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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

QUERO DE VOLTA O PODER QUE ME DISSERAM QUE EU TINHA: RATM


Take The Power Back
Rage Against The Machine

Bring that shit in, ugh
The movement's in motion with massive militant poetry
Now check this out, ugh

In the right light, study becomes insight
But the system that dissed us, teaches us to read and write
So-called facts are fraud
They want us to allege and pledge and bow down into their God

Lost the culture, the culture lost
Spun our minds and through time
Ignorance has taken over
We gotta take the power back

Bam, here's the plan
Mother fuck uncle Sam step back I know who I am
Raise up your ear, I'll drop the style and clear
It's the beats and lyrics they fear

The rage is relentless
We need a movement with a quickness
You are the witness of change and to counteract
We gotta take the power back

We gotta take the power back
C'mon! C'mon!
We gotta take the power back

The present curriculum, I put my fist in 'em
Eurocentric every last one of 'em
See right through the red, white and blue disguise
With lecture I puncture the structure of lies

Installed in our minds and attempting to hold us back
We've got to take it back
'Cause holes in our spirit are causing tears and fears
One-sided stories for years and years and years

I'm inferior? Who's inferior?
Yeah, you needa check the interior
Of the system who cares about only one culture
And that is why we gotta take the power back

We gotta take the power back
C'mon! C'mon!
We gotta take the power back

Aiyyo check, we're gonna have to break it, break it, break it down
Aw, shit!

And like this!
Ugh!
C'mon!
Yeah!
Bring it back the other way!
Ugh!

The teacher stands in front of the class
But the lesson plan he can't recall
The students eyes don't perceive the lies
Bouncing off every fucking wall

His compusure is well kept
I guess he fears playing the fool
The complacent students sit
And listen to the bullshit that he learned in school

Europe, ain't my rope to swing on
Can't learn a thing from it, yet we hang from it
Gotta get it, gotta get it together then
Like the motherfucking weathermen

To expose and close the doors on those who try
To strangle and mangle the truth
'Cause the circle of hatred continues unless we react
We gotta take the power back

We gotta take the power back
C'mon! C'mon!
We gotta take the power back

No more lies
No more lies
No more lies
No more lies
No more lies
No more lies
No more lies
No more lies

Ugh!
Yeah!
Take it back y'all!
Take it back, a-take it back
A-take it back y'all! C'mon!
Take it back y'all!
Take it back, a-take it back
A-take it back y'all! C'mon!
Ugh!
Yeah!
Traga aquela merda pra cá, ugh
O movimento está movendo as massivas
poesias militantes
Veja isso, ugh

Sob a luz correta, estudar se torna inspiração
Mas o sistema que nos insultou, nos ensina
A ler e escrever
Os tão falados fatos são fraudes
Nos querem para falar e prometer e nos curvarmos ao Deus deles

Perdida a cultura, a cultura está perdida
Nossas mentes giraram e, através dos tempos,
A ignorância tomou conta
Temos que tomar o poder de volta

Bam! Aqui está o plano
Filho da puta do tio Sam, para trás
Eu sei quem eu sou
Levante suas orelhas, vou deitar o estilo e ser claro
São as bestas e as letras que eles temem

O ódio não tem descanso
Precisamos de um movimento com um empurrão
Você é a testemunha da mudança e para contra atacar
Temos que tomar o poder de volta

(...)

O currículo presente, apontei meu dedo para eles
Eurocêntricos, cada um deles
Vejo através do disfarce vermelho, branco e azul
Com conhecimento, eu perfuro a estrutura das mentiras

Instalado em nossas mentes e tentando nos deter
Temos que pegar de volta
Porque frestas em nossos espíritos estão causando lágrimas e medos
Histórias que só falam de um dos lados, por anos e anos

Sou inferior? Quem é inferior?
Sim, você precisa analisar o interior
Do sistema, que só se preocupa com uma cultura
Por isso precisamos pegar o poder de volta

(...)

(...) Precisamos pôr um fim nisso (...)

(...)

O professor fica de pé em frente da classe
Mas o plano de aula, ele não pode mudar
Os olhos dos estudantes não vêem as mentiras
Saltando de cada merda de muro

Sua compostura é bem guardada
Espero que ele tema ser o otário
Os estudantes complacentes sentam
E ouvem as idiotices que lhe fazem aprender na escola

Europa, não é minha cadeira de balanço
Não consigo aprender nada disso, ainda que nos penduremos nela
Tenho que entender, tenho que juntar as partes
Como a porra do cara do tempo

Para mostrar e fechar as portar na cara dos que tentam
Para enfrentar e mutilar a verdade
Porque o círculo de ódio continua, a menos que reajamos
Temos que pegar o poder de volta

(...)
      
Sem mais mentiras

(...)




Rubem L. de F. Auto


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

RZO ALERTA: AS ARMAS MATAM... E NADA MAIS!


