícia
De política, de estatísticas, de humanistas ou de jornalistas
Não vamos precisar mais de artistas
Não existirá anarquia, não existirá mais nada
Bandido ou vítima
Civil ou Brigada
Juiz ou réu
Não vamos precisar mais de seriados como "o homem que veio do céu"
Bang-bang!
É bang-bang à Brasileira
Uns vão sair de Rambo
Eu vou de Zé Pereira
Vai do Porto Seco até a Pedreira
Nesse carnaval o terno é de madeira
Eu quero o meu porte!

Pra sobreviver na selva tem que ter sorte
Não vai adiantar nada ter o santo forte
Quem tem arma é a favor da pena de morte
Meu colete a prova de balas de hortelã
Me protege e me mantêm com a mente sã
Quem for contra me interna no asilo Arkhan
Os nossos filhos
Guerreiros do amanhã

(refrão)
Deixa o povo
Deixa o povo se armar
E vamos todos brincar de atirar
Vem pro jogo
Vem pra jogar
Deixa o povo
Deixa o povo se armar
E vamos todos brincar de atirar
Vem pro jogo
Vem pra jogar

Quem vai ganhar?

E vamos todos brincar de atirar

Quem vai ganhar?
Quem vai ganhar?

E vamos todos brincar de atirar

(refrão)
Deixa o povo
Deixa o povo se armar
E vamos todos brincar de atirar
Vem pro jogo
Vem pra jogar
Deixa o povo
Deixa o povo se armar
E vamos todos brincar de atirar
Vem pro jogo
Quem vai ganhar

É nervoso
Muito nervoso
Esse som tá nervoso
Muito nervoso esse som...


Rubem L. de F. Auto

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

PARA VIVER AQUI, SÓ O IRON MAN


Homem de Aço – DMN

Aumente o som e se ligue nessa aqui
eu não vou mentir
falo sério pra quem quiser ouvir
escorreguei, mas não vacilei, pra não cair
da malandragem destrutiva, sobrevivi
e dela aprendi a parte boa
o respeito fundamental à minha pessoa
não quero viver à toa, de cara ou coroa
a minha sorte é ter saúde
maluco, é ter saúde
pra me esquivar de todo o mal
refletir nesse inferno e tal
fazer a minha parte bem
ser um espelho também
pra quem está chegando, poder contar com alguém
o caminho, na verdade, é difícil, eu sei
quem não sabe levou, por escolher um atalho
onde a trairagem insiste
o amor próprio não existe
feliz o preto que chega até os vinte
o mesmo que destrói a sua base,
família e quando está na pior diz que é uma fase
mentira, está sempre de olho no quintal do vizinho
se tiver que trampar, lutar não é seu caminho
culpa os pais por ser assim
e diz: vocês fizeram muito pouco por mim
só queria ter de tudo pra não dar valor
e ver o mais pobre te chamar de senhor
igual a todo playboy que está no poder
não sabe o quanto custa um pão pra sobreviver
não sabe o que é difícil
nem dificuldade
não sabe o que é viver distante da cidade
Eu sei o quanto é difícil suportar
derramo o meu suor e sei valorizar
e no limite da humildade
faço o meu espaço
me considero um H.Aço.

Sei que não é fácil
Sei que não é fácil
Sei que não é fácil (Ser Homem de Aço)

Andar na rua vendo o povo em desespero
brigando pelo melhor lugar
quem chega primeiro
vivendo um pesadelo acordado
correndo assustado, cabreiro com quem está do seu lado
ver o moleque viciado na televisão
o baixo nível da escola e da educação
a preta linda que não olha no espelho
tem vergonha do nariz
da boca e do cabelo
o super herói com apenas doze anos
feliz da vida, porque conseguiu um cano
a piveta que já tem um pivete
que até dá mamadeira, hei mano, ela se esquece
ambição em alto grau
apocalipse final
eu não consigo ficar na moral
famílias inteiras estão caindo na vala
perdendo a resistência
e o pesadelo não pára
ser Homem de Aço é resistir
não pode dar as costas se o problema mora aqui
eu não vou fugir
nem fingir que não vi
nem me distrair
nenhum playboy paga-pau vai rir de mim
tenho uma meta a seguir
sou fruto daqui
se for pra somar
hei mano, chega aí
pra ser mais um braço
um guerreiro arregaço
contra o poder ser a pedra no sapato
sem marra, mentira, incerteza, sem falha
um centroavante nessa grande batalha
e no limite, a humildade faça o seu espaço
pra ser também um H. Aço.

Sei que não é fácil
Sei que não é fácil
Sei que não é fácil (Ser Homem de Aço)

Se liga aí, tô aqui, Racionais MC's
eu vou dizer que nasci e cresci na Zona Norte
periferia, extremo problema, E. D. I.
não me entrego ao sistema
igual dizem por aí
eu também falo sério e vim pra conferir
pra os manos do outro lado do muro
e para os manos daqui
ao contrário, sem motivo pra rir
aí, não sou otário, sei pra onde ir
vou seguir na minha rima, irmão
na consciência, então
nessa palavra de paz
sem violência
não gasto o meu tempo
eu não jogo fora
aí, ladrão, eu digo, vem comigo na trilha sonora
Edy Rock e tal
me chamam de marginal
não sou o mal
tomo geral
neguinho normal
não pago pau pra playboy de canal
de olho azul
Mitsubishi azul
vai tomar no cu
playboy ri da sua roupa e tenta copiar
marginal tem estilo
ninguém consegue imitar
fala mal da favela
dos pretos que vivem nela
no farol, a seqüela
ladrão fecha a janela
fala mal de você
que assiste a TV
te entrega a droga
pra você vender e morrer
na seqüência, na violência
nos empurra a maldade
nos empurra a imprudência
na cara dura
só cego não vê
meu povo é pobre, revista não lê
não entende
não tem informação
não estuda, nada muda
governo nega educação
controla o povo pelo dinheiro
cadê o dinheiro ?
Fernando Henrique fez o Brasil virar um puteiro
no mundo inteiro é a mesma patifaria

não é fácil ser Homem de Aço no dia a dia.


Rubem L. de F. Auto