AS ARMAS QUE MATAM - RZO

"Entre as alterações está 
A redução de 25 
A idade mínima pra compra de armas" 
"O registro da arma será de graça 
E poderá ser feito ser feito por órgãos estaduais e do Distrito Federal 
E não mais apenas pela Polícia Federal" 
"Calibre trinta e oito 
Dois disparos 
Desse revólver" 

As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
Na rua ou no beco, de dia ou à noite 
Inimigos, antigos amores 
Pelo crime ou na lei dos homens 
Alguém matou com uma arma hoje 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
Na rua ou no beco, de dia ou à noite 
Inimigos, antigos amores 
Pelo crime ou na lei dos homens 
Alguém matou com uma arma hoje 

Quem defende a arma tem que pensar 
Na rua, os motoristas vão se armar (Se armar) 
Os pai de família tudo vão se armar (Se armar) 
A juventude, os que sofrem vão se armar (Ok) 
Não vamo andar pra trás (Não discute) 
Quem saca vive mais (Não discute) 
Vamo entrar em exceção, pois pra se defender 
Vão ver quem mata mais (Prrá) 

Casos conjugais 
Briga no trânsito ou acidentais 
Intrigas fatais 
Polícia que mata quadrilhas rivais 
Saiu nos jornais 
Dentro de casa um fi mata um pai 
Uma mina sem pais 
Atirou na amiga pra ter o rapaz 
Na escola o doente foi com um revólver, dois pentes 
Matou adolescentes 
Um marido demente 
Mata esposa inocente com os filhos presentes 
Outro dia um molecote 
Matou toda família pois tinha um revólver 
Ainda disse o repórter 
Brasil é recorde em morte de jovem 

As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
Na rua do beco, de dia ou à noite 
Inimigos, antigos amores 
Pelo crime ou na lei dos homens 
Alguém matou com uma arma hoje 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
Na rua do beco, de dia ou à noite 
Inimigos, antigos amores 
Pelo crime ou na lei dos homens 
Alguém matou com uma arma hoje 

Quem vende a arma tem que pensar (Pensar) 
A violência até você vai chegar (Chegar) 
Mais de cem por dia estão morrendo já (Já tá) 
Mas ainda tem muita arma pra se comprar (Não se discute) 
Não só do Paraguai (Tem mais) 
Tem também nacionais (Tem mais) 
E não dá, a sociedade com armas de fogo é arriscado demais 

Parceiro, não é grande 
São vinte milhões armados, matantes 
E os fabricantes fabricam aos montes 
O povo que compre 
Dinheiro montante 
Campanha, eleição, a mídia esconde 
Político, aonde 
Não há quem afronte, ninguém vai na fonte 
Pesquisas revelam 
Morrem menos nas guerras que em nossas favelas 
Justiça é cega 
Impunidade, racismo, corrupto faz festa 
Revólver não presta 
Uma simples defesa, ou mata ou aleija 
Covarde é uma merda 
Na mão troca ideia, armado é uma fera 

Quem nos dera 
Sem miséria, sem favela 
Ao invés das bocas, igrejas, sinos e capelas 
Temos pressa 
Desarmamento não é comédia 
Sangue na tela 
Tiroteio, caixão e velas 

As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
Na rua do beco, de dia ou à noite 
Inimigos, antigos amores 
Pelo crime ou na lei dos homens 
Alguém matou com uma arma hoje 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
As armas que matam, as armas que matam 
Na rua do beco, de dia ou à noite 
Inimigos, antigos amores 
Pelo crime ou na lei dos homens 
Alguém matou com uma arma hoje


Rubem L. de F. Auto 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

ESTADO POLICIAL: MAS O QUE É O ESTADO?


Police State
Dead Prez

You have the emergence in human society
Of this thing that's called the State
What is the State? The State is this organized bureaucracy
It is the police department. It is the Army, the Navy
It is the prison system, the courts, and what have you
This is the State it is a repressive organization
But the state and gee, well, you know,
You've got to have the police, cause..
If there were no police, look at what you'd be doing to yourselves!
You'd be killing each other if there were no police!
But the reality is
The police become necessary in human society
Only at that junction in human society
Where it is split between those who have and those who ain't got
I throw a Molotov cocktail at the precinct, you know how we think
Organize the hood under I Ching banners
Red, Black and Green instead of gang bandanas
F.B.I. spyin' on us through the radio antennas
And them hidden cameras in the streetlight watchin' society
With no respect for the people's right to privacy
I'll take a slug for the cause like Huey P.
While all you fake niggaz try to copy Master P
I want to be free to live, able to have what I need to live
Bring the power back to the street, where the people live
We sick of workin' for crumbs and fillin' up the prisons
Dyin' over money and relyin' on religion for help
We do for self like ants in a colony
Organize the wealth into a socialist economy
A way of life based off the common need
And all my comrades is ready, we just spreadin' the seed
The average Black male
Live a third of his life in a jail cell
Cause the world is controlled by the white male
And the people don't never get justice
And the women don't never get respected
And the problems don't never get solved
And the jobs don't never pay enough
So the rent always be late; can you relate?
We livin in a police state
No more bondage, no more political monsters
No more secret space launchers
Government departments started it in the projects
Material objects, thousands up in the closets
Could've been invested in a future for my comrades
Battle contacts, primitive weapons out in combat
Many never come back
Pretty niggaz be runnin' with gats
Rather get shot in they back than fire back
We tired of that - corporations hirin' blacks
Denyin' the facts, exploitin' us all over the map
That's why I write the shit I write in my raps
It's documented, I meant it
Every day of the week, I live in it; breathin' it
It's more than just fuckin believin' it
I'm holdin' them ones, rollin' up my sleeves an' shit
It's cee-lo for push-ups now, many headed for one conclusion
Niggaz ain't ready for revolution
The average Black male
Live a third of his life in a jail cell
Cause the world is controlled by the white male
And the people don't never get justice
And the women don't never get respected
And the problems don't never get solved
And the jobs don't never pay enough
So the rent always be late; can you relate?
We livin in a police state
Você tem uma emergência na humanidade
Desta coisa que chamamos de Estado
O que é o Estado? O Estado é essa burocracia organizada
É o departamento de polícia. É o0 Exército, a Marinha
É o sistema prisional, os tribunais, e aquilo que te controla
Este é o Estado, é uma organização repressora
Mas o Estado e a ordem, bem, você sabe,
Precisamos da polícia, porque...
Se não houvesse polícia, olhe o que vocês fariam consigo mesmos!
Vocês estariam se matando se não houvesse polícia!
Mas a realidade é
A polícia se tornou necessária para a humanidade
Somente naquela junção da humanidade
Onde ela se divide entre os que têm e os que não têm
Eu jogo um coquetel Molotov no recinto, você sabe como nós pensamos
Organizo o protesto sob cartazes de I Ching
Vermelho, preto e verde em vez de bandanas de gangs
O FBI espionando a gente por meio de antenas de rádio
E então câmeras escondidas nos postes assistindo a sociedade
Sem respeito pelos direitos das pessoas à privacidade
Vou tomar um tiro pela causa, como Huey P. *
Enquanto vocês, falsos negros, tentam copiar Master P *
Quero ser livre para viver, capaz de ter o que preciso para viver
Cansamos de trabalhar por migalhas e de encher as prisões
Morrer por dinheiro e buscar ajuda na religião
Nos comportamos como formigas num formigueiro
Organizem a riqueza como numa economia socialista
Um jeito de viver baseado nas necessidades comuns
E todos os meus camaradas estão prontos, estão apenas espalhando as sementes
O homem negro médio
Vive um terço de sua vida numa cela
Porque o mundo é controlado pelo homem branco
E as pessoas nunca conseguem a justiça
E as mulheres nunca conseguem respeito
E os problemas nunca se resolvem
E os empregos nunca pagam o suficiente
Então o aluguel sempre atrasa; você consegue ligar os pontos ?
Vivemos num estado policial
Não mais à escravidão, aos monstros políticos
Sem mais lançamentos secreto de mísseis
Departamentos governamentais deram início a isso em seus projetos
Objetos materiais, milhares no armário
Poderia ter sido investido provendo um futuro para meus camaradas
Choques em batalhas, armas primitivas em combates
Muitos não retornam
Belos negros derrubados por tiros
Melhor tomar um tiro de volta do que um tiro pelas costas
Cansamos disso – corporações contratam negros
Negando os fatos, nos explorando por todo o globo
É por isso que escrevo essas merdas nos meu rap
Está documentado, eu quis dizer aquilo
Todos os dias da semana eu vivo isso; respiro isso
É mais do que simplesmente acreditar nessa porra
Eu abraço essas pessoas, dobro minhas mangas e tudo o mais
Foi CEE-lo * quem deu o empurrão, agora muitos chegaram à conclusão
Os negros não estão prontos para a revolução
O homem negro médio
Vive um terço de sua vida atrás das grades
Porque o mundo é controlado pelos homens brancos
E as pessoas nunca alcançam a justiça
E as mulheres nunca são respeitadas
(...)



Rubem L. de F. Auto

* Master P e Cee-lo são rappers; Huey P foi um político democrata, assassinado. 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

ALGO POR QUE MORRER


Now You've Got Something To Die For
Lamb of God

Now you've got something to die for
Infidel, Imperial
Lust for blood, a blind crusade
Apocalyptic, we count the days

Agora você tem algo por que morrer
Infiel, imperial
Sede de sangue, uma cruzada cega
Apocalíptica, contamos os dias

Bombs to set the people free, blood to feed the dollar tree
Flags for coffins on the screen, oil for the machine
Army of the liberation, gunpoint indoctination
The fires of sedition
Fulfill the prophecy

Bomba para libertar as pessoas, sangue para alimentar a árvore de dólares
Bandeiras para caixões na tela, petróleo para as máquinas
Exército de libertação, doutrinação na ponta da baioneta
O fogo da insubordinação
Preenche a profecia

Now you've got something to die for
Send the children to the fire, sons and daughters stack the pyre
Stoke the flame of the empire, live to lie another day
Face of hypocrisy, raping democracy
Apocalyptic, we count the days

Agora você tem algo por que morrer
Mandem as crianças para o fogo, filhos e filhas se amontoam na pira
Inflamam a fogueira do império, viva para mentir noutro dia
Encare a hipocrisia, violentando a democracia
Apocalíptico, contamos os dias

We'll never get out of this hole until we've dug our own grave
And drug the rest down with us, the burning home of the brave
Burn
Now you've got something to die for

Nunca sairemos desse buraco até que tenhamos cavado nossos próprios túmulos
E drogarmos todo mundo com a gente, a casa em chamas dos bravos
Queime
Agora temos algo por que morrermos



Rubem L. de F. Auto

DANÇANDO ENQUANTO PALÁCIOS QUEIMAM


As The Palaces Burn
Lamb of God

The fiends have gagged a generation of pacified fools
Bound by our greed a nation enslaved as corporate tools.
Arise and race the legacy of their lies
To realize that this in itself is an ascension
Towards the day we revolt.
As the seeds you've cast away take hold
War will be born.
Rejoice, the age of the fall has begun
We'll dance as the palaces burn.
A shot gun blast into the face of deceit
You'll gain your just reward.
We'll not rest until the purge is complete
You will reap what you've sown.
My redemption lies in your demise.
In such a world as this does one dare to think for himself?
The paradox of power and peace will destroy itself
To know the truth and live in fear of no man.
To realize that this in itself is an ascension
Toward the day we revolt.
As the seeds you've cast away take hold
War will be born.
Rejoice, the age of the fall has begun
We'll dance as the palaces burn.
My redemption lies in your demise.
Rejoice, the age of the fall has begun.
We'll dance as the palaces burn.
Os demônios amordaçaram uma geração de idiotas pacíficos
Confinados por nossa ganância, uma nação escravizada na forma de  recursos corporativos
Levante-se e enfrente o legado de mentiras
Para ver que isto, por si só, é uma ascensão
Em direção ao dia que nos revoltaremos
Tão logo as sementes que você lançou vinguem
A guerra nascerá
Alegre-se, o dia da queda chegou
Dançaremos enquanto palácios queimam
Um tiro de pistola na cara da mentira
Você receberá sua recompensa em breve
Não terminaremos até que o expurgo esteja completo
Você colherá o que plantou
Minha salvação reside na sua destruição
Num mundo como este, alguém ousa pensar por si mesmo?
O paradoxo do poder e da paz vai destruir este mundo
Para saber a verdade e viver sem medo de ninguém
Para perceber que isto, em si, é uma ascensão
Em direção ao dia em que nos revoltaremos
Tão logo as sementes que você lançou vinguem
A guerra surgirá
Alegre-se, o dia da queda chegou
Dançaremos enquanto palácios queimam
Minha salvação reside na sua destruição
Alegre-se, o dia da queda chegou
Dançaremos enquanto palácios queimam





Rubem L. de F. Auto

UM BREVE DESPERTAR DO CORDEIRO DE DEUS


Ashes of The Wake – Cinzas de um Despertar
LAMB OF GOD – Cordeiro de Deus

"We killed a lot of innocent civilians.
To us every civilian in Baghdad was a terrorist.
They said 'they are now in civilian clothes' that makes everybody free game,
But if they came in our perimeter, we lit 'em up.
And when we would pull the body out, and when we would search the car, we would find nothing.
This took place time and time again. No harm, no foul, that's OK, don't worry about it,
Because this is a new type of war, this is an eradication."

“Nós matamos um monte de civis inocentes
Para nós, todos os civis em Bagdá eram terroristas
Disseram: “Eles estão agora com roupas de civis”, o que transforma a todos em alvos,
Mas se eles vierem para nosso perímetro, apertamos o gatilho
E quando viramos o corpo da vítima, e quando vistoriamos o carro, nada achamos
Isso acontece toda hora. Sem culpa, nada errado, tudo bem, não se preocupe com isso,
Porque esse é um novo tipo de guerra, é uma erradicação.”  

"I honestly feel we're committing genocide over here,
I don't believe in killing civilians, and I'm not going to kill civilians for the United States Marine Corp."

“Eu penso honestamente que estamos cometendo um genocídio neste lugar,
Não creio em matança de civis, e não vou matar civis pelos Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA”


Rubem L. de F. Auto

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

LAMBENDO AS FERIDAS: UM HUMILDE RECOMEÇO


Assumidamente anti-macedônio, o orador Demóstenes reagiu à tomada do controle de toda a Grécia pela Macedônia de Alexandre da mesma maneira como vinha agindo até então: a Macedônia representava a perda da autonomia de Atenas e o fim de sua democracia. Segundo Demóstenes, Alexandre, como seu pai, era a encarnação da barbárie e da selvageria. E assim oscilamos ainda hoje, embasbacados pelos feitos militares ao passo que temos a sensação de que a outra face é a tirania política.

Os feitos incríveis de Alexandre e seu exército forma coroados pela dupla derrota de Dario III, assassinado por seus homens após sua fuga desonrosa do campo de batalha, e pela incineração do grande palácio de Persépolis, sede do poder persa. O ano em que ocorreram esses fatos, 330 a.C., marca um ponto de inflexão, pois desse momento em diante o grande general grego dava vez ao líder tirano intolerante a qualquer crítica e sem o menor pudor em desrespeitar tradições gregas há muito arraigadas.

Mas a verdade é que essa impressão do desenrolar da história é apenas a versão que se firmou, aquela contada por Demóstenes. Mas, como dito, trata-se apenas de uma versão. Alguns fatos depõem claramente contra o que apregoara Demóstenes.

Ainda nos tempos de Filipe, foi firmada a Liga de Corinto, pacto de paz envolvendo as cidades gregas, exceto Esparta. Esta Liga pôs fim a séculos de guerras incessantes, causadas pela eventual supremacia de uma cidade em relação às demais. Tal estabilidade afastou de uma vez por todas a ingerência do rei da Pérsia sobre assuntos gregos, pois esta era freqüentemente chamada para acudir uma cidade grega que se via sem forças para lutar contra sua adversária local. Se houvesse ingerência agora seria de uma cidade grega, a própria Macedônia.

Outro avanço notado no período foi a melhoria substancial da infraestrutura dos templos e santuários sagrados. A cidade de Corinto, central nos acordos pactuados, era próxima dos santuários de Nemeia e Istmo; ambos receberam investimentos substanciais capitaneados por Filipe. Nemeia converteu-se no principal centro de jogos atléticos e internacionais, exibindo um novo templo, um albergue, um ginásio e um estádio.

Importante notar que os templos e santuários eram locais de reunião pública, portanto permitiam reverberavam para toda a Grécia as decisões tomadas no âmbito da Liga. Todas as vitórias da expedição de Alexandre até os confins do mundo conhecido (chegou até a Índia e o Paquistão) foram anunciadas em Olímpia, em todos os eventos Olímpicos.

Sob Filipe a Alexandre, aquele território ocupado por cidades díspares e constantemente em guerra ganhou uma unidade única, permitindo finalmente ser chamado de Grécia antiga.   

Atenas progrediu também nesse período. Desde 350 a.C., aquela cidade vivia uma crise financeira, que seria finalmente domada pelas políticas financeiras implantadas por Eubulo. Contudo, a guerra contra Filipe em Queroneia custou todos os recursos acumulados até então. Novamente em crise, Atenas agora via um outro administrador, Licurgo, pôr as contas em dia. Este último garantiu o maior período de prosperidade grega no século IV a.C. O PIB de Atenas duplicou, tendo superado os números da época do império ateniense, de cem anos antes. E a economia era crescia agora em razão de desenvolvimentos internos, não mais por impostos recolhidos de territórios sob seu domínio. O sistema bancário, falido por não mais poder contar com os recursos antes disponíveis nos cofres dos santuários, esvaziados pelas desavenças bélicas, voltaram a se encher e os banqueiros voltaram à proeminência de outros tempos. O salário diário médio cresceu entre 50 e 100%.

Enfiam, poucos atenienses poderiam reclamar do padrão de vida que desfrutavam sob os “tiranos” da Macedônia.

A arquitetura ateniense também evoluiu. Embora concentrado nas instalações militares e de defesa, muitos empregos foram gerados, como na reconstrução da muralha da cidade e na expansão posterior de sua marinha. Também foram construídos teatros e templos, como o teatro ao deus Dionísio, o primeiro todo em pedra, para 17.000 pessoas e existente ainda hoje.

Uma das políticas de Licurgo foi atrair a Atenas estrangeiros ricos, mediante incentivos financeiros e até fornecendo-lhes terras para a construção de templos a seus deuses de preferência. Ordenou também a construção de um novo estádio para as competições esportivas durante o Panatheia. Sob Licurgo também foi erguida a segunda academia de Aristóteles, o Liceu, além da expansão da primeira. OS santuários de Asclépio e de Elêusis viram progressos significantes também.

Sem dúvidas tantos anos de paz abriram espaço para progressos inesperados.

Bom, mas e a tão cara democracia? Esta também ganhou, pois a colina de Pnix, local de instalação da assembléia, foi modernizada, recebendo uma tribuna para oradores, ainda hoje de pé.

A Ágora, principal local de convívio urbano, recebeu prédios modernos e um sistema de comunicação pública, segundo o qual um painel de notícias continha os deveres dos cidadãos, que era renovado mensalmente e ficava no foco do olhar vigilante de estátuas representando os pais fundadores tribais da cidade.

Alexandre ainda pôde presentear Atenas com alguns dos seus bens mais caros: as estátuas dos pais fundadores democráticos de Atenas, aqueles que mataram os antigos tiranos e fundaram a democracia ateniense – daí serem batizados de Tiranicidas. Essas estátuas haviam sido roubadas pelos persas 150 anos antes e levadas para Persépolis. Após sua vitória acachapante e pouco antes de pôr fogo no palácio, Alexandre tratou de recuperá-las e devolvê-las e seus donos de direito.

Como se não bastasse, um evento poria fim à reputação de Demóstenes. Hárpalo, ministro das finanças de Alexandre, passou a mão nos recursos persas, gastou boa parte com uma prostituta e fugiu para Atenas, implorando proteção da cidade. No entanto não encontrou pessoas muito dispostas a ajudá-lo, tendo até Demóstenes exigido que se entregasse a seu antigo rei. Sabedor do poder que o dinheiro exerce sobre algumas pessoas, Hárpalo presenteou Demóstenes com uma taça de ouro, cujo reluzir hipnotizara o velho orador. Imediatamente Demóstenes passou a apoiar Hárpalo e a pedir que a cidade o protegesse.
Quando Alexandre retornou de suas campanhas, entrou em cena e exigiu o retorno de Hárpalo, para que fosse julgado e sentenciado. Este fugiu para a ilha de Creta, achando-se lá seguro, sendo, no entanto, lá mesmo assassinado.

Pouco após, resultado das investigações sobre o fato, foi tornado público o  tal “presente” a Demóstenes, a tal taça de ouro que o subornou. A ira dos atenienses foi implacável contra o corrupto orador, como na frase contra si bradada em claro sinal de deboche: “Homes de Atenas, não devemos ouvir aquele que detém a taça?” Aceitar suborno para agir contra Atenas era o cume dos absurdos absolutamente inaceitáveis.  
Mais do que isso. Com o avanço das investigações, constatou-se que havia uma diferença significativa entre a quantidade de ouro que Hárpalo confessara ter roubado e o montante depositado na Acrópole. Demóstenes nunca havia falado nessa diferença. Resultado: o tribunal do Areópago decidiu por processar todos os que teriam se beneficiado da fortuna, estando Demóstenes e Dêmades entre os condenados. Dez promotores e um júri composto por 1.500 cidadãos tomaram parte no julgamento.

Demóstenes terminou exilado – sentença positiva, pois escapara da execução – em Egira, ilha localizada no litoral de Atenas. De lá, chorava ao contemplar sai Atenas ao longe e aconselhava a todos se manterem longe da vida pública e da besta fera representado pelo demos, o povo.

Também foi sob Alexandre que Aristóteles, antigo tutor do rei macedônio e agora residente em Atenas, escreveu sua obra “A Constituição dos Atenienses”, no ano de 320 a.C., de onde se extrai quase tudo o que se sabe sobre a cidade e seu sistema de governo.

Mas apenas um ano após o exílio de Demóstenes, Alexandre aparecia morto, provavelmente envenenado por seus próprios homens.

Mas aí é outra história...


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro “Dos democratas aos reis....”   

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

FILIPE E DEMÓSTENES: DOIS MUNDOS SE CHOCAM, MAS SÓ HÁ ESPAÇO PARA UM


Orador brilhante, Demóstenes fez carreira vitoriosa na Atenas de meados de 350 a.C., aproveitando-se do pleno funcionamento do tribunal de justiça, cujas sentenças eram emitidas por júri popular. Foi convencendo o júri de suas razões que Demóstenes conseguiu uma proeminência quase única naqueles dias.

Mas ele precisava de mais para alcançar a importância que perseguia. Ele precisava de um alvo, de um inimigo, de uma política que o fizesse figurar no lado oposto de um embate. E a conturbada Grécia de então logo lhe forneceria esse alvo: o rei Filipe da Macedônia.

Logo após sua incursão na parte central da Grécia, tornou-se claro a Demóstenes que aquele homem era uma ameaça bastante real à Atenas de Demóstenes. Já a partir de 351 a.C., o orador popular passou a acusar sua amada cidade, com cada vez mais afinco, de imprudência e miopia, ao não se opor aquele voraz invasor.

Orgulhoso cidadão de Atenas, Demóstenes trazia ainda o cacoete típico de quem sentia saudades dos gloriosos tempos do império de Atenas: nutria antipatia por quaisquer forasteiros e via sua cidade como o topo da civilização. Considerando-se os tempos atribulados de então, quando as conjunções dos astros cambiava segundo a segundo, Demóstenes deva sinais claros de um certo anacronismo, incompatível com a globalização que vinha a galope, aproximando cidades e civilizações distantes e distintas.  

Mas todo confronto traz adversários, e Demóstenes logo encontraria um, que deveria enfrentar no seu próprio campo de batalha: era Ésquino, igualmente brilhante na oratória, mas afiliado à facção pró-Filipe, que começava a ganhar corpo.

Nascido pobre, inicialmente dedicado ao ofício de ator, Ésquino se tornou soldado ao combater na importante Batalha de Mantineia, em 362 a.C. Passo seguinte, tornou-se orador perante o tribunal de justiça e embaixador, enviado por Atenas em diversas missões. Desde que se encontrara com Filipe pela primeira vez, em missão oficial, demonstrou grande simpatia pelo rei macedônio, tendo se tornado seu homem em Atenas, fato que despertou profunda ira em Demóstenes.

O embate entre os dois oradores logo descambou para ataques por meio de ações judiciais caluniosas. Demostenes inicialmente acusou Ésquilo de ser filho de prostituta. Ésquilo contra-atacava dizendo ser Demóstenes, de fato, filho de uma bárbara, oriunda de uma cidade remota no Mar Negro. Demóstenes então acusou Ésquilo de ter sido subornado por Filipe. Então Ésquilo acusou Demóstenes de ter recebido dinheiro dos persas. Demóstenes passar então a perseguir os aliados de Ésquilo com múltiplos processos judiciais, ao passo que este último processava Demóstenes por impureza religiosa, abusos sexuais e comportamento político tirano.

O objetivo de ambos era macular sua reputação, de forma a enfraquecer seus discursos na Assembléia. Sem falar na perda da credibilidade de sua lealdade à cidade.

De fato, esse embate dividiu a população ateniense em dois campos opostos: os prós e os contra-Filipe.

O campo contra-Filipe trazia outro orador respeitado, Hipereides, servidor público bastante elogiado, embora frequentemente censurado por seu comportamento na vida privada. O lado que apoiava Ésquilo compreendia um homem chamado Dêmades, autor de uma pérola de sinceridade ao comentar sobre um poeta que recebia dinheiro por cada poema que recitava: “Se acham impressionante que esse homem receba um talento para recitar, fiquem sabendo que recebo dez vezes mais do rei da Macedônia só para ficar calado.”   

Àquela altura, Isócrates, o mais famoso comentarista político de Atenas, ao analisar o complicado contexto político vigente, verificou que a Grécia precisava de um líder forte, algo que Atenas, a seu ver, não seria capaz de fornecer. Escreveu então uma carta aberta intitulada: A Filipe. À beira dos cem anos – contava 98 quando morreu -, Isócrates via Filipe como o salvador da civilização grega, o homem capaz de conter os bárbaros, fixar as fronteiras e organizar as cidades. E assim procedeu o rei macedônio.

Por volta de 352 a.C, Filipe já havia conquistado o santuário internacional de Delfos. Aproveitou para dar provas de sua exigência moral ao punir severamente os generais que havia permitido a dilapidação dos seus tesouros. Filipe agora governava a Macedônia e a Tessália. Porém seu avanço mais ao sul foi bloqueado por uma conjugação dos exércitos de Atenas e de Esparta, que defenderam o crucial estreito das Termópilas.

Estrategista militar habilidoso, Filipe procurou contornar tal estreito por meio da invasão da ilha de Eubeia, há muito território de Atenas e que se aproximava do continente, no seu ponto mais ocidental, até cerca de 40 metros das praias atenienses. Foi então que o macedônio passou a fomentar rebeliões internas na ilha. Simultaneamente, Filipe procurou cortar a rota de suprimentos de grãos que abasteciam Atenas.

Percebendo a os percalços que já vinha causando à cidade que almejava, Filipe passou então a propor um tratado de paz. Foi um golpe em Demóstenes, já que dividia ainda mais a cidade em grupos opostos. Se Demóstenes preconizava a guerra, Filipe agora demonstrava querer a paz. Os planos do primeiro, de realizar uma ampla aliança entre cidades para fazer frente a Filipe, deparavam-se agora com uma proposta que amornava completamente os ânimos.

Em 346 a.C., Demóstenes e Ésquino foram enviados em missão À Macedônia, para tratar diretamente com Filipe. A previsão de que as desavenças entre os dois poria água abaixo os termos do acordo se concretizou: os dois se engalfinharam nos tribunais, cada qual acusando o outro de traição.

Filipe era estrategista: percebendo a demora nas negociações, subornou mercenários, afastou potenciais aliados de Atenas e garantiu sua passagem pelas Termópilas, sem grandes percalços.

O passo seguinte foi assegurar-se da conquista de Delfos, logo promoveu os jogos sagrados, para celebrar sua vitória, viu a Atenas ajoelhada assinar um tratado de paz com o agora Senhor da Grécia Central, e organizou um belo banquete, para o qual convidou seu homem-em-Atenas, Ésquino.

Mas Demóstenes não se deu por vencido e passou a atacar de todas as formas o recentemente assinado Tratado de Paz.

Filipe agora apontava suas armas em direção ao Peloponeso, sul da Grécia. Demóstenes então passou a contatar cada uma delas para que não se bandeassem para o lado mecedônio. Mas era difícil: já então Filipe era visto como o garantidor da paz, pois equilibrava a balança que antes pendia para Atenas e Esparta.

Ainda não se dando por vencido, Demóstenes retornou À Assembléia e exortou os concidadãos a, pelo menos, renegociarem os termos do tratado de paz. Naqueles dias, Filipe levava seu poderio militar à Trácia, trazendo para o interior das fronteiras da Macedônia o alto mar Egeu, a Ásia Menor e parte do império persa.

Ao mesmo tempo em que Demóstenes levava o embate entre as cidades à beira da guerra, muitos se indagavam: teria Atenas alguma chance contra a maior potência grega do momento? Poucos acreditavam nisso, e o maior temor no momento era um ataque mortal contra o maior patrimônio ateniense: sua democracia.    

O medo era tamanho que logo lançaram um censo para saber exatamente quem tinha direito à cidadania: era resultado do medo de que sua democracia fosse usada contra seu próprio interesse. Também aproveitaram para aumentar as penas para quem fosse condenado por agir contra a democracia.

Nesse mesmo compasso, Demóstenes foi enviado a Bizâncio para reafirmar a aliança entre Atenas e aquela cidade: Bizâncio havia saído da liga ateniense em 350 a.C., mas Demóstenes pretendia reaproximar as duas cidades, garantindo assim o abastecimento de Atenas com cereais. Demóstenes foi bem sucedido em seu intento.

Quando de seu retorno, Demóstenes passou por Eubeia e conseguiu conter as rebeliões locais. Chegando a Atenas, embora ainda sem conseguir frear o lado pró-Filipe, Demóstenes foi efusivamente homenageado. Era agora a maior autoridade ateniense.

Percebendo as manobras perspicazes de Atenas, Filipe lançou um cerco contra Bizâncio. Agora era oficial: Atenas e Macedônia estavam em guerra. Contudo, o resultado foi surpreendente: as defesas de Bizâncio, somadas à esquadra ateniense, forma suficientes para refutar o ataque macedônio. Um suspiro aliviado foi seguido por reflexões: seria realmente possível a Atenas vencer a Macedônia?

Pouco após, um terremoto pôs o santuário de Delfos abaixo. Sua reconstrução o pôs novamente sob o governo de Atenas. Anfissa, cidade mais próxima do templo, discordando profundamente da atitude de Atenas, levou o litígio ao conselho de cidades que governavam Delfos. O representante de Atenas foi Ésquino, que aproveitou o momento culpar Anfissa, acusando-a de sacrilégio.

O fato e que Filipe aproveitou a acusação de Ésquilo e pôs-se a invadir todas duas cidades ao sul: Anfissa e Elateia. Agora Filipe estava a apenas dois dias de caminhada de Atenas. Aproveitou para enviar um ultimato a Tebas e à Beócia. Filipe punha Atenas, definitivamente, no Eixo do Mal, ao lado de quem a apoiasse. Atenas emudeceu de medo. Parecia que o fantasma persa de século e meio antes ressurgira, mas agora poucos criam na vitória.

Demóstenes foi quem rompeu o silêncio e propôs algo de acordo com o que vinha pregando até então: apoio a Tebas e oposição a Filipe. Nesse sentido, foi enviado a Tebas para comunicar que não lutavam sozinhos, pois Atenas estaria ali, lutando lado a lado.

Tarefa inglória: não foram poucos os momentos em que Atenas deixou os tebanos sozinhos, no relento, contra adversários mais fortes, como Esparta. Por que agora fariam frente a Filipe se o alvo era Atenas? Seja como for, Demóstenes deu um dos seus shows de oratória e conseguiu convencer os tebanos a fazerem barreira contra a investida macedônia.

Os ânimos gregos foram tão insulflados por Demóstenes em direção a uma batalha contra a Macedônia, que todo aquele que se opusesse, agora, ao iminente conflito era logo taxado de traidor de Atenas. Mesmo Fócion, heróico general que evitou a vitória de Filipe em Bizâncio, passou a ser alvo de ataques, pois se opunha claramente à necessidade daquele conflito. Demóstenes chefou a alertá-lo: “Os atenienses o matarão, Fócion, se ficarem ainda mais indignados.” Ao que Fócion logo respondeu: “Sim, mas haverão de matá-lo se caírem em si.”

Procurando fortalecer seu contingente armado, propuseram em Assembléia a libertação dos escravos e seu armamento, para lutarem nos campos de batalha.

A batalha teve início, finalmente, em 338 a.C., em Queroneia, centro da Grécia. Exércitos perfilados, Filipe assumiu o comando da infantaria, enquanto seu filho, Alexandre, liderou a cavalaria. Os primeiros adversários de Filipe foram os famosos 300 amante masculinos do Bando Sagrado de Tebas, até então inéditos em batalha. Completavam o quadro o resto do exército de Tebas e as tropas atenienses.
Demóstenes estava lá, em meio aos soldados. Quanto a Ésquino, ninguém soube informar seu paradeiro. Estava ali armado o circo que vinha sendo formado nos últimos quinze anos.

O local de batalha até hoje é adornado com dois monumentos, um tebano e outro macedônio. Nesse local jazem quase todos os membros do Bando Sagrado. Foram todos enterrados em valas comuns, que ainda hoje exibem a crueldade do embate ali encenado.

Quanto aos atenienses, calcula-se me mais de dez mil os mortos, sendo mais de dois mil capturados. As pilhas de corpos em decomposição deram origem a uma praga que dizimou Atenas no inverno seguinte.
Do lado macedônio, no local do monumento foi erguida uma pira fúnebre, em que se incineraram os mortos. Os ossos foram cobertos por terra, resultando num monte de sete metros de altura e 70 de largura.    

Mirando para a pira fúnebre, foi erguido o Leão de Queroneia, gigantesca escultura feita com pedras locais: representa Filipe, o Leão da Grécia, dando suas boas vindas...

Voltando a Demóstenes, responsável direto pelo massacre ora encenado, fugiu do campo de batalha de maneira desonrosa e covarde. O príncipe das trevas de Atenas deu mostras de uma covardia inominável.      
Terminada a carnificina, Dêmades, Ésquino e Fócion forma enviados para firmar um tratado de paz. Filipe, apesar da acachapante vitória, comportou-se de maneira digna e altiva, pois libertou todos os soldados capturados e não exigiu resgate. Demonstrando certa falta de noção da amplitude do que ocorrera, os emissários pediram a devolução também dos trajes e das roupas de cama. Filipe não se conteve frente a seus funcionários: “Não lhes parece que os atenienses acham que foram apenas derrotados num jogo de tabuleiro?”

Mas Filipe ainda trazia rancores contra Demóstenes, quem o forçara a entrar numa batalha de vida ou morte contra um adversário respeitável. O rei Macedônio queria sua cabeça a qualquer custo. Seria compreensível se os atenienses a entregassem de bom grado.

Mas não foi exatamente isso que se desenrolou. Demóstenes foi protegido pelos atenienses e ainda foi convidado para realizar o elogio fúnebre dos atenienses mortos. Nele, o famoso orador mistura partes em que culpa a cidade e suas imprecauções: “Havia insensatez e também negligência entre os gregos, que não entenderam os riscos nem fizeram algo a respeito num momento em que ainda era possível ter evitado o desastre ... mas agora, como no momento em que a luz do dia é retirada deste mundo e tudo se torna árduo e difícil, agora, portanto, mortos esses bravos homens, toda a beleza e o esplendor da Grécia estão mergulhados em trevas e na mais profunda escuridão.”

Quanto a Isócrates, o importante analista político ateniense, no último dos seus 98 anos de existência debandou para o lado pró-Filipe. Percebera que somente aquele homem poderia levar a civilização grega, novamente, a seus dias mais gloriosos. Foi o que expôs em carta enviada a Filipe.

Após, passou seus últimos quatro dias recusando qualquer alimento, até seu desfalecimento final. Foi seu último protesto contra a decadência de sua amada cidade.


Rubem L. de F. Auto

Fonte: livro: Dos democratas aos reis ....”